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Empreendedorismo no DNA foi tema do último Conexão Tech de 2020

Quem tem o empreendedorismo correndo nas veias consegue ver oportunidades onde outros enxergam problemas. Afinal, para alcançar o sucesso é preciso, além de sonhar alto, de muito trabalho e resiliência para superar os desafios diariamente.

No Brasil, há vários exemplos de empreendedores que conseguiram transformar suas ideias em negócios prósperos. Com o tema “Empreendedorismo no DNA”, o Conexão Tech – evento online e gratuito da GS1 Brasil, realizado no dia 15 de dezembro – apresentou algumas dessas histórias, contando com a participação da sócia fundadora da Nutty Bavarian, Adriana Auriemo; da sócia fundadora da Sorridents, Carla Sarni; e do sócio fundador da Mr. Cheney, Lindolfo Paiva.

Em comum, os três empreendedores têm paixão e dedicação integral aos negócios, especialmente nesta pandemia, em que precisaram se reinventar. Eles contaram seus erros e acertos em um bate papo conduzido pela jornalista e CEO da DFreire Comunicação e Negócios, Débora Freire, presente no estúdio montado especialmente para o evento na sede da GS1 Brasil, na capital paulista. O público também interagiu, enviando comentários e perguntas aos convidados.

debora freire da dfreire durante o conexao tech 15 dez 2020

Débora Freire, da DFreire Comunicação, fez a mediação do evento direto do estúdio montado na sede da GS1 Brasil

Confira as lições que esses empreendedores de sucesso compartilharam durante a sexta edição do Conexão Tech, que teve o apoio da Korde, da Vércer e da Infovarejo, além de contar com os parceiros da DFreire Comunicação e Negócios, Agência Beato e Totalinks.

Carla Sarni, sócia fundadora da Sorridents

Aos 12 anos, ela já vendia bijuterias em sua cidade natal Pitangueiras, interior de São Paulo, para realizar um sonho: comprar uma bicicleta cor de rosa. Formada em magistério, Carla Sarni decidiu fazer faculdade de Odontologia, e para custear os estudos, vendia de tudo um pouco. Sempre determinada, abriu seu primeiro consultório e ainda convenceu o marido, Cleber, que tinha uma carreira militar em ascensão e formação como analista de sistemas, a estudar Odontologia para empreender junto com ela. “Desde criança, sempre soube que nasci para cuidar de gente”, afirmou durante o Conexão Tech.

carla sarni fundadora da sorridents durante o conexao tech 15 dez 2020

Carla Sarni, da Sorridents

Em 1995, nascia a rede de clínicas odontológicas Sorridents, que em 2007 se tornou uma rede de franquias. Tendo como diferenciais os preços acessíveis e a conveniência, a empresa já conquistou muitos prêmios e, em 2016, virou um case da Universidade de Harvard. Neste ano, também se tornou um case de Stanford, outra universidade sinônimo de excelência. A história de Carla, do marido e da Sorridents virou, inclusive, um filme, que deve estrear em breve.

Atualmente, ela conduz o Grupo Salus, holding focada nos segmentos de saúde, beleza e bem-estar que reúne as marcas Sorridents, Sorriden (planos de saúde), DocBiz (soluções tecnológicas e consultoria para clínicas de saúde) e Olhar Certo (rede de clínicas oftalmológicas). Além disso, a empresária é sócia da atriz Giovana Antonelli na rede de estética e depilação a laser, GIOlaser. Neste ano, Carla ganhou o Prêmio “Empreendedora do Ano”, da consultoria EY.

Formação do empreendedor – “Sou uma ‘empreendedora raiz’, aprendi tudo na prática com meus erros e acertos. Num curso da área de saúde, como medicina, odontologia, fisioterapia e outros, você não aprende sobre contabilidade, finanças, administração e nós sabemos que o empreendedor precisa vestir alguns chapéus, o do administrativo financeiro, o da gestão de pessoas e o de vendas. Quando você sai com esse déficit da faculdade, acaba cometendo grandes erros. Me formei, por exemplo, sem saber o que é lucro presumido e lucro real. Esse tipo de conhecimento precisa ser incluído com urgência nos currículos para que sejamos empreendedores mais completos e consigamos diminuir a curva de aprendizado”.

