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Estudo da GfK apresenta insights sobre consumo pós-Covid

Uma nova economia está emergindo com a pandemia causada pela Covid-19. Mas o que nos aguarda num futuro próximo? Explorando o tema “#stayhomeeconomy – Consumos e hábitos pós-crise”, o diretor da GfK, Henrique Mascarenhas, e a gerente de Consumer Insights e Marketing Effectiveness da companhia, Roberta Zanini, participaram de uma live realizada pela GS1 Brasil em sua página do Facebook, trazendo informações e insights para as empresas se prepararem para o novo normal.

Com a mediação da analista de pesquisa e desenvolvimento da GS1 Brasil, Carolina Fernandes, e interação do público, a live, realizada no dia 7 de maio, possibilitou a troca de conhecimentos sobre as tendências baseadas nas pesquisas da GFK.

Os executivos traçaram um panorama sobre o impacto da pandemia no consumo e na atuação das marcas. Afinal, essa situação chegou de repente em um País com baixo nível de renda e escolaridade, além de muitas desigualdades sociais. Segundo dados da GfK, 43% das famílias ganham até R$ 2 mil e 47% dos brasileiros não completaram o Ensino Fundamental II.

Não faz muito tempo o Brasil estava em crise, mas desde 2016 os índices econômicos vinham evoluindo de forma tímida, com o aumento da confiança do consumidor, do crédito, do emprego, da massa salarial. Mas com a pandemia, o cenário mudou novamente e o nível de confiança teve uma queda drástica, passando de 47%, em 2019, para 18%, em 2020.

Os estudos da GfK relacionadas a Covid (intitulado “Coronavirus Consumer Pulse”), que inclui o monitoramento o comportamento dos consumidores a cada 15 dias, mostram as principais preocupações atuais do brasileiro: 57% estão preocupados com o desemprego; 53% com a saúde das pessoas à sua volta; e  51% com o impacto na economia do País.

Henrique Mascarenhas, da GfK – Foto: Divulgação

Neste momento de pessimismo, insegurança econômica, desemprego e cuidado redobrado com a saúde, como as marcas estão sendo vistas? Dados da GfK mostram que os consumidores do Brasil e América Latina entendem que as marcas devem ajudá-los neste momento da pandemia.

“As marcas que facilitam a vida do consumidor e trazem soluções são aquelas que serão mais consideradas. Não é apenas uma questão de preço, mas como as empresas estão trabalhando o contexto de Covid no dia a dia do consumidor”, disse Henrique.

Impactos na rotina do brasileiro

O momento inicial da pandemia gerou pânico na população, que buscou às pressas itens de primeira necessidade e produtos farmacêuticos. As despesas com produtos para cuidado pessoal e do lar aumentaram, assim como os custos básicos com água e luz, por exemplo.

Desde que o isolamento social começou, a vida do brasileiro mudou bastante e alguns hábitos viraram rotina, como home office, e-commerce, lives de shows, educação a distância, delivery, controle financeiro, TV e streaming, maior preocupação com saúde, renda e futuro.

Por outro lado, segundo Henrique, as pessoas não têm mais a mesma convivência com família e amigos, a rotina do trabalho, nem participam de eventos presenciais ou frequentam restaurantes. As pessoas não viajam e a mobilidade nas cidades mudou. As compras nas lojas físicas caíram, assim como a compra por impulso.

Comércio online avança no Brasil

Nesse novo cenário, as compras online passaram a ser essenciais. “Na medição da GfK realizada de 20 a 26 de abril, o crescimento de vendas para bens de consumo duráveis no e-commerce foi de 155%, enquanto as vendas nas lojas físicas caíram 52%”, comentou Henrique.

Antes da pandemia, no início de 2020, 24% das pessoas compravam online; agora 65% compram via e-commerce, segundo a GfK. As pesquisas da empresa indicam que 7% dos consumidores que não compravam no online passaram a adotar este canal e 14% começaram a comprar no e-commerce mais do que antes.

“Depois do pânico inicial, o consumidor passou a cuidar mais da casa, entendeu que a casa é um abrigo, e foi para o ecommerce. As pessoas ressignificaram o que é essencial e o que é desejado. Com isso, cresceu a venda de produtos como, por exemplo, aspirador de pó, notebook e vídeo game”, contou Henrique. Segundo ele, as pessoas também voltaram a comprar smartphone, que se tornou um produto essencial.

A GfK também tem verificado crescimento expressivo de compras de batedeira, liquidificador, processador, fritadeiras, chapinha, depilador, secador de cabelo. “Novas necessidades surgem e o consumidor refaz a cesta de consumo”, explicou Henrique.

