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Conheça os polos de inovação espalhados pelo Brasil

Ideias inovadoras é o que não faltam nos centros de inovação baseados em universidades, parques tecnológicos e mantidos por grandes empresas. Esses espaços têm apresentado um crescimento importante nos últimos anos, ajudando a fortalecer o ecossistema de inovação e de negócios no Brasil.

Diante dessa relevância, a redação do Portal de Notícias GS1 Brasil listou os principais polos de inovação espalhados pelo País. Confira.

São Paulo – capital

avenida paulista na cidade de são paulo

Foto: iStock

Centro de negócios e agora também de tecnologia e inovação, a capital paulista abriga muitas empresas, coworkings, aceleradoras, etc.

Estudo realizado com 500 empresas mapeou os principais bairros que concentram as empresas inovadoras. O levantamento foi conduzido pela Revelo, plataforma de recrutamento e seleção que conecta profissionais e empresas, que desenvolveu um mapa de calor a partir da atividade de empresas cadastradas em sua plataforma. A intensidade da cor (verde menos intenso e vermelho mais intenso), reflete o nível de atividade dessas empresas na contratação de desenvolvedores.

As regiões da Avenida Paulista, Vila Olímpia, Itaim Bibi e Brooklin são destaque nesse ranking. Mas é o bairro de Pinheiros que se tornou um polo tecnológico da cidade, concentrando startups e empreendedores da área de tecnologia e inovação, por conta da localização, transporte público, segurança para os colaboradores, além de diversas opções de bares e restaurantes. Tanto que o Largo da Batata já vem sendo chamado de Potato Valley.

mapa de calor potato valley rsão paulo elaborado pelaevelo

Mapa de calor elaborado pela Revelo mostra os bairros da capital paulista que concentram mais empresas de tecnologia e inovação, com destaque para Pinheiros, Avenida Paulista, Vila Olímpia, Itaim Bibi e Brooklin

“Com o crescimento dos investimentos em venture capital [investimentos vindos de fundos especializados em startups], vimos o surgimento e a expansão de muitas empresas de tecnologia de alto crescimento. Essas empresas acabam focando em obter espaços para seus escritórios em uma localização acessível via transporte público e outras soluções de mobilidade, de modo a facilitar o acesso aos funcionários. Nesse sentido, Pinheiros é uma opção muito boa”, analisa o cofundador da Revelo, Lucas Mendes.

Um dos efeitos dessa rede que vem se formando é a migração de serviços de infraestrutura, como espaços de escritórios e coworkings, que são atraídos para a região pelo aumento da densidade de empresas.

A capital paulista abriga muitos locais mantidos por empresas e dedicados a promover a inovação, especialmente junto às startups, misturando um ambiente descolado, espaço de coworking e eventos. Conheça alguns deles:

Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), da GS1 Brasil

cit da gs1 brasil robo cleverson

Foto: Marcello Vitorino

A sede da GS1 Brasil também está localizada próximo ao Potato Valley e abriga o Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), um espaço onde são demonstradas tecnologias inovadoras para empresas de toda a cadeia de abastecimento. O CIT é aberto para visitação de profissionais e estudantes, basta fazer o agendamento.

Google for Startups Campus SP

Assim como Madri, Londres, Seul, Tóquio, Varsóvia e Tel Aviv, a cidade de São Paulo abriga um Google for Startup Campus, um espaço para startups em busca de oportunidades de aprendizado, conexões e participação em uma comunidade de empreendedores.

No local, o Google promove o Programa de Residência do Google for Startups, com  duração de seis meses e com suporte para startups em estágio de crescimento através de acesso a recursos, especialistas e parceiros globais do Google. O objetivo é ajudar no crescimento estratégico e mensurável dos negócios selecionados.

Além disso, o local tem espaço para coworking com acesso livre para todos os membros. Para se tornar um membro, é preciso fazer um cadastro prévio pelo site.

Cubo

É um hub de empreendedorismo tecnológico idealizado pelo Itaú Unibanco, em parceria com a Redpoint eventures, com a proposta de conectar empreendedores, grandes empresas, investidores e universidades para discutir sobre tecnologia, inovação, novos modelos de negócios. Criado em 2015, tem espaço para startups residentes e promove eventos diariamente. O Cubo promove regularmente o Cubo Day, evento que possibilita conhecer toda a dinâmica do espaço.

inovabra habitat

É o centro de inovação do Bradesco, que reúne empresas, startups, mentores e investidores para trabalhar de forma colaborativa. O foco são as startups que tenham soluções tecnológicas nas áreas de big data e algoritmos, Blockchain, Inteligência Artificial, IoT, open API, plataformas digitais e computação imersiva. É possível agendar visita individual ou em grupo para conhecer o espaço.