Momento dramático – “Por falta de planejamento fiz uma estratégia errada, abrindo 40 clínicas contando com uma linha de empréstimo do governo. Esta linha foi retirada do mercado e fiquei devendo mais de R$ 20 milhões. Para sair desta situação, tive de renunciar a muitas coisas, paguei um preço alto, mas hoje todas as minhas empresas têm zero de endividamento”

Reinvenção na pandemia – “Coragem e velocidade são essenciais para o empreendedor. Depois de 24 horas do anúncio da pandemia da Covid-19 no Brasil, criamos um canal de teleodontologia, disponibilizamos um número de 0800 para os clientes e permanecemos com os consultórios abertos, por ser considerado serviço essencial. Com isso, conquistamos 600 mil novos clientes. Durante a pandemia, fizemos negociações e assim, em maio, estávamos com o pé no acelerador. Fizemos 550 propagandas na televisão, nos metrôs, outdoors, relógios de ponto”.

“Como resultados desses esforços, a Olhar Certo, rede de clínicas de oftalmologia, já tem um crescimento de 300% em 2020, a Sorridents está crescendo 47% e a GIOlaser, 145%. Tivemos esses resultados devido a mudanças nas estratégias. Tiramos o foco do problema e colocamos na solução.”

Transformação digital – “A tecnologia traz benefícios para o nosso negócio e também para os clientes. A pandemia nos forçou a tirar da gaveta projetos que, talvez, levariam mais três anos para implementarmos. Na GIOlaser, por exemplo, montei em 30 dias a plataforma de e-commerce e hoje cerca de 30% da receita dos franqueados já está vindo desse canal. É muito importante que os empreendedores continuem investindo em tecnologia, porque o que trouxe a gente até aqui não é garantia de sucesso para os próximos anos”.

Dica para empreender – “Muitas vezes, as pessoas não estão dispostas a renunciar algo para conquistar um objetivo. A minha dica é: faça o que os outros não estiverem fazendo se você quiser ter mais sucesso. A sorte aparece para quem está em movimento. Vá para redes sociais e mostre seu trabalho, tenha horários diferenciados para atender os clientes. Os dias que eu mais ganhei dinheiro foram aos finais de semana, durante 12 anos abri as clínicas de domingo a domingo”.

Perspectivas 2021 – “Precisamos cuidar da empresa da mesma forma que cuidamos da família. Quando a empresa passa por um momento difícil é como um filho doente que a gente não mede esforços para acordar de madrugada e levar para o hospital. Então, neste momento, os negócios estão precisando de mais dedicação dos donos, precisando de um olhar mais crítico. Esse momento vai passar, uma criança não tem febre a vida toda. É preciso determinação, energia e força”.

Mensagem inspiradora – “O Dia D para empreender não existe e sonho precisa ter prazo. Nunca houve um campo tão fértil para se empreender como agora, nunca se conseguiu dinheiro tão barato no mercado para expandir um negócio ou começar a empreender. Não deixe que seu medo te paralise. A sua vontade de vencer tem de ser maior do que qualquer desafio. Vá em frente!”

Lindolfo Paiva, sócio fundador da Mr. Cheney Cookies

Desde pequeno, Lindolfo Paiva sempre teve ideias para montar um negócio. A grande inspiração para colocar isso em prática surgiu em uma viagem que ele faz para o Rio Grande do Sul como missionário da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, quando conheceu o jovem americano, Jay Cheney. Ali nasceu uma grande amizade e, alguns anos depois, um negócio de sucesso. Jay, que gerenciava uma cookie store nos Estados Unidos, ensinou a receita do tradicional cookie americano para Lindolfo.

lindolfo paiva fundador da mr cheney no conexao tech 15 dez 2020

Lindolfo Paiva, da Mr. Cheney

Foi o primeiro passo para, em 2005, Lindolfo e sua esposa Elida abrirem o Mr. Cheney. “Não foi fácil, porque eu não tinha muitos recursos, tinha muitas despesas com meus cinco filhos, eram muitos desafios, mas fui avançando e deu certo. O Jay sempre esteve presente, ajudando com orientações. Trago com muito orgulho essa história de amizade”, contou. Hoje, a Mr. Cheney é uma rede franquias com 75 unidades e Lindolfo segue sempre apostando na inovação e de olho nas oportunidades.

