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DIA e AlfaCitrus discutem relação entre varejo e fornecedor

Nesta pandemia causada pela Covid-19, varejistas e fornecedores passaram a trabalhar com mais em sintonia para garantir o atendimento às demandas dos consumidores, colhendo experiências valiosas para os negócios e vislumbrando novas oportunidades.

Esta foi uma das conclusões da live realizada pela GS1 Brasil em sua página do Facebook, que promoveu um bate papo entre o presidente-executivo do DIA Brasil, Marcelo Maia, e o sócio-diretor da AlfaCitrus, Emilio Favero, no mês de abril. Com a mediação da head de desenvolvimento setorial e produtos da GS1 Brasil, Ana Paula Maniero, e muitas perguntas do público, os executivos falaram sobre o fortalecimento das relações entre fornecedores e varejistas, além de desafios e oportunidades neste momento.

“Um ponto positivo dessa crise foi a integração da cadeia de valor. Talvez tenha sido uma das primeiras crises em que vi os setores de varejo, agro e indústria trabalhando, de fato, na mesma sintonia. No final do dia, um problema de saúde pública é um problema de todos e, talvez, isso tenha influenciado muito nessa consciência dos três setores garantirem que a cadeia de abastecimento não fosse afetada”, afirmou Marcelo Maia.

O DIA é uma companhia de origem espanhola, com filiais em Portugal, Brasil e Argentina. A operação brasileira da rede de supermercados conta com 900 lojas nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Segundo Marcelo, a rede não parou a operação, por ser considerada atividade essencial, e não teve problemas de abastecimento. A empresa reforçou as medidas de higiene para preservar a saúde de funcionários e clientes, disponibilizando, por exemplo, álcool em gel nas lojas, instalação de acrílico nos caixas e opção de pagamento contactless. Nos centros de distribuição as atividades também seguem sem alterações.

A pandemia também não afetou a operação da AlfaCitrus, produtora de laranjas instalada no interior paulista há mais de 20 anos no mercado. “Laranja tem sido um item bastante procurado no varejo neste período”, contou Emilio.

“De forma geral, a resposta que o agro deu foi espetacular. O setor se empenhou para não afetar o abastecimento. Tivemos uma primeira semana pré-quarentena muito tensa, pois a demanda foi muito alta, mas o agro não deixou faltar produto no varejo”, comentou o executivo da AlfaCitrus, completando que a disponibilidade da fruta está normal nas várias regiões produtoras do País.

E-commerce e delivery vieram para ficar

Com a pandemia, as empresas precisaram, rapidamente, adequar as suas operações para novos formatos e canais. Delivery e comércio digital surgiram como as grandes apostas.

No caso da AlfaCitrus, que tem o varejo como principal canal de vendas, Emilio Favero contou que a empresa tenta aproveitar a alta demanda do delivery e do e-commerce, apostando na laranja embalada em pacotes, o que facilita, inclusive, a venda de varejistas que têm parcerias com apps como Rappi e Ifood. “Temos aí uma oportunidade muito grande e estamos fazendo isso com alguns parceiros.”

Nas lojas físicas, a laranja embalada em pacotes também registra nível de vendas maior que o produto a granel. “Isso tem a ver com a mudança de comportamento do consumidor, que precisa fazer uma compra mais rápida, sem escolher muito. A gente entende que produtos cítricos embalados, e até outros alimentos, sejam sim uma opção para fazer parte do delivery e e-commerce”, avaliou Emilio.

Ele ressalta outra vantagem da oferta de laranjas embaladas da AlfaCitrus: rastreabilidade e qualidade de origem garantida. “À medida que as pessoas consomem mais alimentos em casa, a preocupação em saber onde eles são produzidos, se é de forma sustentável e segura, com boas práticas de produção no campo e fabricação, será cada vez mais relevante”, disse.

No entanto, este é um trabalho que está apenas no começo no caso da venda de frutas, verduras e legumes (FLV) via e-commerce e delivery.  Emilio Favero acredita que é preciso aprimorar as embalagens e pensar em soluções como cestas de produtos para semana, com produtos da época, por exemplo. “É um esforço que temos de fazer em conjunto com toda a cadeia para adequar embalagens e verificar o que atende melhor ao novo consumidor”.

consumidor comprando alimentos e frutas pelo ecommerce

No Brasil, o DIA replica a experiência europeia com a Covid-19. “Nossa matriz é na Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia, onde ocorreu uma mudança de comportamento do consumidor e a explosão do comércio eletrônico. Lá o DIA está trabalhando muito forte o e-commerce o delivery. Aqui no Brasil não foi diferente e demos início, num curto espaço de tempo, à abertura de um canal digital que não tínhamos antes. Trabalhávamos apenas com lojas físicas”, contou Marcelo, acrescentando que em dez dias a empresa implementou a operação de delivery.

