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Empreendedorismo digital: quais as vantagens desse modelo?

fiap fala sobre empreendedorismo digital

Cláudio Carvajal, do Centro Universitário FIAP. Foto: divulgação

O empreendedorismo como um todo vem crescendo no Brasil, mesmo frente à crise econômica gerada pela Covid-19. “Segundo dados da Receita Federal, somente no primeiro semestre de 2021 tivemos a abertura de 2,1 milhões de novas empresas abertas, o que corresponde a um crescimento de 35% em relação ao ano passado”, constatou o coordenador acadêmico do curso de Gestão de TI do Centro Universitário FIAP, prof. Cláudio Carvajal, em entrevista ao Portal de Notícias da GS1 Brasil.

Grazielle Ueno Maccoppi, da Uninter. Foto: divulgação

A coordenadora do curso de Gestão Empreendedora de Serviços da Uninter, Grazielle Ueno Maccoppi, vê alguns motivos para esse crescimento. “É importante considerar a escassez de empregos. O número de desempregados alcançou marcas recordes em 2021: no primeiro trimestre foram 14,8 milhões. E foi por necessidade que muitos se tornam empreendedores. Outro dado que corrobora com o crescimento é a marca de 10 milhões de microempreendedores individuais regularizados no país, outra marca histórica que demonstram este crescimento”, destaca.

E daqueles que resolveram empreender, a fatia do empreendedorismo digital é alto. Afinal, a pandemia trouxe um conjunto de mudanças sociais e econômicas, e o crescimento das vendas online é uma tendência.

“Somente no primeiro semestre, o faturamento do e-commerce cresceu 57,4% em relação ao mesmo período no ano anterior, de acordo com os dados da Neotrust. Além do e-commerce, as empresas estão se reinventando para superar os desafios da transformação digital – ou seja, estão buscando tecnologias para melhorar sua performance. Isso traz inúmeras oportunidades para o empreendedorismo de base tecnológica”, justifica o prof. Carvajal.

Apesar deste crescimento exponencial, é importante desenvolver melhor as estratégias deste empreendedor. De fato, de acordo com o Enterprise Strategy Group (ESG), num relatório divulgado pela Dell Technologies, o uso das plataformas digitais exige um investimento menor para o empreendedor, sendo por este motivo muito atraente para os investidores iniciais. No entanto é importante perceber que o ambiente digital é também muito competitivo, haja visto o número ampliado de concorrentes.

“Além da concorrência global, o relatório chama a atenção para o estágio ainda inicial das empresas brasileiras no uso das tecnologias em favor do empreendedorismo e do progresso digital. No Brasil, 66% dos empreendedores estão no primeiro estágio rumo a aceleração tecnológica, o que significa dizer que 66% das empresas trabalham apenas de forma reativa a tecnologia, adaptando-se para responder as necessidades do mercado. E 8% das empresas estão aptas a utilizar os recursos tecnológicos para acelerar seus negócios”, constata Grazielle Ueno, reforçando que esta desigualdade no número de empresas que dominam os recursos tecnológicos pode diminuir a partir do investimento em conhecimento.

Áreas de atuação

Empreendedorismo digital é aquele que utiliza das plataformas digitais para comercializar seus produtos e serviços. Ou seja, é aquela empresa que está presente no ambiente virtual e não no físico.

“Os exemplos são inúmeros e até inimagináveis: consultorias das mais diversas áreas, cursos online, criação de conteúdo, gerenciamento de conteúdo virtual, jogos e produtos virtuais e uma infinidade de produtos e serviços que não exigem a presença física nem do vendedor e nem do comprador. Basta imaginar algum negócio onde as etapas e os processos ocorram virtualmente”, mostra Grazielle.

Portanto, o empreendedorismo digital pode ser explorado de várias formas. O especialista da FIAP fornece outros exemplos. “Plataformas de e-commerce e maketplace, jogos, aplicativos de celulares que oferecem serviços para as pessoas, como aplicativos de mobilidade urbana (Waze e o Uber, por exemplo), educação financeira, saúde e entretenimento são alguns exemplos”, mostra.

