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Conexão Tech mostrou os foguetes do e-commerce que decolaram

A crise causada pelo coronavírus provocou uma mudança de hábitos repentina nos consumidores, que, diante das restrições de circulação, recorreram ao e-commerce para suprir suas necessidades.  Com isso, as vendas online, que já estavam em crescimento nos últimos anos, decolaram de vez em 2020.

Diante da relevância que o comércio eletrônico ganhou no mercado, a GS1 Brasil promoveu, no dia 1˚ de dezembro, a quinta edição do Conexão Tech com o tema “E-commerce, os foguetes que decolaram”. O evento, que tem formato online e gratuito, teve o patrocínio da Zebra Technologies e da NDD, além do apoio da Korde e da Vércer. A realização do Conexão Tech contou com os parceiros da DFreire Comunicação e Negócios, Agência Beato e Totalinks.

O encontro destacou as boas práticas do comércio eletrônico e os caminhos para ter sucesso nas vendas digitais. Além disso, abordou como a transformação digital foi acelerada pela pandemia pela Covid-19 e se tornou uma tendência ainda mais forte em todo o mundo.

conexao tech sobre tema ecommerce

Mediado pela jornalista e CEO da DFreire Comunicação e Negócios, Débora Freire, o debate contou com a participação do diretor de e-commerce da L’Oréal, Daniel Storch; do sales manager da Zebra, Rodrigo Serafim; do diretor comercial da NDD, Alceu Keller; e do diretor de e-commerce, transformação digital e segurança da informação do Tenda Atacado, Daniel Nepomuceno. O público também interagiu, enviando comentários e perguntas aos convidados.

Acompanhe, a seguir, os principais momentos deste bate-papo.

L’Oréal: categoria de beleza ganha protagonismo no e-commerce

Décadas atrás, quando as primeiras lojas virtuais surgiram no mercado, elas vendiam basicamente livros e CDs. Com o passar do tempo, as grandes estrelas de vendas passaram ser os eletrônicos e eletrodomésticos. E conforme o consumidor foi adquirindo mais segurança e confiança neste canal de vendas, começou explorar novas categorias.

“Na Black Friday, a categoria de beleza ganhou protagonismo, mostrando que o consumidor passa a buscar novos itens no e-commerce”, contou o diretor de e-commerce da L’Oréal, Daniel Storch, reforçando a importância da proximidade da indústria com o consumidor final.

daniel storch diretor de ecommerce da loreal

Daniel Storch, da L’oréal

“Essa proximidade gera muito valor para toda a cadeia, com mais dados e produtos assertivos. Existe uma necessidade de todo o mercado de trocar mais dados para se poder acelerar o e-commerce”, destacou.

Além disso, ele reforçou a maturidade que as vendas no canal eletrônico ganharam no Brasil, com destaque para a eficiência logística. “Neste ano, vimos pessoas receberem suas compras no dia seguinte, mostrando uma evolução do canal”.

Nesse sentido, há espaço para todos no e-commerce. Para as pequenas empresas, por exemplo, a dica de Storch é apostar nos marketplaces, modelo que ganhou força no mercado brasileiro. “Mais da metade das vendas do e-commerce vem desses canais”, afirmou Daniel Storch.

É preciso também gerar valor, promovendo uma experiência de compras. “Existe uma matriz simples: ou o consumidor se rende a quem vende mais barato ou a quem entrega uma boa experiência. E o preço muito baixo, em geral, não é positivo nem para a indústria, nem para o varejo”, advertiu.

Para Storch, apesar do crescimento expressivo do e-commerce no Brasil, ainda existe potencial nesse canal, especialmente quando se compara os números com os de outros países.

“Antes da pandemia, o comércio eletrônico representava entre de 3% a 5% das vendas do varejo. Nos Estados Unidos, esse número fica entre 10% a 11%. No pico da pandemia, o Brasil chegou a ter uma participação de 10% no e-commerce, mas ainda há muito a crescer. Na China, por exemplo, metade do varejo acontece de forma virtual”, afirmou.

Tenda Atacado: venda online de alimentos cresce na Black Friday

Com a pandemia, a compra de alimentos e produtos básicos, antes feita quase exclusivamente em lojas físicas, teve uma migração importante para o e-commerce.  Exemplo disso, foi o sucesso da Black Friday 2020 para o Tenda Atacado, rede de autosserviço com quase 40 lojas no estado de São Paulo, mas que investe cada vez mais no canal digital.

daniel nepomuceno diretor de ecommerce do tenda atacado

Daniel Nepomuceno, do Tenda Atacado

“O varejo alimentar tem algumas complicações, já que trabalhamos com itens perecíveis. Mas muito do que desenvolvemos, fez que com atravessássemos a Black Friday com tranquilidade, com crescimento do faturamento de 80%, muito superior ao que foi atingido no ano passado”, contou o diretor de e-commerce, transformação digital e segurança da informação da empresa, Daniel Nepomuceno. Segundo ele, o consumidor se rendeu, inclusive, à compra online de itens que antes tinha receio, como Frutas, Verduras e Legumes (FLV).

O executivo disse que o canal digital é o que mais cresce no Tenda. “No varejo em geral, as vendas online eram inferiores a 1% e cresceram mais de 100%, de 2019 a 2020. No Tenda, essa alta se deu acima da média de mercado: mais do que dobramos os resultados com e-commerce. Para isso, criamos algumas estratégias, como, por exemplo, limitar a quantidade de pedidos agendados por dia”, afirmou.

Isso porque a venda de alimentos envolve uma operação complexa. Uma das grandes dificuldades do varejo alimentar é o controle dos estoques de forma simultânea, entre as compras que ocorrem on-line e na loja física.