Com isso, segundo ele, o DIA teve um ganho econômico, porque conseguiu agregar novos consumidores à sua base, e também cumpriu o papel social de garantir o abastecimento da população.

Agora, a empresa começa a se planejar para a fase pós-Covid-19. Segundo Marcelo, o delivery veio para ficar e entrou para o hábito do consumidor, independentemente de faixa etária, classe social ou região.

“Não há mais barreiras em relação a utilização do delivery para a compra de alimentos. Vamos desenvolver cada vez mais o delivery, procurando usar de um ativo que já temos que é a capilaridade das nossas lojas. Nossa ideia é colocar todas as nossas lojas com operação de delivery. Tão logo o delivery esteja estabilizado, vamos trabalhar o comercio eletrônico com o mesmo conceito, fazendo a entrega ao consumidor final a partir da loja que estiver mais próximo dele. Temos grande potencial e vamos desenvolver esses dois canais com bastante afinco”, disse o presidente-executivo do DIA Brasil.

Como desenvolver parcerias na pandemia?

Na live da GS1 Brasil, os executivos também comentaram como fornecedores e varejistas podem estabelecer novas parcerias neste momento.

De acordo com Marcelo Maia, o DIA está sempre aberto para oportunidades com novos fornecedores e mercadorias. “Nesta pandemia essa possibilidade aumenta ainda mais, porque o consumidor acaba se adaptando ao momento e precisamos ter no nosso sortimento produtos diferenciados”. Ele contou que no caso do DIA, que tem presença forte no formato de loja de vizinhança, as pessoas passaram a procurar uma cesta maior de produtos, indicando que neste momento o consumidor tem priorizado o aspecto da proximidade das lojas, evitando grandes deslocamentos para fazer suas compras.

“Outro ponto é nosso foco em marca própria. Temos desenvolvido vários produtos de marca própria, o que abre as portas para novos fornecedores e parceiros”, disse Marcelo, completando que a empresa trabalha inclusive com fornecedores de micro e pequeno portes.

Legados da pandemia

Na opinião de Emilio, da AlfaCitrus, um dos legados que a pandemia deve deixar é a volta de hábitos mais caseiros. “As pessoas estão retomando o hábito de preparar a comida em casa e fazer a refeição em família. Com isso, a gente espera que FLV passe a ser mais relevante por uma questão de buscar uma vida mais saudável, alimentos que possam ajudar na imunização ou a ter uma saúde melhor para enfrentar esse tipo de situação”, afirmou o diretor da AlfaCitrus.

“Concordo com o Emilio, é uma cultura que veio para ficar, não é apenas uma reação ao que estamos passando. A alimentação mais saudável e voltada para incrementar a imunidade já era uma tendência, mas essa pandemia acelerou isso, priorizando a alimentação em casa e maior convívio familiar”, disse Marcelo, do DIA.

Novo normal nas empresas

E como será o novo normal depois da pandemia? Na opinião de Marcelo, os hábitos criados na pandemia vão permanecer, a exemplo do home office, adotado pelo DIA, além cuidados com a saúde dos funcionários e clientes nas lojas e centros de distribuição. “O grande legado que vamos levar é o advento da omnicanalidade no varejo alimentar. Para nós, é muito claro a necessidade de fazer o comércio digital integrado às lojas físicas, que passa a ser também um ponto de distribuição dos produtos adquiridos digitalmente pelo consumidor final”.

Para a AlfaCitrus, que já possui certificações em boas práticas de produção e segurança alimentar, os novos procedimentos de segurança e higiene para o trabalhador necessários na pandemia, por exemplo, devem ser adotados permanentemente. “Além disso, espero que o setor de FLV aproveite mais o digital. O varejo tem o poder de puxar e engajar os produtos de FLV no digital e aproveitar essa onda, oferecendo alimentos de qualidade, embalados e rastreados para chegar com segurança ao consumidor final”.

Para facilitar a conexão entre produtor e varejo, simplificando as operações, a AlfaCitrus vem adotando código de barras padrão GS1 nas suas embalagens. “Precisamos unir a cadeia nas ações de expedição de FLV e recepção no varejo para pensar em soluções que agilizem o processo de descarga. É importante a padronização visando esse tipo de ação”, destacou Emilio.

“É muito importante a integração de codificação e a GS1 tem um papel importante nisso. É um tema para ser tratado multisetorialmente, porque só faz sentido se for feito de forma única e integrada. Os ganhos que temos com isso vão contribuir muito com a cadeia de valor”, concluiu Marcelo, do DIA.

Fotos: Getty Images

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