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10 tendências emergentes para um mundo pós-Covid-19

A Inova Consulting elaborou um white paper com 10 tendências emergentes que dão algumas pistas sobre como será o novo normal depois da pandemia de Covid-19.

A consultoria fez um recorte de tendências emergentes, ou seja, aquelas que impactam o mercado no curto prazo, nos próximos 12 meses, e que podem apontar novos caminhos para os negócios. Confira.

1. CoCooning & Encapsulamento 2.0

Do dia para a noite, todos passaram a se encapsular nas suas casas, mantendo distância social e encontrando outras formas de trabalhar e viver com a família. Com essa nova situação, as pessoas começam a ressignificar valores e comportamentos.

O encapsulamento dá uma outra perspectiva do trabalho, das relações e da vida.  As implicações nos modelos de ensino e de trabalho serão profundas e novos modelos de pensamento, produtividade, aprendizagem e entrega surgirão em uma nova realidade.

2. Social Media

O mundo conectado nas redes já era uma realidade e, agora, ganhou novo alento para  estar “vivo” nesta imensidão de informação, na busca do conhecimento mais completo e atual sobre os temas.

Com mais pessoas conectadas, o impacto e a disseminação das informações serão ainda maior. Todos são hoje consumidores e produtores de conteúdos, o que muda radicalmente a forma como os líderes de opinião, tanto pessoas quanto empresas, são vistos, afetando a sua credibilidade e reputação.

3. Trabalho e Educação Remotos

O trabalho remoto já era adotado por alguns segmentos de serviços e startups. Mas com a pandemia, muitas pessoas tiveram de aprender a trabalhar de casa, utilizando as ferramentas digitais disponíveis. A gestão remota ganhou um novo significado e mudou radicalmente o trabalho para o futuro.

A educação viverá a sua maior transformação. Aulas virtuais, remotas, ao vivo, gravadas, em grupo, isoladas mas (quase) sempre remotas. Professores, alunos e principalmente instituições de ensino se verão em uma realidade digital que mudará todo o modelo de educação usado durante dois séculos.

A adoção de ferramentas digitais para trabalho e aprendizagem mostra que a transformação digital já aconteceu mesmo naqueles segmentos que ainda não a achavam relevante para o seu negócio.

4. Conectividade & Infotech

Na mesma velocidade que se busca a vacina e a cura para o vírus, produzem-se soluções inovadoras de conexão. A 4ª Revolução Industrial está acontecendo neste momento, mudando as dinâmicas dos negócios, das cadeias de valor, da gestão do conhecimento, da formação e educação de pessoas.

Segundo o estudo da Inova, a infotech (revolução tecnológica) representa o crescimento exponencial do poder computacional a serviço das pessoas e dos negócios. Esta tendência ganhará uma nova força nesta década.  A Inteligência Artificial equiparará a Inteligência Emocional e a busca da singularidade (fusão homem-máquina) dará um novo significado ao termo humano versus digital.

5. Humanismo & Solidariedade

O isolamento trouxe à tona um maior humanismo e solidariedade com o próximo, surgindo daí iniciativas de apoio e compartilhamento, tanto de pessoas quanto de empresas, para apoiar grupos de risco, distribuir medicamentos, máscaras ou alimentos, de tentar ajudar os sem abrigo ou as comunidades mais desfavorecidas.

Assim, um dos legados da pandemia será a maior consciência e preocupação com o outro.

6. Família em 1º

Por conta do isolamento social, as pessoas estão mais próximas de familiares, amigos e colegas, mesmo que pelo meio digital. Neste momento, o sentimento de prioridade do ser humano ganhou outra dinâmica e relevância.

De acordo com a Inova Consulting, talvez o conceito de família (com o que isso significa para cada um) esteja de volta com mais força ao cenário global, em detrimento de performance, carreira e resultados a qualquer custo.

7. Novos Modelos Econômicos

A pandemia acelerou uma a discussão que já vem sendo feita sobre a dependência industrial de um país ou de um grupo de empresas. Os modelos econômicos e políticos adotados até hoje dificilmente se sustentarão no futuro próximo, por conta de vários motivos: uso de novas soluções tecnológicas, como Blockchain, Inteligência Artificial e cibersegurança, entre outras; novas prioridades universais;  ressurgimento de valores mais patrióticos e maior transparência e cobrança sobre líderes e governantes.

8. Novos Hubs Globais

Nos últimos anos, diversos estudos mostram a mudança de poder global dos blocos tradicionais, como Estados Unidos e Europa, para os emergentes, como China e Índia.

Apesar da China continuar tendo papel ativo e dominante no mundo, novos hubs devem surgir e se destacar nas mais diferentes áreas, como saúde e medicina, tecnologia, produção industrial, educação, nanotecnologia ou biotecnologia.

