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Entrevista: presidente da GS1 Brasil fala sobre os rumos da entidade

À frente da GS1 Brasil, João Carlos de Oliveira conduz importantes iniciativas e conquistas com o objetivo de atender às demandas dos associados.

joao carlos de oliveira sorrindo
João Carlos de Oliveira, presidente da GS1 Brasil
Foto: Marcello Vitorino

A GS1 é uma organização com mais de um milhão de empresas associadas e presente em 112 países. No Brasil, são mais de 58 mil filiados, o que a posiciona como a quinta maior GS1 no mundo. Hoje, os associados da entidade no País representam 31% do Produto Interno Bruto (PIB) e 18% dos empregos formais.

Esses números demonstram a importância da organização, que está presente no mercado nacional há 35 anos incentivando a evolução dos negócios por meio da automação. O sucesso alcançado é fruto de uma longa jornada da entidade, que desde o início foi conduzida com responsabilidade e visão de futuro por seus gestores. Sob a liderança do gaúcho João Carlos de Oliveira, presidente desde 2010, a organização se mantém sintonizada com os mais recentes avanços tecnológicos e exigências da economia nacional e global.

A experiência profissional do executivo dá o fôlego necessário para que ele possa dirigir a GS1 Brasil. Graduado em administração de empresas pela PUC–RS e pós-graduado em planejamento empresarial, Oliveira é diretor da empresa JJCO Participações, além de membro do Conselho de Administração e acionista do Grupo Josapar, fundado em 1922 e com atuação nos setores imobiliário, industrial, agrobusiness e varejo.

Com mais de 30 anos de experiência no setor supermercadista, ele também já foi presidente de várias entidades, como Associação Latino-Americana de Supermercados (ALAS), Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) e Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS). Em âmbito internacional, teve uma breve passagem na rede Sunshine, nos Estados Unidos, e no Sonae, em Portugal.

A seguir, o presidente da GS1 Brasil fala um pouco sobre a história e os rumos da entidade e da automação no País.

Na sua visão, quais foram as principais contribuições da entidade nesses 35 anos presente no mercado nacional?

A história da GS1 Brasil é construída por muitos parceiros e colaboradores com o permanente objetivo de acompanhar um mundo em que o desenvolvimento e a tecnologia estão em constante evolução. A organização participa ativamente no desenvolvimento do nosso País, contribuindo fortemente para a melhoria e o bem-estar da sociedade. As parcerias da GS1 Brasil com associações comerciais e industriais e com órgãos governamentais estão em constante expansão, apresentando soluções a mais de 30 setores da economia. Dessa maneira, a GS1 Brasil tem dado valiosa contribuição em projetos que estabelecem normas técnicas essenciais, promovem a cooperação entre parceiros comerciais, asseguram apoio aos empresários e divulgam novas tecnologias. Um quadro tão heterogêneo, com necessidades e soluções específicas, faz com que a GS1 se mantenha sintonizada com os mais recentes avanços tecnológicos, as novas tendências em estilo de vida e, sobretudo, as últimas exigências da economia nacional e global. A todos os associados, dos pequenos aos grandes, dos mais diversos segmentos de atuação, a GS1 oferece uma das chaves para o crescimento contínuo e sustentável.

Nesses anos em que o senhor lidera a GS1 Brasil, quais têm sido asconquistas mais importantes?

