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7 orientações para retomada consciente ao trabalho

Aos poucos, as medidas de isolamento social estão sendo flexibilizadas nos municípios brasileiros e o que as empresas esperam é uma retomada consciente, com o menor risco possível para os colaboradores.

“Praticar essas medidas é importantíssimo neste momento de retomada. Só assim será possível garantir que o País não tenha um novo aumento no número de casos. Países que afrouxaram o isolamento sem os devidos cuidados tiveram de retroceder”, adverte o infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC), Dr. Ivan França.

“Estamos um período de transição e não de ‘acabou a pandemia’. Por isso, tudo deve ser feito de forma criteriosa”, reforça o infectologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. João Pratz.

Nesse sentido, o Portal de Notícias da GS1 Brasil preparou 7 dicas para esta retomada, com a orientações de médicos especialistas nesta transição. Acompanhe:

1. Rodízio de colaboradores

Dependendo da realidade e tamanho da empresa, talvez não seja prudente alocar toda a equipe novamente na rotina normal de trabalho, especialmente se há funcionários dentro do grupo de risco, como portadores de doenças do coração, fumantes, diabéticos, além de idosos.

Assim, o que muitos negócios estão adotando é o rodízio de colaboradores. “Não é adequado abrigar diversos funcionários no mesmo ambiente, especialmente se a área não tiver ventilação”, alerta Dr. França.

De acordo com o Dr. Pratz, uma alternativa é o desenvolvimento de pequenos grupos de trabalho que não interajam entre si.

“Cria-se dois grupos com 10 pessoas, por exemplo, sendo que um trabalha presencialmente às segundas, quartas e sextas; e, o outro, às terças e quintas. Esse rodízio de pequenos grupos minimiza os riscos de contágio. E caso alguma das pessoas seja infectada, um grupo menor terá de ser afastado”, ensina, salientando que é fundamental higienizar toda a área entre as trocas de grupos.

2. Circulação de ar

Se a empresa tem ar-condicionado, é fundamental que o equipamento funcione com sistema de exaustão.

“Os modelos de ar-condicionado mais populares (do tipo split), não renovam o ar e, portanto, não são recomendados. Nesse caso, o melhor é desligá-los e manter as janelas abertas”, ensina o Dr. França, lembrando que o vírus da Covid-19 está na secreção das pessoas.

“Ao falar, além das gotículas grandes, são produzidos os aerossóis que ficam em suspensão no ar. Assim, em um ambiente fechado, essas partículas podem circular por muito tempo. Daí importância da ventilação do ambiente”, acrescenta.

3. Distanciamento entre colaboradores

A recomendação é a de que os colaboradores fiquem de 1,5 m a 2 m de distância em todos os lados.

“Por isso, deve-se repensar o número de pessoas no mesmo ambiente para que isso seja possível”, lembra o infectologista do HAOC.

Um distanciamento de 1 m, em média, também deve ser praticado nos elevadores. O ideal é fazer marcações para que o colaborador visualize o local mais seguro.

4. Álcool e máscaras

O álcool em gel deve ser disponibilizado pelas empresas, logo na entrada (antes do elevador quando for o caso).

Já as máscaras devem ser trocadas a cada quatro horas. “Pessoas que trabalha falando, provavelmente, precisarão trocar mais vezes. Quando a máscara fica úmida, ela perde a efetividade”, adverte o Dr. França.

“É importante, ainda, garantir que uma equipe de limpeza mantenha maçanetas, telefones e outros equipamentos de contato higienizados todos os dias ou a cada fim de jornada”, recomenda a também infectologista da BP, Dra. Lina Paola.

5. Trajeto ao trabalho

São muitos os colaboradores que precisam usar o transporte público para checar ao local de trabalho.

“Elas precisam usar máscara durante todo o percurso e passar álcool antes de entrar no transporte público e depois que descerem”,  ensina o Dr. França.

“Para evitar aglomerações, a empresa pode estabelecer horários alternativos de trabalho, a fim de que se evite o horário de pico e home office, sempre que possível. Ou, se possível, usar o carro próprio ou transportes via aplicativo”, sugere a Dra. Lina.

6. Temperatura dos colaboradores

São muitas as empresas que têm aferido a temperatura de colaboradores ou clientes antes que entrem no estabelecimento.

No entanto, não existe nada comprovado que esta é uma medida efetiva. “Aquela pessoa pode estar com febre, mas ter tomado um antitérmico antes de sair. Além disso, os termômetros infravermelhos, mesmo de boa qualidade, não são fidedignos, pois sofrem pela influência do ambiente”, esclarece o Dr. França.

7. Comunicação efetiva

Para que todo esse fluxo de segurança surta os resultados esperados, é fundamental que a empresa tenha uma comunicação efetiva com seus colaboradores.

“É importante que a empresa tenha um regulamento e garanta que todos estejam cientes. As pessoas precisam ser muito bem orientadas sobre os sintomas da doença e a não irem ao  trabalho se tiverem sintomas respiratórios, por exemplo”, exemplifica o Dr. Pratz. Os sintomas de alerta são coriza, dor de cabeça, mal estar, febre e dor de garganta.

A Dra. Lina lembra que o papel da empresa é alertar para que seus colaboradores não levem a doença para o outro. Afinal, é imprevisível saber quem terá uma evolução ruim.

“A educação precisa ser permanente para que sejam reduzidos os números de casos. Causar um surto numa empresa significa um prejuízo econômico, social e de saúde pública”, finaliza.

Fotos: Getty Images

83% das PMEs latinoamericanas foram impactadas pela Covid-19

 

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