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Como aliar Indústria 4.0 à economia circular?

Diante da escassez de recursos naturais, como aliar as demandas da transformação digital às práticas da economia circular, diminuindo os desperdícios e gerando bons impactos na sociedade e no meio ambiente?  A questão foi colocada em pauta no IX Simpósio Internacional de Excelência em Produção: A Indústria 4.0 rumo à Economia Circular, realizado no dia 11 de setembro de 2019 pela Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha (VDI-Brasil), em parceria com a GS1 Brasil.

Profissionais de empresas com atuação relevante no mercado nacional participaram do encontro – realizado na sede da GS1 Brasil, na capital paulista – , que apresentou tendências e discutiu os caminhos que a Indústria 4.0 necessita percorrer para chegar à economia circular.

O evento teve uma programação ampla, com abertura do presidente da VDI-Brasil e sócio-diretor da MHMURA Assessoria Empresarial, Maurício Muramoto. “Essa é uma excelente oportunidade para debatermos a economia circular, um tema não muito difundido, mas de extrema importância nos dias de hoje”, afirmou.

mauricio muramoto presidente da vdi

Mauricio Muramoto, presidente da VDI-Brasil

O diretor da tecnologia da GS1 Brasil, Roberto Matsubayashi, mostrou que os padrões globais GS1 podem identificar, capturar e compartilhar dados dos produtos, servindo de base para as novas soluções digitais, como Internet das Coisas (IoT), e também podem ser aproveitados para os processos de economia circular. “O grande objetivo da GS1 é gerar o menor risco possível e reaproveitar tudo o que for consumido como nova matéria-prima”, disse.

roberto matsubayashi da gs1 no simposito vdi 2019

Roberto Matsubayashi, diretor de tecnologia da GS1 Brasil

Já o vice-presidente da VDI-Brasil, José Frias Borges Junior, que também é diretor de estratégia, inteligência de mercado e business excellence da Siemens no Brasil, destacou a importância de se promover eventos como esse. “Escolhemos a dedo os temas mais importantes para a engenharia no Brasil, sempre com uma leitura da Alemanha”.

Até porque, no início de 2020 será publicada na Alemanha, e posteriormente no Brasil, a diretriz VDI 4000, documento que oferece recomendações e critérios transparentes e técnicos  sobre como as organizações podem trabalhar em sua própria qualificação de Indústria 4.0, conforme explicou o vice-presidente da VDI Brasil e gerente sênior de desenvolvimento de rede veículos comerciais e treinamento da Mercedes-Benz do Brasil, André Wulfhorst.  “O grande diferencial da Indústria 4.0 é a velocidade com que as coisas são feitas. É preciso capacidade e produção em tempo real. É justamente a conexão entre elementos tecnológicos, como também organizacionais, que torna possível a agilidade”.

Fundada há 160 anos, a VDI é a uma associação técnico-científica da Alemanha que impulsiona novas tecnologias e soluções técnicas. Com mais de 155 mil associados, contribui com seu conhecimento técnico para a sociedade como porta-voz de engenheiros. A VDI tem mais de 2 mil diretrizes em vigor que definem boas práticas na indústria alemã.

Novas práticas em discussão

O simpósio contou com um painel para discutir produção eficiente e logística inteligente. O vice-presidente da VDI-Brasil e diretor da Brtooling ABC, Christian Dihlmann, foi moderador do debate, que teve como convidados: Patricia Cavalheri, da Basf; Odarci Roque, dos Correios; Murilo Morais, da Siemens; e Gustavo Santos, da Voss Automotive.

Além disso, os participantes puderam conferir a  palestra do diretor de inovação da Flex, Carlos Ohde, que contou sobre a experiência prática da companhia para implementação de economia circular no Brasil. Ohde é uma das referências no tema, inclusive, é autor e organizador do livro “Economia Circular” (Netpress Books), que conta com um capítulo escrito por Roberto Matsubayashi, da GS1 Brasil.

Tecnologias digitais para viabilizar processos circulares foi o tema apresentado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) e do Insper, Vinicius Picanço. Segundo ele, é preciso entender os novos os paradigmas de produção e de consumo, os desafios que eles trazem para, a partir daí, definir as tecnologias mais adequadas. Além disso, toda a cadeia deve estar envolvida com a economia circular.

Para encerrar o evento, os participantes fizeram uma visita ao Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), da G1 Brasil, que demonstra soluções de automação para toda cadeia de abastecimento.

O simpósio contou com o patrocínio da Siemens, Lanxess, Leadec, Mercedes-Benz, Sabó e VTech.

 

Fotos: Divulgação

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