Estação Hack

O Facebook também tem projeto de apoio à inovação na Avenida Paulista. Oferece capacitação para empreendedores e para formar talentos em tecnologia, além de programa de aceleração de startups de alto impacto social.

Parque Tecnológico de São José dos Campos – PqTec

parque tecnologico de sao jose dos campos

Foto: Divulgação

O primeiro parque tecnológico de que se tem notícia, o Stanford Research Park, foi inaugurado em 1951, por iniciativa da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. A partir dos anos 1980, os parques tecnológicos começaram a surgir em todo o mundo. No Brasil, existem 94 iniciativas nesse modelo, segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

Um dele é o Parque Tecnológico de São José dos Campos (PqTec), criado em 2006 e institucionalizado em 2009, unindo universo acadêmico, iniciativa privada e governo, o modelo conhecido como tripla hélice.

O PqTec nasceu em uma região com tradição de tecnologia aeroespacial. Em uma área de 30.150 m2, abriga vários centros de pesquisa e tecnologia, incubadora, aceleradora, 60 laboratórios, quatro universidades e quatro centros empresariais, onde estão instaladas 68 empresas e instituições, além de 77 startups. De acordo com dados fornecidos pelo PqTec, até o final de 2018 o Parque comportou investimentos de R$ 2,7 bilhões.

Entre os residentes estão organizações como Embraer, Boeing, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Avibras, Atech e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O PqTec oferece também serviços para capacitação em gestão, oportunidades de networking com outras empresas, instituições de pesquisa e agentes financiadores. Outro  diferencial são os programas de acompanhamento de empresas nas áreas de empreendedorismo, serviços estratégicos, pesquisa, desenvolvimento e inovação.

No final de 2018 foi aprovado o primeiro empreendimento imobiliário privado na área do PqTec, que será chamado de Cidade Tecnológica. Em 308 mil m2, serão construídas residências, empresas de base tecnológica e de baixo impacto ambiental, estabelecimentos de serviços financeiros, de saúde, educacionais, de lazer, gastronomia e centros de pesquisa e desenvolvimento, com escolas de negócios e instituições acadêmicas. As obras começaram em 2019 e devem durar dois anos.

Porto Digital 

predio do porto digital em recife

Foto: Divulgação

O Porto Digital é um dos principais parques tecnológicos e ambientes de inovação do Brasil. Instalado no centro histórico do Recife (PE), atua com foco em produção de software, serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), economia criativa, prototipação com base em fabricação digital e internet das coisas (IoT).

Fundado em 2000, é referência nacional de uma ação coordenada entre governo, academia e empresas. Essa iniciativa propiciou o ambiente necessário para fazer com que o Porto Digital se transformasse em um dos principais ambientes de inovação do País e fosse eleito, por três vezes, o melhor parque tecnológico do Brasil nos anos de 2007, 2011 e 2015 pela Associação Nacional de Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

Atualmente, abriga mais de 300 empresas, organizações de fomento e órgãos de Governo. Esses empreendimentos geram um faturamento anual de mais de R$ 1,7 bilhão. O Porto Digital administra dezenas de projetos voltados à melhoria da competitividade do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação, economia criativa, além de promover ações de sustentabilidade e melhoria do bem-estar nas cidades e mobilidade urbana.

denysson messias da empresa inloco

Denysson Messias, da In Loco – Foto: Tato Rocha

Empresas de vários portes compõem o ecossistema do Porto Digital: de startups a multinacionais, como a Accenture. Outro exemplo é a In Loco, empresa de tecnologia de localização que entende a jornada do consumidor no mundo offline. A história da empresa começou nos corredores da Universidade Federal de Pernambuco. “Eu e meus sócios cursávamos Ciências da Computação quando decidimos construir uma empresa que trabalhasse a tecnologia de localização. Em pouco tempo, que começou como um projeto acadêmico, se tornou uma missão maior do que a estrutura da universidade poderia abrigar. Por isso, decidimos participar do processo de incubação do Porto Digital para tracionar o negócio. Lá, recebemos mentorias, além de um espaço de trabalho na área de coworking da incubadora”, conta o COO da In Loco, Denyson Messias.

O tempo passou, a empresa cresceu e consolidou sua atuação com novos escritórios no Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Mesmo assim, não deixou o Porto Digital. “Em 2017 alugamos o prédio que estamos hoje que fica no Recife Antigo. Não somos mais uma empresa encubada, mas decidimos estar perto do Porto Digital porque estar perto do ecossistema de inovação nos permite participar ativamente de uma troca de conhecimentos que julgamos bastante importante para fortalecer o polo de tecnologia de Recife e do Brasil”, afirmou Messias.