E cases de sucesso nesta área não faltam ao mercado, como reflexo do fenômeno chamado de Quarta Revolução Industrial.  Aliás, hoje é possível encontrar plataformas e aplicativos para praticamente todos os tipos de serviços atualmente.

“Para citar alguns empreendimentos digitais que têm crescido, temos os aplicativos de entregas como o iFood, o Rappi; as plataformas de vendas online (e-commerce e markeplaces) como a Amazon, Mercado Livre, Magalu; as plataformas de hospedagem como Airbnb, plataformas de viagens, como a Decolar etc”, exemplifica o prof. Carvajal.

Vantagens do empreendedorismo digital

O mundo está convergindo para o phygital, ou seja, uma fusão do mundo físico e digital. A tecnologia é uma aliada nos negócios tidos como tradicionais e, muitas vezes, não é possível pensar na criação de um negócio que tenha pelo menos algum produto ou serviço digital. “Você pode abrir um café no seu bairro, mas deverá ter canais digitais para atender e entregar seus produtos para seus clientes”, comenta o prof. Carvajal.

Mas pensando num negócio com foco no digital, o mercado está num momento ímpar de oportunidades. As pessoas estão cada vez mais conectadas à internet e acostumadas a consumir produtos e serviços digitais. “Desde que haja inovação, é possível criar novos produtos e serviços, e atender grandes mercados num curto espaço de tempo, com investimentos menores do que em negócios “tradicionais””, diz.

Na comparação com um empreendimento tradicional, o digital, a princípio, exige menos infraestrutura e pessoas na equipe. “Geralmente, temos menos pessoas no quadro de colaboradores da empresa, e a estrutura física é menor, em especial com a evolução do trabalho remoto ou home office”, argumenta o prof. Carvajal.

Contudo, apesar de terem a possibilidade de serem negócios mais enxutos, é importante pensar na qualificação profissional. “A mão de obra para atender aos negócios digitais exige alguns conhecimentos específicos para operacionalização das ferramentas e estruturas virtuais, das quais dependem o funcionamento do negócio”, adverte Grazielle.

Outra grande vantagem do empreendedorismo digital é a flexibilidade de horários e a possibilidade de início como uma renda extra, um negócio adicional na vida do empreendedor. “Uma vez que não há necessidade de espaço físico próprio, mobiliário, decoração, segurança, condomínio entre outros gastos de uma estrutura física”, acrescenta.

Planejamento é fundamental

planejamento no empreendedorismo digital

Assim como em qualquer negócio, antes de investir no empreendedorismo digital é fundamental que se tenha planejamento. “É muito importante planejar o empreendimento para minimizar riscos. Também é preciso usar metodologias ágeis para criar a nova empresa, para gerar inovação e valor para os clientes, porque o cenário é muito dinâmico e as necessidades dos clientes mudam constantemente”, aconselha o especialista da FIAP.

Uma das etapas importantes neste planejamento é a análise do mercado e da concorrência. Nesse sentido, é preciso mirar em grandes mercados que estejam em ascensão, entender quem são os concorrentes e quais são seus pontos fortes e fracos. Isso ajuda na criação de diferenciais para sua empresa. “O empreendedor deve criar mais valor para seus clientes, com menor custo do que seus concorrentes. A competição é cada vez mais disputada”, alerta.

Outra característica que merece atenção é a articulação entre as ferramentas digitais e físicas, uma vez que a transição do público é um processo lento e progressivo.

“Muitos consumidores ainda investigam o produto, se informam, comparam e decidem com o auxílio dos recursos online, mas efetivam a compra presencialmente. Pensar neste público “misto” também é fundamental num negócio digital. Neste sentido, uma comunicação assertiva e estratégias que enalteçam a experiência do cliente são fundamentais para o empreendedor digital”, finaliza a especialista da Uninter.

Fotos: iStock

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