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GIC passa por transição de líderes e novos desafios na experiência de consumo

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Ivan Fernandes, da GIC. Crédito: divulgação

Presente no mercado brasileiro há mais de 20 anos, a GIC Brasil tem a missão de inovar e aperfeiçoar a experiência do consumidor no varejo. Este ano, em especial, tem sido bastante marcante para a empresa. O sr. Irineu Fernandes, fundador e presidente da companhia, passa para a presidência do conselho e deixa o seu cargo na responsabilidade de seu filho, Ivan Fernandes.

Com uma transição planejada, o processo tem acontecido de uma forma bastante natural e Ivan está motivado para fazer com que a empresa continue sua meta de trazer o que há de melhor para aprimorar os resultados do setor varejista em todos os aspectos.

Nesse sentido, são metas da companhia aprimorar a experiência do consumidor, alinhar as novas tecnologias com humanização e, para que tudo isso aconteça, valorizar, cada vez mais, o capital humano da companhia, gerindo talentos e motivando a equipe.

Acompanhe, a seguir, a entrevista do novo presidente da GIC para o Portal de Notícias da GS1 Brasil.

A GIC Brasil vive nesta virada de ano momento de transição, com a chegada de um novo CEO e a passagem do fundador à presidência do Conselho. O que a sucessão representa para o negócio?

Temos uma empresa familiar que, no começo das atividades, era mais voltada para  prestação de serviços. Depois, começamos a desenvolver softwares para o varejo.

Começamos com uma empresa técnica, que trazia soluções de tecnologia, rastreabilidade, consultoria para WMS e armazém. Em 2008, começamos com soluções para o varejo alimentar, com o RUB.

Nesse processo, passei por todos os departamentos da GIC, desde operação, financeiro e áreas mais técnicas. E com o avanço da tecnologia, decidi, junto com o meu pai, que estava pronto para a transição e para assumir a presidência da empresa neste ano.

Para que tudo acontecesse dentro do esperado, contratamos uma consultoria em 2022 que nos ajudasse neste período.

E quais serão os pilares da sua gestão?

Gosto de afirmar que a empresa, CNPJ, não cresce. Quem cresce são os CPFs que estão dentro dessas empresas. São as pessoas. E amo trabalhar com pessoas. As pessoas com propósito alinhados com a empresa, que querem uma evolução, terão sucesso por aqui e, consequentemente, teremos entrega de valores para o mercado.

Nós pedimos uma avaliação de entrega de valor para os nossos clientes do varejo alimentar e alcançamos a nota 84 que é bastante alta. Acredito muito na cultura da empresa, transformação do time e a transformação do País a partir do empreendedorismo.

Ainda falando sobre a transição de cargos na liderança, empresas familiares costumam ter dificuldades em formar boas equipes de liderança porque, muitas vezes, elas são formadas apenas pelo grau de parentesco dos envolvidos e não pelo preparo dos mesmos para o posto. Qual a importância de você ter passado por todas as áreas dentro da empresa e se capacitado antes de chegar à presidência?

Sou fui filho de empresário. Me formei em administração e na minha carreira fui passando por diversas áreas. Nunca trabalhei numa grande empresa, por exemplo. Mas há 23 anos sou voluntário como chefe de escoteiros e isso me deu bastante experiência de trabalho em equipe, coordenação, logística e estrutura, algo que me ajudou muito para começar a operação dentro da GIC.

Além disso, sempre trabalho com o conceito da “eutagogia”, que é quando você pega um material que é importante e estuda aquilo que é relevante para você dentro deste escopo. No meio do caminho me formei. Acordo às 4 da manhã, treino e leio todos os dias.

Também temos na GIC um conselho administrativo e as pessoas-chave passam por mentoria. Me comprometo com o desenvolvimento das pessoas e faço a minha eutagogia. Somado a tudo isso, temos a confiança de deixar os colaboradores da GIC trabalharem com liberdade, estimulando a inovação. Portanto, nossa transição foi muito cuidadosa e tranquila.

Temos o propósito de ser uma plataforma de promoções para transformar a experiência de compras no varejo. E estamos fazendo isso acontecer com o nosso time.

Em linhas gerais, quais serão os seus principais esforços na gestão do negócio?

Nossa missão é comercializar 5 mil licenças dos nossos produtos. Para tanto, estamos fazendo o possível dentro do marketing e da área de novos negócios porque queremos alcançar esse número de licenças dentro do varejo.

Nós temos, por exemplo, uma solução que captura dados dos produtos em exposição. E a ideia com ela não é nem a de levar informação do varejo para a indústria ou da indústria para o varejo. A ideia é fazer com que entendam melhor a qualidade da informações úteis para toda a cadeia.