 Parque Tecnológico da UFRJ

parque tecnologico da ufrj

Foto: Divulgação

O Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é um ambiente de inovação que permite a interação entre a universidade e as empresas. Inaugurado em 2003, abriga cerca de 67 instituições, 15 centros de pesquisa de empresas de grande porte nacionais e multinacionais (como a GE e a L´Oréal), 10 pequenas e médias, além de 10 laboratórios da própria UFRJ e 32 startups. Conta, ainda, espaço de coworking, áreas para eventos e locais para projetos de empreendedorismo de alunos e docentes.

Eleito o Melhor Parque Tecnológico do Brasil em 2013 pela Anprotec, o local  também acompanha a gestão das pequenas e médias empresas instaladas e realiza atividades que estimulam o relacionamento entre as organizações residentes e demais públicos de interesse.

Nos últimos anos, o Parque Tecnológico da UFRJ vem investindo em duas frentes de trabalho: atração de novas empresas dos mais variados setores da economia e o transbordamento de suas atividades para além das fronteiras físicas.

Para tanto, firmou parcerias com outros ambientes de inovação nacionais e internacionais, como o Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Tecnopuc) e o Porto Digital, além do TusPark (Tsinghua University Science Park) da Universidade de Tsinghua, na China, que permitirá ao Parque ter uma base física permanente naquele país.

O Parque Tecnológico da UFRJ abre suas portas uma vez por mês para quem quiser conhecer o local.

Tecnopuc 

fachada da tecnopuc

Foto: Bruno todeschini/ASCOM PUCRS

Uma referência na região sul é o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc), que estimula a pesquisa e a inovação por meio da ação conjunta entre academia, instituições privadas e governo.

Empresas de diferentes portes, entidades e centros de pesquisa da PUCRS estão sediados nos dois espaços do Tecnopuc nas cidades de Porto Alegre e de Viamão. O parque conta também com um programa específico para ajudar o desenvolvimento de startups, dando suporte com assessoria e infraestrutura.

O Tecnopuc abriga mais de 150 organizações e tem atuação focada em quatro áreas: tecnologia da informação e comunicação; energia e meio ambiente; ciências da vida e indústria criativa.

A DBServer, empresa de base tecnológica que auxilia empresas em sua transformação digital, é uma das residentes. Com foco em inovação, além de tecnologias web e mobile, atua com novas tecnologias como Internet das Coisas (IoT), realidade aumentada e virtual e Inteligência Artificial. A empresa tem unidades em Porto Alegre e São Paulo e em 2018 faturou R$ 60 milhões.

eduardo peres da dbserver

Eduardo Peres, da DBServer – Foto: Divulgação

A empresa foi fundada há 26 e em 2004 aceitou o convite para instalar sua operação no Tecnopuc. “Percebemos uma grande oportunidade para atuar como protagonistas no desenvolvimento do parque tecnológico que se encontrava em seu estágio inicial de estruturação. Chegamos com uma equipe de 50 pessoas para ocupar um espaço de 200 m2 e hoje ocupamos mais de 2 mil m2 com uma equipe de mais de 500 colaboradores”, conta o sócio-diretor e líder da unidade de inovação da DBServer, Eduardo Peres.

Entre os principais benefícios de estar no Tecnopuc é a facilidade para atrair de talentos e também de fazer networking com outras empresas de base tecnológica e grupos de pesquisa da PUCRS. Essa proximidade viabilizou a realização de inúmeros projetos para a DBserver, inclusive com a Dell e a HP, que também estão no parque.

“Estar presente em um parque tecnológico é estar exposto a muitas oportunidades. Aprendemos nesses 15 anos de Tecnopuc que é responsabilidade de cada um tomar as iniciativas e se apresentar para o jogo”, resume Peres.

San Pedro Valley 

A capital mineira reúne empresas de base tecnológica com atuação significativa em todo o País: Rock Content, Hotmart, DeskMetrics, Max Milhas, Sympla, Samba Tech, Méliuz, entre outras. Foi numa brincadeira em 2011, que surgiu a comunidade San Pedro Valley, uma referência ao bairro de São Pedro, zona sul de Belo Horizonte, que passou a abrigar startups e profissionais no mesmo clima de inovação do Vale do Silício. Já são mais de 300 empresas de diferentes setores, além de espaços de coworking, aceleradoras e investidores instalados na região.

 

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