Contabilizamos grandes conquistas quando se trata de apontar possíveis inovações e traduzi-las em benefícios para os associados. Temos construído uma história plena de sucesso, superando crises econômicas, testemunhando e atuando em benefício do crescimento da indústria e do varejo. Um bom exemplo de nosso trabalho foi a construção de uma nova sede própria em São Paulo, que permitiu oferecer uma experiência interativa em nosso Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), que veio complementar os cursos presenciais, o conhecimento dos associados e da comunidade de negócios sobre as boas práticas do uso dos padrões GS1 e dos benefícios da automação. Também chegamos em Brasília, inaugurando um escritório no Distrito Federal para ter uma atuação próxima ao governo e agências regulatórias. Além disso, criamos a área de pesquisa e desenvolvimento com o objetivo de suprir o mercado com informações e dados relevantes sobre tecnologia, automação e tendências. A área de educação ampliou o relacionamento com universidades para inclusão dos padrões GS1 e boas práticas globais de automação no ambiente acadêmico. Outro marco foi a concepção do Brasil em Código – Conferência Internacional da GS1 Brasil, que reúne anualmente mais de 350 executivos para debater tendências e tecnologias de ponta. Podemos destacar a criação do Troféu Harpia, que consolidou ainda mais o Prêmio Automação. Também implementamos o Programa Sustentabilidade em Código, a fim de apoiar iniciativas com viés de sustentabilidade por meio da automação e dos padrões GS1, além de atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A transformação digital chegou para ficar, impactando fortemente aestratégia e os processos das empresas. Como a entidade tem acompanhado este movimento?

Neste momento em que a transformação digital está em curso, cada vez mais a informação ganha valor estratégico para os negócios. Dados de alta qualidade são essenciais para ganhar eficiência em todos os processos da cadeia de abastecimento. Os consumidores, por sua vez, também precisam de informações confiáveis para realizarem suas compras. O dado é a informação básica para qualquer atividade, e a GS1 Brasil vem trabalhando com o foco voltado para a qualidade de dados, pois entende que, atualmente, é essencial que as empresas tenham um cadastro de produtos bem estruturado com informações padronizadas, corretas, atualizadas e compatíveis com as várias regras do mercado. O uso de padrões globais ajuda as companhias a construir uma base sólida de informações e contribui, significativamente, para melhorar as transações comerciais. Em um cenário de mudanças tão profundas dessa era digital, a maioria das empresas e profissionais ainda está aprendendo como usar as informações de forma inteligente e estamos aqui para ajudá-los nesta tarefa.

Quais são os projetos da GS1 Brasil para 2019?

Temos várias iniciativas, entre elas, um projeto de consultoria para auxiliar no desenvolvimento de mercado e também novos cursos nas modalidades presencial, e-learning ou in company customizado. Estamos em fase final de ajustes de um novo serviço de qualificação de dados de produtos para os associados e, ainda, teremos novidades bem interessantes no CIT.

O que o senhor imagina para o futuro da automação no Brasil?

Uma evolução tecnológica muito grande graças ao celular. Em alguns países, já existem projetos-pilotos que possibilitam o acesso às informações e a todos os dados de um produto por meio desses aparelhos. No Brasil, os smartphones, em um futuro muito próximo, representarão pelo menos metade dos celulares em uso no País. Assim, uma parcela crescente da população estará equipada para usufruir das infinitas possibilidades que este dispositivo oferece em conjunto com os códigos. Além disso, a automação tem enorme potencial de crescimento no Brasil. As empresas não podem deixar que o produto falte ou entre de maneira inadequada no ponto de venda. Isso pode parecer simples, mas, ainda hoje, cerca de 9% dos produtos vendidos nos estabelecimentos comerciais não estão lá quando procurados pelos consumidores por erro de distribuição ou de recebimento. A sincronização de dados das cadeias produtivas é serviço ainda incipiente, e a GS1 Brasil pode colaborar com as empresas nesse sentido. Para um futuro mais próximo, prevemos também melhorias importantes proporcionadas pela tecnologia da radiofrequência, que tornarão a vida dos consumidores muito mais agradável. O ato de comprar se transformará em uma experiência de compra, com provadores inteligentes que mostram como uma determinada camiseta ficaria em outra cor, como uma gravata combinaria com um terno, etc. Nas lojas de alimentos, o freguês receberá a indicação sobre a bebida ideal para acompanhar esta ou aquela carne, as possibilidades de uso de um certo ingrediente e assim por diante. Há quem ainda não se imagina em tais cenários futuristas. Mas não resta dúvida de que o código de barras, criado décadas atrás, e os novos padrões e tecnologias mais sofisticadas, serão onipresentes no dia a dia de empresas e consumidores.

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