Escreva para pesquisar

Covid-19: confira dados de consumo no Brasil e lições da China

O estudo Kantar Thermometer revela que a China é o País mais preocupado com a pandemia do novo Coronavírus; em segundo lugar está o Brasil. Por aqui, a maior preocupação do brasileiro está ligada aos impactos econômicos.

Diante do cenário de pandemia, com o isolamento social causado pela quarentena e a necessidade de se adaptar ao home office, as mudanças no comportamento da população são várias e atingem diferentes setores.

A terceira edição do levantamento da Kantar mostra crescimento das vendas de analgésicos, vitaminas (principalmente a vitamina C) e antigripais. As saídas para a rua são cada vez mais raras e só acontecem em casos de necessidade extrema, como ir ao supermercado, bancos, farmácias (78%). Passeios em shopping centers e parques deixaram de ser realidade para 71% enquanto outros 68% deixaram de frequentar bares e restaurantes. Em compensação, os pedidos de delivery cresceram 7%.

A cesta de bens de consumo massivo (FMCG) também apresenta crescimento, sobretudo nas categorias de alimentos saudáveis (frutas, verduras, legumes) e produtos de limpeza (água sanitária, álcool).

A ideia de estocar itens de necessidade básica impactou diretamente os setores de alimentos, higiene, limpeza e bebidas. Tanto que a penetração em atacarejos e hipermercados registrou alta de 35% e 18%, respectivamente. O estudo aponta que 15,3% dos consumidores optaram por comprar itens de cuidados pessoais por e-commerce das redes varejistas.

Os influenciadores digitais, também cumprindo quarentena, seguem como referência na hora da compra. Segundo a pesquisa, 80,6% dos consumidores buscam informações em blogs e mídias sociais, 83,3% por meio de opiniões de clientes e 82% nos sites das próprias lojas.

Lições da China

O surto de Covid-19 começou no dia 20 de janeiro na China, com a confirmação de transmissão de humano para humano. Em 23 de janeiro, a cidade de Wuhan entra em quarentena e, dois dias depois, o governo emite Alerta Máximo de Saúde Pública em 30 províncias. Já em 27 de janeiro, o Conselho de Estado anunciou prolongar o feriado do Festival da Primavera (Ano Chinês) até 2 de fevereiro.

Por conta desse cenário, a economia chinesa sofreu impactos profundos, especialmente no setor de alimentos, com a queda no consumo decorrente da alta dos preços. Outro setor que demonstrou uma queda acentuada foi o de bens de consumo. A categoria acumulou queda de 23% durante as semanas de confinamento do Ano Novo Chinês, demonstrando recuperação somente em março.

Por conta do novo cenário de isolamento social, os consumidores tendem a cortar os supérfluos (maquiagens, fragrâncias, bebidas alcoólicas) para abastecer as despensas de itens essenciais, como alimentos (massas e sopas instantâneas) e produtos de limpeza sabonete líquido para mãos, lenços umedecidos). O consumo também migrou para as compras online e para mercados menores, de bairro.

Para aliviar o estresse, também foi percebido um aumento no consumo de itens como sorvetes (+30%), snacks (+17%) e bebidas de auto preparo como cápsulas de café, chá, etc. (+7%). Outras categorias apresentaram incremento em função do isolamento social. Consultas online (+34%), ensino à distância (+33%) e softwares de trabalho remoto (+29%) são algumas delas.

O consumo de mídia também acompanhou o novo momento e registrou aumento nos downloads de apps para vídeos, notícias, e música online.

Como legado, a China deixa três perspectivas, segundo a Kantar:

Curto prazo: durante a crise – Concentrar-se nas linhas de produtos principais para garantir que elas estejam bem estocadas, aproveitar totalmente o varejo social e comunitário, transmitindo ao vivo para recuperar as vendas de lojas offline, adaptar-se de forma ágil às mudanças das condições do mercado na cadeia de suprimentos / merchandising / ativação comercial.

Médio prazo: recuperação da demanda – Comunicar com cuidado e positivamente o valor da marca e diferenças significativas, aproveitar a recuperação da demanda de produtos e serviços de beleza, e adaptar-se à estratégia comercial ao novo distanciamento social normal.

– Longo prazo: pronto para o futuro – Inovar ao explorar tendências saudáveis e de sustentabilidade, acelerar a transformação digital para garantir a demanda do consumidor com a implantação omnichannel, analisar o gerenciamento de marketing / faturamento para se preparar para a desaceleração econômica.

Insights para os negócios

A análise da Kantar traz algumas conclusões e reflexões para os negócios:

– Importância digital: marcas que não entendem como comercializar no mundo digital ficarão para trás;

– Novos comportamentos: as marcas precisam ter sistemas para mudar no ritmo em que os consumidores estão mudando;

– Liderança humana sem medo: marcas que assumem uma liderança de categoria centrada no ser humano, destemida e ousada serão notadas e valorizadas.

Foto: Getty Images

Tags