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Correios ampliam o uso de RFID na operação logística

Tecnologia com padrão global EPC/GS1 possibilita a rastreabilidade de objetos internacionais destinados ao Brasil.

Os Correios e a União Postal Universal (UPU), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os serviços postais, iniciaram a implantação da terceira etapa do projeto GMS (Global Monitoring System ou Sistema

Global de Monitoramento) para que todos os objetos internacionais destinados ao Brasil sejam identificados com etiquetas RFID e, assim, possam ser rastreados em todo o território nacional. A iniciativa conta com o apoio técnico da GS1 Brasil, uma vez que a tecnologia escolhida tem como base o padrão global EPC/RFID.

As tags RFID serão aplicadas nas encomendas e nos unitizadores, recipientes usados para acondicionamento e transporte das encomendas. Com as antenas RFID instaladas nas unidades operacionais consideradas estratégicas para os Correios neste projeto, será possível fazer a leitura das etiquetas inteligentes automaticamente, permitindo identificar, rastrear e gerenciar os itens de forma individual ou em lotes, dispensando o manuseio.

A expectativa é aperfeiçoar os processos, trazer segurança e aproveitar para munir o cliente com mais informações relativas ao rastreamento da encomenda. O Brasil, juntamente com Gibraltar, Japão e Cingapura, integra o grupo-piloto para testar o uso da RFID no rastreamento de encomendas e de unitizadores.

Eugenio Montenegro, vice-presidente de tecnologia da informação dos Correios
Foto: Divulgação

“Obviamente há outros países utilizando essa tecnologia. Entretanto, no âmbito da UPU, o projeto brasileiro é pioneiro e é a maior iniciativa mundial no uso da tecnologia RFID para rastreamento de encomendas”, afirma o vice-presidente de tecnologia da informação dos Correios, Eugenio Montenegro. Nos Correios, a iniciativa foi liderada pela equipe de Execução do Projeto RFID, tendo à frente o coordenador-executivo Ricardo Caron e o vice-coordenador-executivo Alberto Mello.

Evolução

A primeira fase do GMS permitiu registrar a entrada de amostras de cartas internacionais no Brasil, bem como o prazo que os itens eram retidos pela alfândega. Ela ocorreu em unidades dos Correios em São Paulo, mais precisamente na Capital e em Guarulhos. Posteriormente, na segunda fase, o sistema foi implementado em Pernambuco, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, além de Brasília. O objetivo dessas duas etapas foi qualificar o Brasil quanto ao prazo de entrega das cartas internacionais.

A terceira e atual fase do projeto consiste na instalação de antenas de radiofrequência em centros operacionais dos Correios. “O resultado obtido foi uma alta performance de qualidade de leitura, confirmando a viabilidade técnica de monitoramento exaustivo, e não somente amostral, de itens postais por meio da utilização da tecnologia de RFID. Em setembro de 2017, os testes foram repetidos com sucesso”, explica Montenegro.

Em 2018, os Correios continuam com os testes-piloto nos seus maiores centros operacionais do Estado de São Paulo. A partir de 2019, a empresa instalará leitores RFID em todas as unidades consideradas estratégicas para atender às metas estabelecidas. Estão previstos investimentos em equipamentos e adaptações de infraestrutura, que serão implantados até 2021. A expectativa é que, até lá, mais de 460 milhões de encomendas por ano sejam monitoradas pelo sistema RFID dos Correios.

Ricardo Melo, da GS1 Brasil Foto: Eliane Cunha

Padrão

A GS1 Brasil e os Correios já mantêm relacionamento há mais de dez anos. Para este projeto de RFID, as organizações começaram a trabalhar juntas em uma cooperação técnica para identificar as principais demandas na área de automação e definir os padrões mais adequados desde o primeiro semestre

de 2017. “É sabido que o padrão GS1 é adotado em nível mundial e já está tecnicamente consolidado, o que traz segurança para a decisão de adotá-lo no rastreamento dos objetos”, afirma o executivo dos Correios. Dessa forma, para monitorar as encomendas por meio da RFID, foi adotada a chave de identificação SSCC (Serial Shipping Container Code ou Código de Série de Unidade Logística). Com ela, permite-se que empresas que já trabalham com esse padrão GS1 possam postar suas encomendas nos Correios sem qualquer alteração em seus processos.

Além disso, o uso do padrão facilita a integração a outros parceiros e operadores logísticos. “Isso trará uma melhoria importante aos processos postais como um todo. As informações serão coletadas e tratadas em tempo real e com mais precisão no sistema dos Correios, ampliando a agilidade e a segurança dos dados”, destaca o executivo de negócios da GS1 Brasil, Ricardo Melo.

“Acreditamos que o projeto do RFID, quando implementado em sua plenitude, será um marco positivo para a elevação da qualidade operacional dos Correios, com impactos positivos para clientes e usuários”, conclui Montenegro.

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