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Empresas japonesas miram investimentos em startups no Brasil

O Japão está de olho nas oportunidades de negócios no Brasil, principalmente junto às startups. Vinte e seis por cento das empresas japonesas querem inovar a partir dos novos modelos de negócios das startups e 17% pretendem investir e até adquirir companhias ou atuar no co-desenvolvimento de produtos e serviços com empresas recém-criadas e rentáveis, segundo estudo elaborado pelo Grupo de Estudos das Empresas Japonesas sobre Inovação no Brasil, criado em maio de 2019 pela Japan External Trade Organization (Jetro) em parceria com as empresas que integram o Grupo de Trabalho de Inovação da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa no Brasil.

As startups que chamam mais a atenção das companhias japonesas são: agritechs (22%),  tecnologia da informação (13%), fintechs e logística (ambas com 9% cada), mobilidade, health tech e infraestrutura (todos com 6%), além daquelas que atuam nas áreas de biotecnologia, marketing, retailtech e security (com 3%).

Para aproximar ainda mais os dois países, que já são grandes parceiros comerciais, mas têm relações tímidas na área de inovação, no dia 18 de novembro, a Jetro, a Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, o Consulado Geral do Japão em São Paulo e Japan House São Paulo, promovem o Primeiro Grande Encontro de Inovação Brasil-Japão. O evento, realizado em São Paulo (SP), reúne, empresas japonesas atuantes na América Latina e tem o objetivo de aproximar e fomentar o diálogo e conhecimento sobre inovação com as corporações, startups brasileiras e seus ecossistemas.

Potencial de investimentos no Brasil

De acordo com o Banco Central (BC), o Japão ocupa a 9ª posição no ranking de principais países investidores no Brasil, principalmente nos segmentos de fabricação e montagem de veículos, reboques e carrocerias, artigos de borracha e plástico, além de produtos alimentícios e bebidas.

“Há interesse das companhias do Japão em ampliar os negócios a partir das subsidiárias que conhecem bem o mercado local, mas outras nações têm recebido prioritariamente os investimentos”, diz o diretor-presidente da JETRO no Brasil, Atsushi Okubo.

Segundo ele, outros mercados recebem investimentos japoneses pelo desconhecimento, muitas vezes, do potencial brasileiro de inovação. “Para obter mais apoio, 40% das companhias que compõem o grupo de estudos afirmam que é preciso a matriz enviar seus principais executivos para desbravarem o Brasil”, afirma Okubo. “Os dois países são grandes parceiros comerciais, mas as relações nessa área de inovação são tímidas. Nosso papel com a Jetro, como organização de fomento do comércio exterior e investimentos do governo japonês, é diminuir essa lacuna, pois sentimos que há um grande potencial para o incremento de novos negócios”, completa.

A multinacional japonesa SoftBank Group, por meio do seu fundo de investimento, por exemplo, já investiu por aqui em startups como a fintech Creditas, a empresa de ginástica Gympass e as de logística Loggi e Rappi, com valores que chegam a US$ 1 bilhão por rodada de aporte.

Na pesquisa do Grupo de Inovação, a visita ao ecossistema brasileiro para a construção de um networking e a participação em programas de aceleradoras privadas e de inovação aberta por agências governamentais, respectivamente, foram citados por 41% e 18% dos japoneses como fundamentais para avançar no Brasil.

Encontro de inovação

A programação do Primeiro Grande Encontro de Inovação Aberta Brasil-Japão traz painéis sobre “Como e porque inovar no Brasil”, com apresentações de André Maciel (Softbank Latin America), Mitsuru Nakayama (CEO da Brazil Venture Capital) e Francisco Jardim (CEO da SP Ventures), e discussões com grupos de empresas japonesas e brasileiras (Sompo Seguros, Mitsui & Co. Brasil e Yamaha Motor do Brasil) moderadas pela KPMG e Plug and Play Brazil.

Haverá ainda o relato de cases da Ambev, Truckpad, Checklist Fácil, Everis NTT Data, Caixa e Associação Brasileira de Startups. A Jetro aproveita o encontro para apresentar seus programas de fomento para levar empresas brasileiras ao Japão por meio do Invest Japan e também aspectos de propriedade intelectual relacionadas às startups no Japão.

Imagem: iStock

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