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Consumo de eletroeletrônicos tem expectativa de alta em 2020

Lentamente, a economia brasileira começa a se recuperar. O nível de desemprego diminui e a renda aumenta aos poucos, em um movimento que já é capaz de melhorar o consumo de bens duráveis, especificamente o de eletroeletrônicos, em 2020.

Esta é a análise da GfK, que mensura o consumo da categoria de eletroeletrônicos, composta por itens de telefonia, informática, linha branca (geladeira, fogão, etc.), eletrodomésticos (televisores, aparelhos de som, DVD, etc.), e eletroportáteis (secador de cabelo, batedeira, processador, balança de peso, etc.).

“Vemos um otimismo cauteloso em 2020. Em 2019, o segmento de eletroeletrônicos fechou com crescimento de 9% em relação a 2018, o que representou um faturamento de cerca de R$ 118 bilhões”, conta o diretor da GfK, Henrique R. Mascarenhas em entrevista ao Portal de Notícias GS1 Brasil.

Segundo ele, alguns fatores contribuem para a recuperação gradual do segmento de bens duráveis desde o segundo semestre de 2016, a exemplo da melhora nos índices de emprego e renda, ainda que em níveis baixos, mas com reflexo positivo nas vendas.

A liberação do saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em 2018 e 2019 também ajudou a incrementar a renda da população, impulsionando as compras nesse segmento.

Outro ponto foi a queda da taxa de juros, que favorece a compra com prazos de pagamentos mais longos, fundamental no caso de bens duráveis.

Tanto que na Black Friday de 2019, o grande destaque foram as vendas de produtos da linha branca e de televisores, ambas subcategorias registraram crescimento acima de 20%. Segundos dados da GfK, a demanda reprimida por esse tipo de produto vinha sendo observada desde 2014. Portanto, com um pouco mais de dinheiro no bolso, os consumidores aproveitaram para renovar a casa com esses aparelhos.

Projeções para 2020

henrique mascarenhas diretor da gfk

Henrique Mascarenhas, da GfK Foto: Divulgação

Nesse cenário, a expectativa para este ano é positiva. “Em 2020 esperamos um desempenho igual ou melhor que em 2019. A expectativa da GfK é que a categoria de eletroeletrônicos cresça de 8% a 13% em faturamento na comparação com 2019”, afirma Henrique.

Essa projeção considera um cenário em que emprego e renda continuem em elevação (mesmo sem certeza da liberação do FGTS novamente) e os juros se mantenham baixos. As reformas administrativa e tributária, que estão sendo encaminhadas pelo Congresso, ajudam a apostar em um panorama mais otimista.

Segundo o executivo, outro ponto capaz de destravar a economia em 2020 é a confiança do consumidor, que desde janeiro de 2014 está baixa. “Houve uma piora significativa em 2016. Às vésperas da saída da ex-presidente Dilma Roussef, foi um momento de grande pessimismo. Mas, de lá para cá, o otimismo vem se recuperando aos poucos entre todos os consumidores, tanto de baixa quanto de alta renda”, diz.

Categorias em destaque em 2020

A expectativa da GfK indica que itens da linha branca e televisores vão continuar em destaque em 2020, repetindo o sucesso na Black Friday de 2019. No caso de televisores, cresce a demanda por itens com tela acima de 50 polegadas, com smart TV e tecnologia 4K.

Em telefonia, a categoria de celulares – que representa 38% do faturamento da venda total de eletroeletrônicos – deve continuar em expansão, porém em ritmo menos acelerado.

“Os itens que devem ter crescimento são os celulares com nível de preço médio e alto, acima de R$ 1.100, e com telas maiores, a partir de 5.6 polegadas. Antes, o celular médio era considerado luxo, hoje é essencial pois as pessoas o utilizam para tudo – comunicação, estudo, pagamentos de todo tipo, entretenimento, etc. Até mesmo o consumidor de baixa renda quer um produto melhor especificado”, observa Henrique.

De acordo com a GfK, a categoria de portáteis deve apresentar expansão acima da média, enquanto a linha de informática, que teve recente alta de impostos, deve registrar crescimento mais tímido ou estabilidade em 2020.

Avanço do coronavírus é ponto de atenção

A evolução da epidemia causada pelo coronavírus pode afetar esse otimismo em várias áreas da economia, como já vem sendo observado. No segmento de bens duráveis não seria diferente. “Na China, há fábricas paradas, o que começa a afetar a vinda de componentes para o Brasil. Nem todas as peças que compõem celulares, televisores, microcomputadores e itens de linha branca, por exemplo, são fabricadas no mercado nacional, mas vem da China”, pondera Henrique.

Dessa forma, as previsões da GfK podem sofrer alguma alteração, dependendo do impacto do coronavírus. “Se a epidemia durar muito tempo, teremos falta de produtos no mercado”.

Insights

O diretor da GfK cita algumas tendências e insights para as empresas ficarem atentas em 2020. Confira.

  • Indústria e varejo têm o desafio de trabalhar com o mix correto de produtos em um cenário em que os hábitos de compra mudam rapidamente. “Entender como o consumidor está se comportando é vital para ter eficiência na cadeia de distribuição”, afirma Henrique.
  • Segundo a GfK, 50% dos consumidores são “figital”, ou seja, utilizam os canais físico e digital. O celular é protagonista nessa mudança, porque permite comparar preços online e depois negociar na loja física; ou comprar online e trocar na loja física, entre outras possibilidades. “É uma jornada mais complexa, mas o consumidor fica mais feliz. De qualquer modo, o varejo físico ainda é bastante relevante – representa dois terços das vendas – e não deve desaparecer”, analisa Henrique.
  • Cada vez mais o brasileiro deseja itens premium, com mais recursos, conectividade e, logo, maior preço. É a chamada ‘premiumnização’. Em televisores, a busca é por aparelhos acima de 50 polegadas e tecnologia 4K; no caso de celulares, telas acima de 5.6 polegadas, com câmera de boa qualidade e mais memória.
  • Na linha branca e portáteis, a procura por itens premium também é uma tendência. Mas, nesses dois casos, o consumidor quer bom custo-benefício – produto de qualidade com preço acessível.
  • A Black Friday é a data mais importante do varejo brasileiro na venda de eletroeletrônicos. O consumidor já se planeja para comprar esses itens com o melhor custo-benefício possível nessa época.

Foto: Getty Images

 

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