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Empresas suecas no Brasil priorizam negócios sustentáveis com visão de longo prazo

TetraPak, Scania, Volvo, Ericsson, Electrolux, ABB e SKF. O que elas têm em comum? Muita gente não sabe, mas elas nasceram na Suécia, um país pequeno – com uma população ao redor de 10 milhões de habitantes – mas com um alto índice de multinacionais per capita. Essas e outras empresas já possuem operações sólidas por aqui e apostam no potencial do Brasil com visão de longo prazo.

“O mercado brasileiro sempre foi uma montanha russa, com muitos desafios, mas as oportunidades também existem e as empresas suecas continuam investindo neste mercado enorme”, comenta o diretor executivo da Câmara de Comércio Sueco-Brasileira (Swedcham Brasil), Jonas Lindström.

Fazer a conexão entre negócios brasileiros e suecos é justamente o foco de trabalho da Swedcham Brasil, associação sem fins lucrativos com cerca de 300 associados. No Brasil desde 1953, a entidade oferece para as empresas associadas networking, cursos, palestras e outras ferramentas para ajudá-las a fazer negócios.

“Somos uma plataforma de relações para gerar negócios. Dentro da nossa rede de empresas circula muito conhecimento e know-how do mercado brasileiro”, afirma o diretor.

Cultura sueca com foco nos negócios

A Swedcham integra o Team Sweden, em conjunto com a Embaixada da Suécia, Consulados e Business Sweden (conselho de comércio). Essas organizações estão envolvidas na promoção da Suécia e do intercâmbio com outros países. “Cada entidade tem o seu papel e, juntas, recebemos empresas e delegações políticas para todos se sentirem bem-vindos ao Brasil”, explica Jonas.

Instalada na capital paulista, a Swedcham promove palestras e eventos – cerca de 50 por ano –, porém, no atual cenário da pandemia e a necessidade de isolamento social, migrou essas e outras atividades para o ambiente online a fim de manter contato e trocar experiências sobre esse momento difícil com os associados.

A entidade também realiza estudos de benchmark, pesquisas de mercado, projetos de sustentabilidade, programas de mentoria, organiza comitês, além de produzir a Revista NordicLight.Outros trabalhos importantes são o chamado Swedish Experience, com ações para divulgar a cultura sueca com foco nos negócios, e a promoção da Suécia como local de estudos para os jovens.

Investimentos das multinacionais suecas no Brasil

Foco na inovação e negócios sustentáveis, com visão de longo prazo, são características comuns às empresas suecas, que, no Brasil, atuam principalmente nos setores automotivo, farmacêutico, serviços digitais, equipamentos e serviços industriais e engenharia.

A pesquisa anual – “Swedish Business Climate Survey” – produzida pela Swedcham, Embaixada da Suécia e Business Sweden, mostra um panorama desses negócios. Em 2020, o estudo foi realizado entre março e abril e incluiu questões relacionadas à Covid-19.

Segundo o levantamento, em 2019, 78% das empresas previam um crescimento da receita, enquanto apenas 8% esperavam uma redução. Em 2020, a situação se inverteu: 28% preveem aumento da receita e 53% um recuo. No curto prazo, no período de 3 a 6 meses, 85% dos entrevistados confirmaram um impacto negativo no faturamento.

Apesar da crise, o estudo aponta que alguns setores serão menos afetados, como saúde, mineração, agricultura/alimentação e serviços digitais. A pesquisa também indica que digitalização e e-commerce são áreas que podem exigir aumento dos investimentos para melhor corresponder à esperada mudança no cenário de negócios daqui para frente.

Em entrevista ao Portal de Notícias GS1 Brasil, Jonas expôs sua análise:“Apesar dos tempos desafiadores, nenhuma das empresas da pesquisa anunciou planos de deixar o Brasil. Isso pode ser interpretado como empresas que estão olhando para um cenário pós-pandêmico e vendo suas operações no Brasil como um investimento de longo prazo”.

Sustentabilidade no DNA das empresas suecas

Na cultura das multinacionais suecas, a sustentabilidade não é um projeto ou um departamento, mas é a estratégia que baliza todo o negócio. Tanto que sustentabilidade e inovação caminham juntas para reduzir o impacto ambiental, valorizar pessoas e criar produtos e serviços inovadores que agreguem valor aos clientes. “A cultura de sustentabilidade e responsabilidade social está firme e forte nas empresas suecas no Brasil. É algo tratado com muito respeito”, comenta Jonas.

Em 2019, a Swedcham fez uma pesquisa que procurou revelar os desafios de sustentabilidade e responsabilidade social. “O resultado da pesquisa mostra que a revisão dos processos produtivos, a inovação, a diversidade humana, a educação e o vínculo com comunidades são fundamentais na transição de uma economia mais responsável. Essa transição mostra sobretudo que as empresas considerem a sustentabilidade como estratégica do negócio.