O que é possível esperar da GIC Brasil neste novo momento e como a empresa visiona a expansão na América Latina?

Estamos fazendo uma grande aposta, por exemplo, em imagens e robôs. Temos cada vez mais tecnologias no varejo. Mas nosso objetivo é dar cada vez mais visibilidade para o chão de loja por meio dela. Sem aumentar quadro de colaboradores ou espaço no ponto de venda, conseguimos melhorar a qualidade dos produtos expostos, faturamento e empregabilidade. Portanto, queremos fazer parte dessa geração de valor não só no Brasil, como em toda a América Latina.

Hoje, já temos negócios na Colômbia e no Panamá. E para 2023 vamos explorar mais os novos mercados.

Que tipos de soluções da GIC devem ser levadas para outros países?

Uma das soluções que temos e pretendemos levar para outros países é um robô que faz um reconhecimento do cliente. Por meio de inteligência artificial, se o cliente fala para o robô que precisa de um detergente, por exemplo, essa máquina, que tem o espaço da loja mapeado, leva esse consumidor até o produto.

Então, o primeiro valor desse produto é aprimorar a experiência do cliente. Além disso, ele faz auditoria de presença dos artigos expostos, evitando ruptura. Hoje, a auditoria de vendas é feita por mão de obra humana, mais além de estar mais passível a erros, como as lojas trabalham com equipe reduzida, esse acompanhamento de produtos costuma ser feito uma vez por semana. Com o robô, é possível realizá-la, no mínimo, uma vez ao dia, dando mais agilidade e assertividade ao processo.

Pessoas são a alma do negócio. Como a GIC Brasil valoriza e incentiva o capital humano e quais os caminhos usados para reter talentos na companhia?

Como trabalhamos com propósito, todas as pessoas que trabalham conosco precisam saber quais são eles e, ao mesmo tempo, nossos propósitos precisam estar alinhados com os do colaborador.  Pessoas que têm propósitos e estão alinhados com o da empresa, aumentam o engajamento e vão trabalhar mais satisfeitas.

Além disso, pensamos em todos os outros detalhes que podem contribuir para o bem-estar da equipe. Então, entregamos um escritório agradável, com a luz, mesa e cadeira corretos, pensando no melhor ambiente.

Igualmente, a saúde mental também é levada em conta para que entregam valor. Até mesmo RPG aplicamos regularmente para os funcionários; oferecemos frutas da estação, duas vezes por dia, aumentando a satisfação das pessoas e fazendo com que se sintam em casa.

A eutagogia também é uma premissa básica dentro da equipe da GIC e damos condições para que elas desenvolvam o seu talento e entreguem valor aqui dentro. A maior parte da vida passamos trabalhando, então quando o time acredita no propósito, os resultados chegam espontaneamente.

E como tem sido o processo de humanização das tecnologias? Você acredita que a tecnologia humanizada é o futuro da inovação?

Ainda não vejo os robôs atendendo o público em curto prazo. Ainda vejo a necessidade de interação humana nesse aspecto, até porque, para as pessoas, falar e interagir com um robô ainda é intimidador para os mais conservadores. O próprio self checkout, que tem sido mais disseminado, ainda é.

A meta dos robôs hoje, não é da de atender o cliente ou tirar empregos. O robô chega para ajudar as pessoas e melhorar a qualidade do atendimento, a qualidade do mix e da compra do cliente final.

Você costuma pontuar que “tempo é Vida”, em contraponto à expressão “tempo é dinheiro”: conte um pouco mais sobre o tempo relacionado à Vida.

Essa análise é relacionada com o propósito. Quando falamos que tempo é dinheiro, você está dizendo que usa o seu tempo para fazer dinheiro. Mas se você tem um filho, pais ou pessoas queridas, isso tudo um dia vai acabar e o que queremos é transformar a experiência de compra no varejo por meio do tempo e esse tempo seja transformado em vida.

As pessoas podem comprar com menos tempo e o gestor do varejo também precisará de menos tempo para tomar decisões. E esse tempo pode ser usado com a família, esportes, alimentação saudável…Isso faz toda a diferença. Essa mesma relação fazemos com os nossos colaboradores, que usam o seu tempo para estar aqui com a gente, para alcançarmos o nosso propósito. Dinheiro posso ganhar mais ou menos, mas algumas decisões não voltam atrás. Então, tempo é vida.

Para finalizar, para a GIC, qual a importância de participar de eventos como o Brasil em Código, desenvolvido pela GS1 Brasil?

Uma das principais portas de entrada para o varejo é a GS1. Sabemos da importância política, de articulação e de codificação e estrutura da entidade, que hoje tem uma importância não só nacional, como global. Nossa parte de estruturação das tecnologias, junto com a GS1, é de vital importância.

Fotos: divulgação

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