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Covid-19: consultoria mapeia ações para varejo manter operação

A Cosin Consulting, consultoria de negócios do Grupo DAN que já realizou projetos para 70% das maiores empresas brasileiras, realizou um estudo sobre o impacto da pandemia de Covid-19 no varejo brasileiro. A consultoria cruzou dados estatísticos globais, do Brasil e de países em fases mais adiantadas do avanço da doença: Itália, Espanha, Alemanha e Estados Unidos.

O estudo apontou que, dentro do varejo, as áreas mais atingidas foram turismo, artigos de luxo, moda, eletrônicos e móveis, enquanto o varejo alimentar e o farmacêutico experimentam um pico de demanda. Restaurantes, bares, serviços e combustíveis foram severamente impactados, mas têm a demanda por delivery e atividades domiciliares incrementadas também.

Em relação ao consumidor, já foi constatado um aumento expressivo da presença online, o “congelamento” de grande parte dos comércios físicos, disrupções na cadeia de suprimentos e intermitências em estoques (especialmente em segmentos que trabalham com pequenos lojistas como os marketplaces).

“As pessoas estão assustadas, querendo se proteger, e quando avaliamos o comportamento dos mercados e consumidores nos países atingidos vemos uma clara semelhança. Em linhas gerais, o consumidor tende a ficar mais isolado e com isso prioriza produtos de alimentação básica e de higiene, assim como opções de entretenimento, estudo, capacitação e trabalho online. Tende a postergar qualquer decisão de compra que envolva um ticket muito alto ou financiamento. Evita gastos que considera supérfluos, até pela incerteza do ambiente econômico futuro. Isso muda completamente o cenário de atuação dos varejistas que devem agir rápido para adaptar as principais áreas de sua empresa e manter o negócio vivo”, afirma Ricardo Kamaura, diretor executivo da Cosin Consulting e um dos responsáveis pelo estudo.

Adaptações nas operações das empresas

Para endereçar estas questões, além da criação de um comitê de crise com a participação da alta liderança, a Cosin Consulting propõe a realização de adequações urgentes em sete áreas principais dos varejistas: Financeiro, Operação das Lojas, Supply Chain, Comercial, Marketing, TI e Recursos Humanos.

Por exemplo, o RH, quase que do dia para noite, teve que desenhar políticas para proteção dos colaboradores e de como se dará o trabalho a distância, quando possível. Isso valeu também para colaboradores terceirizados e prestadores de serviços.

No Financeiro, a prioridade deve ser a gestão de caixa e a negociação de linhas de crédito sustentáveis. O omnichannel se impôs, passando a compor uma parte significativa do faturamento, mas ele deve ser reforçado para este momento de stress, o que inclui revisão, ou até investimentos, em sistemas de TI, infraestrutura de telecomunicações, mais equipe na expedição e emissão de notas, acordos emergenciais com fornecedores, transportadoras e até motoboys.

Essa mudança de enfoque (do físico para o digital), implica, por sua vez, mudanças no marketing e na comunicação. “O momento exige que as empresas, ao mesmo tempo, sejam transparentes em relação a suas condições de operação, mas também que demonstrem empatia dada a circunstâncias tão severas. Cresce também a importância da comunicação digital e dirigida a bases de clientes e contatos”, explica Kamaura.

Confira as principais providências por área.

Recursos Humanos

  • Ações de proteção a funcionários.
  • Estabelecer meios de trabalho remoto e cancelamento de treinamentos não-essenciais.
  • Elaborar alternativas para redução de cargas, como férias, licença não-remunerada.

Operação de loja

  • Manutenção do funcionamento das lojas, minimizando riscos de contágio.
  • Plano de fechamento temporário, realocações de quadros e horários de abertura.
  • Definição de lojas prioritárias para funcionamento.

Supply chain

  • Avaliação dos produtos críticos, inventários disponíveis e planos de distribuição.
  • Alinhamento com operações logísticas de fornecedores.
  • Novas roteirizações e priorizações de entregas.
  • Nova parametrização do abastecimento de lojas.

Comercial

  • Avaliação de novos padrões de demanda e categorias críticas.
  • Alinhamento de volumes de produtos críticos com fornecedores.
  • Definição de alternativas de produtos, simplificação do sortimento.

Marketing

  • Plano de comunicação interna e externa.
  • Revisão de calendário promocional.
  • Reavaliação dos investimentos em mídia.
  • Ações de CRM com conteúdo relevante para o cliente.

TI

  • Identificar sistemas críticos e contingências.
  • Garantir infraestrutura de operação e de acessos remotos.
  • Reforço na estrutura de e-commerce (capacidade, disponibilidade).
  • Postergação de projetos não críticos

Financeiro

  • Foco na gestão de caixa – preparação para momento de cobertura de despesas com impacto em receitas.
  • Avaliação de linhas de crédito emergenciais.

Foto: Getty Images

 

 

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