Desafio inicial – “O início do negócio foi traumático, porque a gente não tinha muita visão de varejo, de produção e de uma série de coisas, então fomos descobrindo. Outra grande preocupação foi quando montamos a primeira unidade, que ficava em frente a um centro de treinamento da igreja que frequentamos, ninguém entrava porque as pessoas achavam que era só para americanos. Tivemos de quebrar essa barreira”.

Retorno gratificante – “É uma alegria muito grande quando os clientes experimentam o produto. Ainda hoje, quando conversamos com as pessoas elas lembram da primeira mordida que deram no cookie Mr. Cheney. A reação das pessoas traz muita alegria pra gente”.

Oportunidades na crise – “Durante a pandemia, investimos em um programa de fidelidade e em e-commerce. Além disso, estamos estudando incluir mídia programática em redes sociais, fazer integração das bases de dados dos sistemas que utilizamos, tudo isso para ter mais informação e gerar mais serviço para os clientes. Estamos acompanhando também o avanço das dark kitchens e outras plataformas para fazer com que o produto chegue ao cliente. É muito importante ficar atento às oportunidades. É preciso estar preparado e ter coragem para avançar com tudo isso”.

Diversificação dos negócios – “Nesta pandemia, adquirimos a Grifebus, empresa que fornece tecidos para forração e tapeçaria de ônibus. Era um negócio que estava com dificuldades e precisava de renovação. Então, estamos criando soluções novas, como tecidos antiviral, produtos para desinfecção e limpeza de ar-condicionado, tudo voltado para ônibus, mas com soluções especiais para este momento que estamos vivendo. É um negócio que está crescendo e isso acontece muito em razão de um ajuste de visão e de atuar no momento certo”.

Perspectivas 2021 – “A gente precisa olhar o copo meio cheio, ou seja, ter uma visão positiva para entender que, com a crise, surgiram muitas oportunidades, mas é preciso agir com uma cautela adicional. Ainda há muita instabilidade que deixa todo mundo inseguro. A gente precisa estar animado para investir, mas considerando todos os cenários e riscos possíveis”.

Mensagem inspiradora – “Buscar um sonho não tem preço, traz muita alegria. Porém, cada vez mais é preciso estar preparado, buscar conhecimento, entender os desafios do mercado, planejar e conhecer as melhores práticas. 2021 é um ano cheio de oportunidades e a gente precisa averiguar todos os panoramas para fazer isso com segurança. Mas, sem dúvida, é importante empreender sempre!”.

Adriana Auriemo, sócia fundadora da Nutty Bavarian

Desde criança, Adriana Auriemo já mostrava sua veia empreendedora, vendendo perfumes e bijuterias para amigos e familiares. Ao terminar a faculdade de administração, ela tinha a intenção de trabalhar no negócio da família, um laboratório de análises clínicas. Mas uma viagem para Orlando, nos Estados Unidos, mudou seus planos. Lá, ela conheceu os cones de amêndoas glaceadas da Nutty Bavarian e aquele cheirinho doce e gostoso aguçou seu faro para os negócios. Ela se apaixonou pela marca e a trouxe para o Brasil, abrindo o primeiro ponto em Campos do Jordão (SP).

adriana auriemo fundadora da nutty bavarian no conexao tech 2020 15 dez 2020

Adriana Auriemo, da Nutty Bavarian

Adriana negociou com a detentora da marca norte-americana, a exclusividade da receita e dos equipamentos. “E todo o resto foi feito aqui: o desenvolvimento do produto, as embalagens, a maneira de vender. Tudo o que existe na Nutty Bavarian no Brasil foi feito por nós. Tanto que, depois de 20 anos, a empresa nos Estados Unidos nos convidou para montarmos o nosso modelo de negócios lá”, disse.

Hoje a Nutty Bavarian atua no sistema de franquias, com quiosques em shoppings, rodoviárias, metrôs e aeroportos. Adriana, que também é diretora de microfranquias da Associação Brasileira de Franchising (ABF), contou um pouco dessa trajetória durante o Conexão Tech.