Como a compra online passou a ser mais relevante do que nas lojas físicas, as empresas precisaram reorganizar a manufatura, a logística e o transporte. “Mudou completamente o supply chain”, comentou Henrique.

Tendência do “figital” cada vez mais forte

Com a pandemia, a jornada do consumidor torna-se cada vez mais ‘figital’, ou seja, quando o consumidor vê o produto na loja física, mas compra no e-commerce ou vice-versa.

Em 2018, 49% das pessoas faziam uma jornada “figital”, índice que subiu para 54% no ano seguinte. “A tendência do consumidor “figital” será muito maior no pós-Covid. O consumidor que tinha medo de comprar online, perdeu esse medo. O online não mata a loja física e, no futuro, o físico e o digital vão se combinar de forma cada vez mais forte”, disse o diretor da GfK. “Talvez, 100% dos consumidores sejam ‘figital’”.

Mundo depois da pandemia

O brasileiro está bastante otimista em relação ao futuro. De acordo com estudo da GfK, 99% acreditam que em algum momento voltará a vida cotidiana e 7 em cada 10 pessoas esperam que não levará mais de três meses para retornar à normalidade.

“Estamos vivendo uma mudança profunda, duradoura e sem precedentes tanto em amplitude quanto em magnitude. É a maior transformação desde 1929 quando quebrou a Bolsa de Valores de Nova Iorque e o mundo todo teve de se reorganizar. O problema não nasceu da economia, mas da pandemia, e esta geração nunca viu tamanha transformação”, destacou Henrique. “Crises costumam definir gerações e, quem sabe, esta geração poderá ser conhecida futuramente como a geração ‘coroners’”, disse.

Como será o novo normal depois que a pandemia passar? Até quando vamos viver essas mudanças? Segundo o executivo, são 12 meses, pelo menos, de transição em âmbito mundial. “Ainda não temos um protocolo de tratamento eficiente para essa doença, ainda será preciso medir o porcentual da população contaminada e sadia e criar uma vacina. As implicações desta pandemia são de longo prazo e para a humanidade toda”.

Como implicações futuras, a GfK prevê:

  • monitoramento das pessoas que estão com Covid;
  • fim de alguns formatos de negócios e surgimentos de novos;
  • mudanças na mobilidade urbana (queda no transporte coletivo e maior uso de transporte individual, como bicicleta);
  • mudança de normas sociais, sem abraços e com uso de máscara;
  • bancarização;
  • maior simbiose do varejo online e offline.

Impactos no Índice de Automação do Mercado Brasileiro

A GS1 Brasil realiza, com o apoio da GfK, um estudo robusto sobre automação, com cerca de 7.500 entrevistas mensais em todas as regiões do País. Esta pesquisa compõe o Índice de Automação do Mercado Brasileiro, que mensura o quanto a automação está presente nas empresas (de diversos segmentos e portes) e na vida dos consumidores.

Roberta Zanini, da GfK – Foto: Divulgação

De acordo com a executiva da GfK, Roberta Zanini, esses estudos apontam, em 2020, para uma tendência de evolução de uso de aplicativos, principalmente os de mobilidade, serviços, delivery e comunicação, por parte dos brasileiros.

“Com o distanciamento social, a expectativa é que, para as próximas medições do estudo, os segmentos de apps de serviço de comunicação e de compra de produtos estejam ainda mais presentes nos celulares dos brasileiros”, afirmou Roberta.

Os dados também mostram uma movimentação relacionada à posse de smart TV com o uso mais intenso da função de acesso à internet. “Neste momento de quarentena, com a intensificação de lives, vídeos por streaming e aulas online, é bem provável que o próximo report mostre um número maior de famílias usando a função de acesso à internet através da smart TV. É mais um ponto de conectividade e automação”, destacou a executiva.

Em relação às empresas, o cenário é um pouco diferente. “Aquelas que tinham intenção de investir em automação, investiram principalmente no primeiro trimestre deste ano e depois deram uma pausa”, disse. Talvez, seja possível notar alguns investimentos em áreas como televendas, estrutura para vendas via internet e redes sociais e atendimento ao consumidor mais automatizado motivados pela Covid. No entanto, isso não será homogêneo entre as empresas e setores.

Para saber mais detalhes sobre os estudos da GfK neste cenário da Covid-19, acesse: https://insights.gfk.com/stayathomeeconomy.

Foto: Getty Images

 

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