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Entenda a revolução do 5G nos negócios

A chegada da rede 5G é bastante esperada no mercado brasileiro. A tecnologia promete mudar a rotina de consumidores e empresas, afinal vai tornar a conexão do smartphone muito mais rápida que a atual e, principalmente, possibilitar o desenvolvimento de aplicações de automação na nova economia digital, como Internet das Coisas (IoT) e indústria 4.0 nos mais diferentes setores.

O 5G possibilitará, por exemplo, consultas médicas à distância, aplicações de experiência com realidade virtual aumentada, promoção de cidades e casas inteligentes, carros autônomos e conectados, além de automação de atividades com o uso de inteligência artificial. As pessoas poderão, ainda, ter novas experiências para jogar games em nuvem e com realidade virtual.

A quinta geração de conectividade será decisiva para dar competividade e eficiência ao País. “A tecnologia 5G será o principal fator de transformação econômica, competitividade e ganho de eficiência dos mais diferentes setores da economia na próxima década, a exemplo de grandes marcos de evolução da aplicação da tecnologia ao longo da história – como o surgimento da locomotiva a vapor há 200 anos, que mudou completamente a produtividade do mundo; ou, como há 100 anos, quando o mundo começou a se iluminar e novamente todas as indústrias se transformaram, das fábricas às cidades”, afirma presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, Eduardo Ricotta.

Entenda mais sobre essa nova tecnologia e o impacto nos negócios nesta reportagem elaborada pela equipe do Portal de Notícias GS1 Brasil.

O que é a tecnologia 5G?

No mercado de telecomunicações, os especialistas comentam que o 5G não é apenas mais um “G”. Isso porque não representa uma simples evolução do 3G ou do 4G.

O 5G traz benefícios que vão além de um sinal melhor e mais rápido no celular. O grande destaque é a expansão da digitalização para vários setores da indústria, possibilitando aumentar a oferta de serviços para consumidores e empresas, a exemplo de games com experiências em realidade virtual e realidade imersiva, controle de drones, conexão entre máquinas, IoT e aplicações da indústria 4.0.

Principais características do 5G:

Velocidade

O 5G é a próxima geração de conexão móvel de banda larga que promete velocidade até 20 vezes maiores em relação ao 4G. A estimativa é que a rede 5G possa atingir velocidade de download de 10 gigabits por segundo (Gbps), contra 1 Gbps que a rede 4G consegue chegar. Isso criará espaço para novas aplicações que demandam uma conexão com muito mais capacidade do que o disponível hoje, com vídeos instantâneos, realidade virtual e ultra-alta definição.

Baixa latência

Outra característica é a baixa latência, ou seja, o tempo de resposta a partir do instante que o usuário dá um comando na rede (como clicar em um link, por exemplo). Atualmente, a latência é de 20 milissegundos (ms), mas com o 5G cai para 10 ms e pode chegar até 1 ms.

A baixa latência faz toda a diferença para a conexão de um carro autônomo ou uso de um braço robótico em uma cirurgia, por exemplo. Possibilita, ainda, controle de máquinas e robôs à distância, aplicações industriais dentro do conceito de Indústria 4.0 e controle remoto de carros, caminhões, ônibus ou outros veículos.

Aplicações massivas

A rede 5G tem maior capacidade de tráfego, o que garante a qualidade da conexão em locais com aglomeração de pessoas. A quinta geração de conectividade também vai permitir que uma grande quantidade de dispositivos seja usada ao mesmo tempo – até 1 milhão por quilômetro quadrado. São as aplicações chamadas “massivas”, pela grande quantidade de dispositivos conectados.

Com isso, a IoT poderá ser implementada e os objetos (tanto nas casas quanto nas indústrias) se tornarão inteligentes e conectados. A partir dessa possibilidade de alta densidade de dispositivos, será possível a implementação de cidades inteligentes.

Qual é o panorama do 5G no mundo?

Os primeiros lançamentos comerciais de serviços 5G aconteceram neste ano de 2019. A Coreia do Sul foi pioneira, seguida de Estados Unidos, Japão, China e alguns países da Europa. “A Coreia do Sul, por exemplo, já tem mais de 3 milhões de usuários na rede 5G. Nos Estados Unidos a base de usuários cresce rapidamente e, na Europa, já há alguns países com implementação, como a Finlândia”, comenta o head global de Mobile Networks Marketing da Nokia, Sandro Tavares.

De acordo com o Gartner, o investimento global do setor de telecomunicações em infraestrutura 5G deve atingir US$ 4,176 bilhões em 2020, alta de 89% em relação a 2019. Além disso, a receita com infraestrutura de rede sem fio 5G vai quase dobrar entre 2019 e 2020.

Entre os países destacados como propulsores do crescimento da quinta geração de conectividade pelo Gartner estão: Canadá, França, Alemanha, Hong Kong, Espanha, Suécia, Catar e Emirados Árabes Unidos, além de Coreia do Sul, Suíça, EUA, Finlândia e Reino Unido, que já iniciaram a oferta de serviços 5G.

automacao nos negocios com 5gNa opinião de Sandro, a consolidação do 5G deve acontecer ao longo de 2020. “E em 2021 esperamos que o 5G seja a tecnologia primária em alguns desses países early adopters”, afirma.

Na América Latina, o ritmo de implementação é mais lento. “O 5G não vai acontecer de imediato, mas daqui um ano e meio na região. A adoção massiva será nos próximos três ou quatro anos. Neste momento, estamos nos preparando do ponto de vista da infraestrutura”, afirma Eduardo Jedruch, presidente da Fiber Broadband Association para América Latina e gerente regional de vendas da CommScope.