Grandes desafios – “Logo que começamos a empresa, colocamos todo o dinheiro que tínhamos para importar um container de amêndoas. Depois de um mês, elas estragaram, fizemos tudo errado e perdemos todo o produto. Mas esse tipo de problema ficou pequeno perto da pandemia deste ano. Do dia para a noite fechamos a rede inteira, vimos nosso faturamento ir a zero e sem previsão de volta nos meses seguintes. A pandemia foi importante para nos trazer uma perspectiva diferente para enfrentar os problemas daqui por diante”.

Oportunidades na pandemia – “No início da pandemia os quiosques estavam fechados e então começamos a colocar os nossos produtos em outros canais, como supermercados, padarias, cafeterias, hotéis, farmácias. Isso era um business que estava em segundo plano, já tínhamos até nos preparado para isso, inclusive colocando o código de barras nos produtos. Então, foi o momento de colocar toda nossa força e foco e, agora, este é o business que mais cresce dentro da empresa. Além disso, estamos trabalhando no food service, vendendo as castanhas como ingrediente para várias redes, vendendo brindes corporativos e fazendo parcerias com outras empresas, no modelo de co-branding. Acredito que neste ano todos os empreendedores tiveram que olhar em volta para enxergar as oportunidades e descobrir outras maneiras de fazer os seus negócios”.

Franquias e startups – “As franquias e as startups são a porta de entrada para o empreendedorismo. Temos visto muita procura por microfranquias, desde pessoas que perderam o emprego durante a pandemia ou querem ter alguma renda extra, até aqueles nunca pensaram em empreender, mas viram essa oportunidade agora que os juros estão baixos. Ao optar por uma franquia, o empreendedor tem menos riscos, porque começa o negócio tendo suporte, com uma marca já testada. Já as startups são negócios escaláveis, replicáveis e que podem ter crescimento exponencial. Elas têm por premissa um ambiente desafiador e com incertezas. Isso pode ser interessante também, depende do perfil do empreendedor. Alguns preferem começar um negócio com mais segurança e com suporte, como no caso das franquias; outros querem começar do zero, com uma ideia nova e, que apesar dos riscos, podem ter um potencial gigante de ganhos, como no caso dos startups”.

Tecnologia a favor dos negócios – “Durante muitos anos, fui às feiras internacionais de varejo e franquias e sempre ouvi falar muito de tecnologia. Eu ficava encucada se era necessário investir em tanta tecnologia e inovação para vender castanhas em um quiosque. Mas, hoje, a gente usa e usa muito. Na parte de vendas, temos delivery, algo que cresceu muito neste ano, temos nosso e-commerce e estamos em vários marketplaces. Temos sistema de pagamento, sistemas de gestão e controle. Eu percebi que, durante muito tempo, a gente usou a tecnologia para tentar replicar algo que a gente fazia de maneira física. Mas agora não, a gente usa as ferramentas para fazer de uma maneira completamente diferente.”

Perspectivas 2021 – “Para o varejo não será um ano fácil. De forma geral, estamos tendo falta de matéria-prima, por exemplo, mas vamos encarar os problemas com outra visão. A tecnologia vai nos ajudar muito, as pessoas também estão mais dispostas a ajudar. Percebemos neste ano, mais do que nunca, o quanto você aprende com o outro, com as lives, os grupos de WhatsApp, a tecnologia aproxima as pessoas. 2021 vai ser um ano de muita conexão, de junção de marcas, de juntar forças”.

Mensagem inspiradora – “Quem abre um negócio, está buscando uma vida melhor. Mas o processo para atingir esse objetivo pode ser difícil. Então, se encontrar algo que você se conecta e tem paixão, vai ser mais fácil passar por esse processo, a caminhada será muito mais proveitosa. Além da razão, precisa ter um pouco da emoção. Para quem está começando, converse com outras pessoas, você vai ver que tem muita gente disposta a ajudar e a compartilhar conhecimento e isso faz com que você suba alguns degraus mais rapidamente. Sucesso para todo mundo”.

Quer conferir mais detalhes sobre o tema? Assista ao vídeo do Conexão Tech – “Empreendedorismo no DNA”.

Neste ano, a GS1 Brasil promoveu seis edições do Conexão Tech e, para 2021, prepara novos eventos e treinamentos para seus associados. Fique ligado na programação!

Foto de abertura: Getty Images

Fotos: Divulgação GS1

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