“O grande desafio é entregar tudo o que o cliente comprou no e-commerce já que, simultaneamente, há um consumidor na loja física disputando o mesmo produto na gôndola. Fornecedores com soluções em nuvem ajudam bastante nesse sentido e a separação deve ser feita muito rapidamente. A agilidade é fundamental, porque a ruptura é a pior experiência no varejo. E quando você compra e não recebe a experiência é pior ainda”, destacou Daniel Nepomuceno.

Outro ponto importante para o bom desenvolvimento dos negócios é a parceria cada vez mais sólida e transparente entre indústria e varejo. “Ainda existe um certo melindre em compartilhar dados, mas toda a cadeia pode ser beneficiada. Com dados em mãos, a indústria consegue saber como está a sua performance comparada com outros players e pode apontar onde estão os gaps e oportunidades”, disse o executivo, salientando que o Tenda fornece dados em real time, com metas e ações conjuntas.

NDD: apoio para o e-commerce na área fiscal

Atuando como um apoio para o e-commerce, a NDD – empresa de Lages (SC) que oferece soluções para gestão de documentos fiscais eletrônicos – também comprovou os resultados positivos do canal digital, com destaque para a Black Friday deste ano.

“Na semana da Black Friday, processamos 5 milhões de documentos e no dia foram mais de 50 milhões de documentos processados. Observamos, ainda, na nossa base de clientes, um crescimento de 21% no volume de documentos no e-commerce”, comentou o diretor comercial da NDD, Alceu Keller, durante o Conexão Tech.

alceu keller diretor comercial da ndd

Alceu Keller, da NDD

As demandas fiscais e tributárias no Brasil são bastante complexas para as empresas, o que requer, na maioria dos casos, a ajuda de um fornecedor especializado. “Nós, da NDD, por exemplo, entregamos uma solução monitorada e, inclusive, de maneira preditiva. Quando o varejista consegue eliminar essa preocupação, tem a capacidade de focar no seu negócio”, disse.

Keller lembrou que, embora esteja ocorrendo a tramitação de uma reforma tributária simplificada, ainda há um longo processo até que ela seja aprovada. “Além disso, a passagem de um modelo para o outro tende a trazer ainda mais complexidade”, afirmou.

Outro ponto importante que o executivo ressaltou foi a crescente necessidade de integração de processos entre indústria e varejo. “Isso faz com que exista a necessidade de uma solução sistêmica com documentos rápidos e auditáveis, corretos do ponto de vista tributário, e que consiga emitir os documentos. No varejo físico, a compra acaba quando o cliente leva a mercadoria. No e-commerce, a complexidade se estende, porque há processos que precisam ser automatizados”, explicou.

A boa notícia é que o varejo já mudou o mindset para as novas necessidades digitais, que exigem rapidez e precisão dos processos fiscais. “Antigamente, tínhamos dificuldades em mostrar nos benefícios de se trabalhar na nuvem. Mas isso evoluiu bastante. Sem dúvida, as empresas estão mais abertas. Temos soluções que nasceram em nuvem e outras que se converteram. Quando todas as informações estão numa mesma base, é possível ter alicerces para tomar decisões em tempo real”, afirmou o executivo da NDD.

Zebra: e-commerce demanda integração omnichannel

Durante o debate da quinta edição do Conexão Tech, o sales manager da Zebra, Rodrigo Serafim, destacou o fato de que, por muito tempo, o e-commerce foi visto apenas como mais uma opção para adquirir produtos. Mas que, diante do cenário de pandemia, se tornou a única forma de comprar para muitas pessoas.

“Entendemos que algumas preocupações passaram a existir, como as medidas de segurança com a saúde das pessoas na loja física. A preocupação se estendeu também à forma de pagamento, já que, hoje, o consumidor quer ser o mais objetivo possível”, comentou.

rodrigo serafim sales manager da zebra

Rodrigo Serafim, da Zebra

Com essa mudança, atuar no modelo omnichannel tornou-se ainda mais relevante. “Os consumidores querem a integração total do e-commerce, comprando nos canais digitais e retirando na loja física. Essa é uma tendência que veio para ficar”, afirmou Rodrigo Serafim.

No entanto, há desafios a serem enfrentados. “O omnichannel exige um serviço de inteligência, até com estoque segregado para as novas demandas, como comprar numa loja e retirar na outra. Nesse sentido, pode-se até avaliar a possibilidade de ter um mini CD dentro da loja”, sugeriu.

Além disso, a integração dos canais demanda a criação de uma política de devolução, a chamada logística reversa. “Esse é um grande ‘calcanhar de Aquiles’ do setor”, ressaltou Rodrigo. Segundo ele, a 13ª Pesquisa Anual sobre o Panorama dos Consumidores da Zebra, detectou que 76% dos consumidores acham que as empresas não correspondem bem à logística reversa.

Para o executivo da Zebra, a tecnologia, além de estar envolvida no processo de compras, também deve ser incorporada cada vez mais nos meios de pagamento. “O PIX, por exemplo, é uma ferramenta poderosíssima em conciliação bancária com compensação rápida. No PIX, o QR Code garante, inclusive, mais segurança no pagamento”, completou.

Rodrigo finalizou dizendo que, apesar de toda a importância do universo digital, o olhar para o varejo físico deve continuar atento. “O varejo físico tem uma importância muito grande. Aliás, o consumidor prefere comprar de empresas que têm loja física. Portanto, não esqueça de garantir a experiência do cliente”.

Quer conferir mais detalhes sobre o tema? Assista ao vídeo do Conexão Tech – “E-commerce, os foguetes que decolaram”

Não perca a próxima edição do Conexão Tech, que será realizada no dia 15 de dezembro, com o tema “Empreendedorismo no DNA”.

Foto de abertura: Getty Imagens

Fotos: Divulgação GS1

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