Segundo ele, os early adopters do 5G na região são: Brasil, México, Argentina, Chile e Colômbia, que estão promovendo testes e evoluindo a infraestrutura de rede.

Como está a implantação do 5G no Brasil?

No Brasil, por enquanto, as empresas podem realizar testes, porém não podem explorar o 5G em escala comercial. Isso porque é preciso esperar o leilão pela exploração da faixa de frequência 5G que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fará entre as operadoras de telecomunicações e que está previsto para o primeiro semestre de 2020.

“A expectativa é que até o final de 2020 já tenhamos as primeiras redes comerciais 5G no Brasil e as primeiras aplicações além dos smartphones”, acredita Sandro, da Nokia.

“O Brasil está tecnologicamente preparado para implantar o 5G sem demora, assim que a frequência seja liberada pela Anatel”, afirma o presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, Eduardo Ricotta.

A chegada da 5G não significa o fim do 4G, porque as tecnologias se complementam e devem coexistir durante um tempo.

Quais são os benefícios para os consumidores?

O 5G vai trazer melhorias para a comunicação dos consumidores, principalmente na questão de dados e novas experiências com games, com realidade virtual e realidade imersiva.

“Será possível executar jogos na nuvem, sem precisar investir em um computador de alta performance ou console para poder jogar. O usuário pode contratar games como um serviço mensal ou diário”, comenta Sandro, da Nokia.

A pesquisa Global Mobile Consumer Survey Brasil, realizada pela Deloitte com 2 mil usuários de telefonia móvel no País para identificar as tendências para o setor de telecomunicações nacional, mostra que dois terços dos respondentes consideram muito importante a internet 5G. Cerca de 69% estão dispostos a pagar mais caro pela tecnologia 5G e 45% consideram migrar para a rede assim que ela estiver disponível.

Quais são as possibilidades de aplicação do 5G nas empresas?

As operadoras e empresas que atuam na área de infraestrutura de telecomunicações já estão testando aplicações voltadas para os negócios no Brasil e no mundo. “De 20% a 30% da receita que o negócio do 5G vai trazer para as operadoras de telefonia virá do B2C, o restante – a parte mais substancial – virá do B2B, que são as aplicações em indústria 4.0 e realidade virtual, por exemplo”, afirma Eduardo Jedruch, da Commscope.

Recentemente, várias companhias demonstraram soluções durante o Futurecom 2019, evento de tecnologia, telecomunicações e transformação realizado anualmente na capital paulista.

A Nokia, por exemplo, demonstrou um sistema digital de automação em nuvem que traz maior capacidade para automatização e conectividade entre máquinas de diversos segmentos da indústria, como coleta de dados em tempo real para manutenção preditiva, manutenção remota via smart glass e realidade aumentada.

Já a Ericsson, em parceria com a ABB, fez uma demonstração voltada para casos de fabricação inteligente, simulando como operar um robô com precisão e fazer seu monitoramento remoto em tempo real, em um ambiente industrial, o que é possível graças à baixa latência do 5G.

A Qualcomm, em parceria com a Bosch, mostrou como interagir com um robô através de recursos de realidade virtual e conectividade 5G para trazer mais eficiência e segurança em tarefas na fábrica.

Na área da saúde, as empresas estão desenvolvendo várias soluções que usam como base o 5G. A NEC, em conjunto com a empresa brasileira Salvus, demonstrou uma solução para gestão de oxigênio que, com um sensor instalado em um cilindo de O2 e plataforma web, é capaz de administrar o ciclo de consumo e estoque de entrega do produto tanto em ambiente doméstico quanto hospitalar.

O sistema IoT automatiza as condições de temperatura e permite digitalizar prontuários e gerar relatórios. A companhia também tem soluções de IoT para cidades inteligentes, como adaptar a iluminação dos postes das ruas de acordo com as necessidades de cada região, e tecnologia de biometria digital, que permite aplicações de segurança pública para as forças policiais.

De acordo com executivos da área de telecomunicações, o 5G traz várias oportunidades para empresas, centros acadêmicos e startups testarem novas aplicações voltadas para os negócios.

“A plataforma 5G é a primeira geração de conectividade totalmente padronizada e intercambiável, criando um ecossistema. Uma solução 5G desenvolvida na Coreia, vai funcionar no Brasil ou nos Estados Unidos, esse é o grande destaque da tecnologia”, comenta o diretor do Futurecom, Hermano Pinto.

“Assim, as plataformas das grandes companhias vão habilitar o desenvolvimento de novas soluções 5G por startups, que são mais ágeis. É como desenvolver soluções para Android ou Apple. Com isso, novas possibilidades de negócios começam a surgir e até mesmo uma ampliação dos empregos na área de tecnologia”, completa Hermano.

Como se preparar para essa nova era de conectividade?

Enquanto aguardam o leilão do 5G no Brasil, as grandes operadoras e fornecedores de infraestrutura de telecomunicação estão investimento na infraestrutura de rede, fibra ótica e datacenters. A maioria são multinacionais e já têm contratos fora do País e, com isso, ganham experiência na quinta geração da conectividade para aplicar futuramente por aqui.

Para as indústrias que atuam no Brasil, a recomendação é também começar a se preparar para receber os benefícios da conectividade 5G. “Do ponto de vista da infraestrutura, comparando o 4G tradicional com 4.5 G ou 5G, uma indústria precisa de, pelo menos, 10 vezes mais pontos de conectividade sem fio, além mais pontos de energia elétrica. Isso representa níveis de investimento bem elevados. Por isso, é preciso considerar esse investimento em sua estratégia e começar desde já, porque o 5G vai ser uma realidade daqui alguns anos”, recomenda Eduardo Jedruch, da Commscope.

Imagens: iStock

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