Neste momento da pandemia da Covid-19, as ideias de sustentabilidade, inovação, confiança e responsabilidade, que estão enraizadas na cultura sueca, reforçam o comprometimento das empresas com o Brasil no longo prazo.

Jonas Lindstrom da Swedcham Brasil

Jonas Lindström, da Swedcham Brasil

“Diversas empresas estão agindo de forma emergencial para ajudar comunidades próximas, mas notamos também uma significativa implementação de novas estratégias de trabalho que provavelmente permanecerão mesmo após a crise atual”, conta Jonas.

A Swedcham até produziu uma série de vídeos que apresentam breves conversas com colaboradores das empresas para saber quais os pontos mais marcantes deste período de transição que todos estamos vivendo.

Além disso, a entidade acredita ser importante divulgar as ações positivas que as empresas suecas no Brasil estão desenvolvendo na prevenção e no combate à Covid-19. Jonas conta que a Scania, por exemplo, implementou parcerias e articulou uma rede de voluntários em ações de apoio a caminhoneiros, profissionais de saúde, hospitais e pequenos negócios, além de se envolver na manutenção de respiradores mecânicos.

A Volvo Cars cedeu os 250 carros de sua frota corporativa para uso de instituições que atuam na linha de frente do combate ao vírus, como a Cruz Vermelha, para o transporte de cestas básicas e kits de higiene para famílias em situação de vulnerabilidade. Além disso, cedeu os veículos para as enfermeiras da Santa Casa, para que pudessem fazer o deslocamento de suas casas para os hospitais.

Já a Tetra Pak, em parceria com o aplicativo de impacto social Ribon, tem atuado no apoio a catadores autônomos de recicláveis, que enfrentam dificuldades durante a pandemia. Por meio do aplicativo Ribon, o usuário pode fazer doações para os catadores sem sair de casa.

“É um momento muito triste para o Brasil e para o mundo. Esperamos que as pessoas saiam melhores dessa crise, com mais solidariedade e responsabilidade. Confiança e parceria são palavras-chave nesse momento”, ressalta Jonas.

Assista ao vídeo com a entrevista de Jonas Lindström, da Swedcham, sobre as ações de sustentabilidade da entidade

Swedcham alinhada ao Pacto Global

Outra iniciativa da Swedcham é a adesão ao Pacto Global, a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) que visa mobilizar as organizações a alinharem suas estratégias a 10 princípios universais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.

“Nós, da Swedcham, somos a primeira câmara de comércio do Brasil a se tornar membro do Pacto Global da ONU. Nos parece natural apoiar esta grande iniciativa e assumir a responsabilidade compartilhada para alcançar um mundo melhor”, destaca Jonas.

Parceria com GS1 Brasil

A GS1 Brasil também é signatária do Pacto Global e tem a sustentabilidade como ação estratégica por meio do programa Sustentabilidade em Código. Esses são apenas alguns pontos em comum entre as entidades, além da aposta na inovação e na automação. Por isso, nos últimos anos, a Swedcham e a GS1 Brasil vêm construindo uma parceria bastante produtiva.

“A nossa relação com a GS1 se iniciou em 2018 quando nosso comitê de inovação e sustentabilidade visitou o Centro de Inovação e Tecnologia, o CIT, da GS1. Depois disso participamos dos maiores eventos, como, por exemplo, o Brasil em Código e o Prêmio Automação. Há muita sinergia entre os nossos associados e os associados da GS1”, comenta Jonas.

Outra iniciativa que aproximou as entidades foi quando a GS1 Brasil promoveu uma viagem técnica para a Suécia, em 2018, levando um grupo de executivos e membros do conselho da entidade para conhecer o ambiente de inovação daquele país. A Swedcham deu apoio a essa iniciativa, fazendo a ponte com contatos importantes na Suécia, além de promover uma visita dos executivos à Embaixada Brasileira em Estocolmo.

“Nossa parceria tem crescido e funciona muito bem, porque os valores são os mesmos, de inovação, automação e sustentabilidade. É uma parceria cheia de energia e estamos sempre trocando ideias, escutando um ao outro e aprendendo juntos”, conclui Jonas.

A CEO da GS1 Brasil, Virginia Vaamonde, destaca a importância e os resultados obtidos pela parceria entre Swedcham e GS1. “Desde o primeiro contato com a Swedcham, percebemos forte sinergia e propósitos em comum, com o intuito de gerar valor para os associados das duas instituições. Desde então construímos uma relação sólida e colaborativa que só tende a crescer.”

Fotos: Getty Images/Divulgação Swedcham

 

 

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