Em 2018 a Inova Consulting, no seu relatório “Whats Next”, já enumerava os blocos dominantes no futuro, como os MINT (México, Indonésia, Nigéria e Turquia) e os SICK (Síria, Índia, Coreias Unificadas). Israel, Norte da Europa, algumas cidades na América Latina e da África terão papéis importantes.

9. GloCalização

Pequenos empreendedores, microempresários e iniciativas locais devem ganhar força, descentralizando o poder das grandes multinacionais.

A GloCalização reforça o seu viés, seja pelas eventuais dificuldades de acesso e logísticas às marcas globais, seja pela genuína preocupação e vontade de ajudar os pequenos negócios.

10. Novos Modelos de Negócio

Na avaliação da Inova Consulting, um novo modelo de gestão e de novos negócios surgem neste cenário de transformação. Não é possível definir quais neste momento, mas a consultoria visualiza os segmentos que devem crescer e os que devem cair.

Potenciais Perdedores: turismo e lazer, viagens, automotivo, manufatura não essencial, construção, negócios imobiliários, varejo físico, educação, combustíveis, petróleo.

Potenciais Ganhadores: agricultura, saúde e medicina, e-commerce & negócios digitais, educação à distância, indústria 4.0, pequeno comércio (tradicional), bem estar e qualidade de vida, entretenimento digital, logística (supply & transportes), energia.

Novos rumos

Em entrevista ao Portal de Notícias GS1 Brasil, o CEO da Inova Consulting, Luis Rasquilha, e o CEO da Inova Business School, Marcelo Veras, comentaram os principais pontos do estudo.

marcelo veras e luis rasquilha da inova

Marcelo Veras e Luis Rasquilha, da Inova – Foto: Arquivo GS1

Segundo Rasquilha, no pós-Covid-19, essas 10 tendências se agrupam em três grandes clusters: tecnológico, humanização e novos modelos econômicos e empresariais.

“O primeiro cluster é o tecnológico, que cruza conectividade, redes sociais e disponibilidade da tecnologia a serviço das pessoas. Do dia para noite, a transformação digital foi imposta a todos.  Mas as pessoas começam a entender que é possível tocar a vida de forma remota e isso vai impactar, por exemplo, no custo de metro quadrado dos escritórios, talvez as pessoas queiram mudar para a periferia das cidades ou interior porque não precisam estar na empresa fisicamente. Ou seja, é um conjunto de impactos que vão além de usar as ferramentas para trabalhar em casa”, disse Rasquilha

O segundo cluster refere-se à humanização e solidariedade, a maior preocupação com família e pessos próximas, mas também maior apoio ao comerciante local em detrimento de grandes corporações. “Essa visão mais humana, essa preocupação genuína com o outro estava adormecida nos últimos anos e agora voltou. Isso traz a importância do ser humano em um mundo totalmente tecnológico e conectado. Apesar do crescimento da Inteligência Artificial, a Inteligência Emocional ganha novo alento”, ressaltou o CEO da Inova Consulting.

O terceiro cluster revela uma mudança na matriz econômica e empresarial do mundo, afinal, de repente, negócios consolidados passaram a enfrentar uma crise gravíssima. “Outro ponto é tentar reduzir a dependência da produção na China, pois um problema que ocorre lá, afeta o mundo todo. Com isso, novos hubs podem surgir”, disse Rasquilha.

Na avaliação de Marcelo Veras, a pandemia trouxe mudanças em três áreas – educação, saúde e relações e formato de trabalho – que representam uma verdadeira “virada de página”.

“Educação e saúde são setores muito regulamentados e com paradigmas muito fortes. Mas nessa correria da pandemia, aderiram à tecnologia e não devem voltar mais ao que era antes. A educação e a saúde a distância vieram para ficar”, acredita Veras.

Em relação ao trabalho, a lógica é semelhante: reunião presenciais e viagens de negócios, por exemplo, devem ser reduzidas ou até mesmo extintas. “A pandemia trouxe a dimensão de que é possível sim trabalhar de casa, no caso de atividades administrativas. Quem adotava home office deve aumentar, que não adotava vai implementar pelo menos algumas vezes por semana, porque é bom para todos. Isso muda também a relação de confiança entre gestores e liderados, que devem confiar uns nos outros para o trabalho fluir à distância. Líderes que não tem esse modelo mental de confiança na equipe, de integrar e engajar o time, se não morreram agora na crise, devem perder seus tronos”, disse Veras.

Quer saber mais sobre essas 10 tendências emergentes?

No dia 5 de maio,  Marcelo Veras e Luis Rasquilha participarão de uma live na página do Facebook da GS1 Brasil sobre o tema.

A CEO da GS1 Brasil, Virginia Vaamonde, também participará do bate papo, compartilhando toda a experiência que a GS1 tem em sua atuação global, já que ela é integrante de comitês estratégicos internacionais e tem acompanhado o movimento de diversos países.

Cliquei aqui para acessar a live.

Foto: Getty Images

 

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