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Inovação é tema prioritário para 85% das empresas

Tema prioritário, mas difícil de colocar em prática. É o que diz a 4ª edição da pesquisa Ace Innovation Survey, liderada pela consultoria de inovação ACE Cortex, que fornece um panorama da inovação nas companhias brasileiras.

Segundo o estudo a inovação é prioridade para 85% das empresas, mas somente 36% delas estão adequadas para fomentar e desenvolver novas ideias.

Além de informações relacionadas à capacidade financeira das companhias em olhar mais de perto para essa questão, o dado mais curioso do estudo mostra que, para os líderes, a inovação não está relacionada somente à adoção de tecnologias de ponta.

Desafios para a inovação

Quase 45% dos respondentes acreditam que a principal barreira para a inovação é cultural. Ou seja, entendem que a visão, os valores, as estratégias e os processos de suas empresas não derivam de uma mentalidade disruptiva.

Para cerca de 35%, o impasse é financeiro – eles creem que faltam recursos para financiar projetos de inovação. Aproximadamente 25% enxergam que a ausência de uma liderança focada em inovação é o principal problema.

Na verdade, inovar depende das pessoas que trabalham na organização. “Esta é, talvez, a mais importante revelação da pesquisa”, diz o sócio da ACE Cortex Consultoria, Luis Gustavo Lima.

Em entrevista ao Portal de Notícias da GS1 Brasil, o professor de Inovação e Empreendedorismo Digital da ESPM Porto Alegre, Arturo Mocellin Garziera, reforça a tese da pesquisa e destaca a importância das pessoas e o direcionamento delas para uma mentalidade orientada à inovação e a constante transformação.

Arturo Mocellin Garziera da ESPM Porto Alegre. Crédito: divulgação

“Inovar é mudança. Se a equipe é mais adepta a um processo de manutenção, de pouco erro, de segurança e previsibilidade, pode ser que ao lidar com a construção de algo totalmente novo surja uma série de novos sentimentos e angústias antes não sentidas e compartilhadas pelos membros do time. Este risco existe, dependendo do perfil do time, isto pode ocorrer.”, ressalta.

Segundo Arturo, por outro lado, existem equipes prontas para esse processo, que enxergam o erro como um aprendizado, se motivam com a falta de previsibilidade e se empolgam com o desafio de fazer algo ainda não feito. São pessoas que se engajam com a oportunidade de escrever uma nova história, que gere um alto impacto.

Mas como agir diante do grupo mais conservador e avesso à mudança?

conceito de inovação entre a equipeArturo cita 3 pontos cruciais. Confira:

1 – Diagnóstico e ação: o gestor deve fazer um diagnóstico e partir para ação, levando  uma série de informações que torne tangível para estes profissionais de como funciona o mundo contemporâneo, a velocidade das transformações e a necessidade de mudar para permanecer vivo e relevante.

2 – Cultura forte e aprendizado constante:  após deixar visível a necessidade, cria-se um ótimo ambiente para trabalhar cultura e educação. Deve-se levar conhecimento para preparar as pessoas para enfrentarem desafios jamais vivenciados anteriormente por eles.

3 – Liberdade: é necessário criar um ambiente de confiança e liberdade, além de dar espaço para que estes profissionais tenham voz ativa e recursos para inovar.

Autonomia para inovação, mas orientada

Mary Ballesta da Stefanini. Foto: divulgação

Mary Ballesta da Stefanini. Foto: divulgação

A diretora Global de Inovação do Grupo Stefanini, Mary Ballesta, compartilha da mesmo opinião é reforça que para inovar é preciso empreender e ser muito mais proativo na maneira de agir, não ser reativo ao que pode vir.

“No setor profissional, isso se conecta com a necessidade de ter propósito dentro das organizações. E o ponto de virada nesse processo, para poder criar uma cultura de inovação nas corporações, é dar uma certa autonomia às pessoas, para que elas possam desenvolver práticas interessantes, mas uma autonomia orientada, que tem o foco em gerar valor contínuo. É o empreender com propósito que cria contextos de inovação dentro da cultura organizacional.”, orienta.

Segundo a executiva, um dos grandes desafios da inovação seja esse: definir bons objetivos e resultados-chave com o time que permitam, não só serem guias para garantir que estamos no caminho certo, mas também ferramentas que nos ajudem a repensar as iniciativas a cada momento de decisão, priorizando sempre nosso o encontro ao propósito, ao futuro que estamos desenhando. Assim, a aprendizagem será para sempre, e é assim que se cria uma cultura de inovação.

Mas quais seriam as melhores ferramentas para engajar o time?

Leonardo Augusto Garcia do Sebrae-SP. Crédito: divulgação

O consultor de inovação e gestão do Sebrae-SP, Leonardo Augusto Garcia, diz que na prática vemos que a não participação dos colaboradores gera pouca motivação e, consequentemente, baixo engajamento e sugere ferramentas para as empresas a implementarem processos de inovação constante.

“Uma prática de muito resultado é o design thinking. É uma técnica que tem algumas etapas, como: imersão para o mapeamento das variáveis de um problema, entendimento da jornada do usuário, formulação da persona, cocriação de soluções / brainstorming, escolha da solução com maior aderência e prototipação. Além de design thinking, vale ressaltar a importância de fazer os canvas do modelo de negócios e da proposta de valor, buscando sempre explorar ao máximo a ótica do cliente”, exemplifica.

Foto: iStock

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