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FGVcev e Gouvêa Experience divulgam estudo sobre futuro do varejo

O Centro de Excelência em Varejo da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGVcev) em parceria com a Gouvêa Experience elaboraram uma pesquisa sobre o futuro do varejo brasileiro na percepção de 592 dirigentes varejistas, incluindo: fundadores, presidentes, diretores, gerentes, entre outros. O levantamento adotou como parâmetro a probabilidade de uma tendência, na visão dos entrevistados, nos próximos três anos. A pesquisa foi dirigida pelo professor Maurício Morgado, coordenador do FGVcev.

Entre os resultados, os entrevistados apontaram alta probabilidade (86%) de que o número de consumidores digitais crescerá fortemente; consequentemente, a preocupação com a privacidade de dados também deve aumentar (probabilidade 73%).

O fator do envelhecimento da população brasileira deve gerar a necessidade de modificações significativas nos produtos, na comunicação e nas lojas como um todo (probabilidade 74,9%).

Sobre o tipo de consumo, grande parte dos varejistas apontou que os clientes irão valorizar o gasto do seu dinheiro com experiências, em detrimento às compras de itens de luxo (probabilidade 68,7%).

Os consumidores valorizarão a rastreabilidade dos produtos, permitindo que saibam onde, como e quando os produtos foram produzidos (65,8%). Além disso, cobrarão ainda mais dos varejistas respeito às diversidades de gênero, racial, política e social (72,6%), mais responsabilidade social das empresas (70,8%) e mais sustentabilidade ambiental (69,8%).

Tecnologia

Nos próximos três anos, os varejistas acreditam que as formas de pagamento instantâneo eliminarão intermediários da cadeia de provedores financeiros para o varejo (probabilidade 73,2%).

Outras tecnologias apontadas como forte tendência foram big data (68,8%) e Inteligência Artificial (66,1 %). Muitos acreditam que surgirão no Brasil superapps, como o WeChat na China, originalmente um aplicativo de mensagens (similar ao WhatsApp) que evoluiu para um ecossistema que permite aos consumidores chineses conversar, navegar e efetuar pagamentos, tudo em um só lugar (probabilidade 66%).

Foi constatada probabilidade média (54,6%) de que o uso de tecnologias de compras por comando de voz, o voice commerce (Alexa, Siri e Google Assistant) será comum e que a educação e treinamento a distância superarão em número de alunos os modelos presenciais de ensino e treinamento (52,8%).

Apesar de bastante otimistas em relação à difusão de novidades tecnológicas, quando perguntados se a loja autônoma, sem funcionários (no estilo Amazon Go) será comum, o resultado revelou uma baixa expectativa, com probabilidade de 39%.

Ambiente varejista

A pesquisa também revela que os varejistas acreditam na tendência de que os ecossistemas de negócios, no estilo Amazon e Alibaba, terão presença forte no Brasil. O Magazine Luiza e o Mercado Livre já fazem movimentos consistentes nesse sentido e são representantes desse movimento.

Os efeitos da pandemia na configuração das áreas de influência das lojas e na vocação das regiões serão bem significativos. Uma parcela dos varejistas já visualiza alta probabilidade de que áreas como a Berrini ou Avenida Paulista, para citar exemplos paulistanos, poderão perder fluxo devido à consolidação do home office como alternativa de trabalho.

A distribuição direta pela indústria, a exemplo das lavanderias Omo, em serviços, ou da Natura e Granado, com suas lojas próprias, é vista com probabilidade média (48,4%). A participação de 1/3 de marcas próprias nas vendas do varejo também é vista com probabilidade média (47,7%), contudo, dado que elas nem representam 10% das vendas no país, já se nota um aumento de interesse por essa estratégia de composição de linha de mercadorias.

Na opinião dos entrevistados, nos próximos três anos, a competitividade crescerá para 79,1%, a rentabilidade diminuirá para 45,2% deles e a concentração (peso dos cinco maiores do setor nas vendas) aumentará para 57,2% dos respondentes. A internacionalização dos negócios aumentará para 37,1% dos entrevistados.

Metodologia

Foram entrevistados 592 dirigentes varejistas, no período de 26 de agosto até 8 de setembro de 2020. Após um brainstorming com cinco especialistas em varejo, foram listados os principais movimentos detectados por eles e verificada a probabilidade de isso tudo acontecer na visão de 91 fundadores, 44 presidentes, 149 diretores, 159 gerentes e supervisores e 44 executivos de outros níveis nas empresas de varejo. Cada um dos respondentes apontou, numa escala de 0% a 100%, qual seria a chance daquela tendência acontecer, de fato, nos próximos três anos.

Para analisar os dados, adotaram-se os seguintes critérios como parâmetro: probabilidade alta: mais de 65%; probabilidade média: entre 40 e 64%; e probabilidade baixa: abaixo de 40%.

Foto: Getty Images

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