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Fazenda urbana Pink Farms aposta em produção inteligente

Cultivo sustentável de alimentos na cidade, sem precisar de terra nem sol, e forte apoio da tecnologia e dos dados. Essa é a proposta da Pink Farms, um projeto que começou em 2016 idealizado por três jovens – Geraldo Maia, engenheiro de produção, e os irmãos Mateus e Rafael Delalibera, ambos formados em engenharia elétrica – e se tornou a primeira fazenda urbana vertical da América Latina.

“A ideia de fundar a empresa partiu por necessidade de empreender, mas também por observarmos que a qualidade dos alimentos produzidos no Brasil é inferior quando comparada à do mercado europeu, em países como Holanda e Alemanha, por exemplo. Queríamos produzir alimento de alta qualidade e com inovação”, contou Geraldo Maia para a reportagem do Portal de Notícias GS1 Brasil.

Apesar de não terem experiência no agronegócio, os sócios estudaram a fundo o mercado desenvolvendo uma produção de hortaliças bem diferente da tradicional, em um projeto que contemplou várias etapas para avaliar a demanda e a viabilidade econômica e tecnológica.

Produção com apoio da tecnologia

A Pink Farms iniciou suas atividades em 2018 na Vila Leopoldina, na capital paulista, em um galpão preparado para manter o cultivo de hortaliças nas condições consideradas ideais, funcionando como uma câmara fria. Estruturas verticais de 7 metros de altura permitem que a produção seja feita em vários níveis para otimizar o espaço. Em cada nível há “caixotes” onde os alimentos são cultivados no sistema de hidroponia e livre de agrotóxicos. A empresa mantém um controle rigoroso para evitar a contaminação.

cultivo de alface na pink farms com led de alta potencia na cor rosa

Leds de alta potência simulam a luz solar

“Controlamos 100% das variáveis de produção, como temperatura, umidade, água e nível de CO2.  Além disso, quantidade, qualidade e potência da luz que a planta recebe em cada etapa do cultivo”, explica Geraldo. O sistema de iluminação artificial é gerado por LEDs de alta potência na cor rosa (daí o nome Pink Farms), que simulam a luz solar.

Desde o momento do plantio até a colheita, todo o processo é automatizado. Para isso, a empresa possui um sistema para controlar aquecimento e filtragem do ar, para que os níveis de ventilação e temperatura estejam adequados, além de um sistema de hidráulica que controla a irrigação das plantas. Com isso, é possível coletar e monitorar os dados de cultivo para melhorar cada vez mais a produção.

“Cuidamos das plantas 24 horas, 7 dias por semana, garantindo que não falte nenhum nutriente para elas”, comenta Geraldo.

fazenda verticial pink farms

Estrutura vertical para cultivo de hortaliças

Conforme crescem, as hortaliças são movimentadas entre os três espaços da fazenda – mesa de germinação, berçário e cultivo. Essa movimentação, além da colheita, embalagem e rotulagem são feitas manualmente.

“Com o crescimento da empresa, vamos tornar os processos cada vez mais automatizados”, afirma Geraldo, acrescentando que a Pink Farms possui atualmente uma equipe de 20 funcionários.

Segundo ele, o tipo de produção adotado pela empresa traz mais qualidade, sustentabilidade e produtividade, utilizando, por exemplo, 95% a menos de água.

Com a produção mais próxima do consumidor, a sustentabilidade também se revela na distribuição dos produtos, que é feita apenas para algumas regiões dentro da capital paulista. Dessa forma, evita-se deslocamentos mais longos e o uso intensivo de caminhões para transporte. Como resultado, o cliente final tem acesso a produtos mais frescos.

Mercado em potencial

Atualmente, a Pink Farms produz sete tipos de alface, que são comercializadas já higienizadas e embaladas, prontas para consumo, tanto para o varejo quanto para o segmento de food service.

Também oferece microgreens (hortaliças em estágio inicial de desenvolvimento), um mercado que a empresa observa potencial de expansão. “É um alimento saboroso e com qualidade nutricional bastante alta, geralmente usado para decoração de pratos em restaurantes. No Brasil, há poucos produtores que trabalham em pequena escala com esse tipo de alimento. Queremos mostrar que os microgreens podem ser muito mais consumidos”, aposta Geraldo.

embalagem e pesagem de microgreens na pink farms

Empresa aposta na produção de microgreens

Diversificar a oferta de produtos está na pauta da Pink Farms, que, em 2020, vai começar a produzir rúcula, espinafre italiano, manjericão, acelga (incluindo a de talo vermelho) e cogumelo.

Nos próximos anos, segundo Geraldo Maia, o objetivo é iniciar o cultivo de tomate, morango, pimentas e algumas opções de PANCs (plantas alimentícias não convencionais).

Rastreabilidade em foco

O consumidor quer conveniência, saudabilidade e, cada vez mais, exige saber a origem do alimento que chega no seu prato.

geraldo maia fundador da pink Farms

Geraldo Maia, fundador da Pink Farms

De olho nisso, a Pink Farms investe na rastreabilidade fazendo o controle interno dos lotes de produção diária. Além disso, adotou o padrão global EAN-13, da GS1, que possibilita identificar e controlar os lotes comercializados para varejo e food service.

“Ainda temos bastante trabalho a fazer nesse sentido. A ideia é fazer a rastreabilidade total para acompanhar cada estágio da planta, cada etapa do processo, com o apoio de códigos”, diz Geraldo, completando que a empresa planeja ter controle não apenas do lote, mas de cada unidade produzida.

Expectativa de crescimento

Com previsão de faturar R$ 2 milhões em 2020, a Pink Farms pretende investir ainda mais na automação dos processos, conforme aumentar a escala de produção – que hoje gira em torno de 960 toneladas/ano.

“O objetivo da Pink Farms é ser a maior marca de consumo de hortaliças e frutas da América Latina no médio e longo prazo. Pensando no curto prazo, vamos inaugurar mais duas fazendas, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro”, conta Geraldo.

Fotos: Divulgação

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