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Greenwashing: 7 passos para evitar a maquiagem verde

A sigla ESG tem cada vez mais ganhado relevância e presença nas comunicações da empresas na imprensa e também nas ações de marketing.

O termo, que refere-se a boas práticas ambientais, sociais e de governança, vem ganhando mais espaço nos veículos de comunicação e nas campanhas publicitárias.

No entanto, como  as empresas podem fazer seu papel nessas áreas sem cair no erro de divulgar seu impacto ambiental “para inglês ver”?

Confira os 7 passos para evitar o greenwahsing sob a ótica de 4 especialistas ouvidos pelo Portal de Notícias da GS1 Brasil.

1 – Para evitar o greenwashing, empresas precisam ser sinceras e transparentes

Dario Menezes da Caliber. Crédito: divulgação

O diretor executivo da Caliber , Dario Menezes, diz que a prática do greenwashing é nociva a sociedade como um todo, uma vez que ela encobre os erros de algumas empresas e cria uma assimetria de percepção. Tudo fica muito parecido visto que todos, os corretos e os incorretos comunicam da mesma forma.

Porém o nosso contexto com as pessoas em total conexão o tempo todo, reduz esse espaço da propaganda enganosa. Como ela acaba sendo vista por um número maior de pessoas, maior é a chance dela ser questionada em público o que por si só já cria um arranhão na reputação da empresa.

“Pensando nos passos a seguir, entendo que o melhor é sempre contar a jornada da organização em busca de uma melhor performance, sendo sincera e transparente. Isso faz a diferença.”

2 – É necessário alinhar o marketing da empresa com a estratégia ESG

Luiz Maia da Fecomércio-SP. Crédito: divulgação

Para o Coordenador do Comitê ESG da Fecomercio-SP, Luiz Maia, o greenwashing nasce do desalinhamento da ação de marketing da empresa em relação à estratégia de implementação da agenda ESG divulgada ou apresentada pela própria empresa.

“O discurso acaba não correspondendo com a ação e cai no vazio, penalizando a imagem e a liderança da empresa.”

3 – Tenha um programa efetivo de ESG

Leonardo Ugatti Peres da Azeredo Santos & Ugatti Peres. Crédito: divulgação

De acordo com o sócio fundador do Azeredo Santos & Ugatti Peres, Leonardo Ugatti Peres, apesar de não haver uma “fórmula” ou “passos” formais para evitar o greenwashing, alguns cuidados podem ser adotados.

O primeiro deles é não realizar a divulgação de práticas ambientalmente corretas se não houver um programa efetivo.

Para o executivo, as práticas ESG devem ser customizadas para cada empresa, cada tipo de negócio, e a comunidade e ecossistema onde certa empresa está inserida.

“Por exemplo, uma loja roupas de bairro gera efeitos sobre a comunidade local muito diversos de um pequeno laboratório médico: um deles descarta caixas de papelão e, salvo exceções, material reciclável, enquanto o outro pode descartar materiais que trazem risco de infecção ou contaminação e que, se mal descartados, podem afetar a saúde das pessoas da comunidade local.”

4 – Conheça seus riscos diretos e indiretos

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Leonardo Ugatti Peres diz ainda que muitas vezes as empresas desconhecem os riscos diretos e indiretos de suas atividades e avaliam superficialmente suas consequências sobre o meio ambiente.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando uma empresa considera apenas um tipo de impacto ambiental, ou riscos de apenas uma etapa do ciclo de vida dos seus produtos ou serviços, sem verificar, por exemplo, se o descarte daquele produto gera no ambiente após o uso pelo consumidor final, ou mesmo como a cadeia de distribuição do produto é poluente.

“Portanto, cada negócio e empresa devem fazer uma análise crítica sobre os efeitos de suas atividades, e buscar adaptá-las de modo a minimizar ou eliminar as externalidades negativas.”

5 – Defina objetivos de forma pública em um relatório de sustentabilidade

Matheus Medeiros da IHM Stefanini, empresa do Grupo Stefanini. Crédito: divulgação

Já o especialista em sustentabilidade da IHM Stefanini, empresa do Grupo Stefanini, Matheus Medeiros, diz que as empresas devem avaliar quais são seus objetivos ESG a curto, médio e longo prazo.

Esse levantamento pode ser feito por meio do relatório de sustentabilidade a ser divulgado pela empresa.

“Neste documento, pode-se reconhecer sua situação por completo, ainda que atualmente não seja a estrutura mais sustentável. Desta forma, gera empatia com os consumidores, que também se encontram na etapa de se informar sobre o tema e direcionar suas ações para suportar as empresas com estratégias claras de proteção ao meio ambiente e com comprometimento às causas sociais.”

6 – Engaje a liderança da empresa

grupo de jovens lideres

Para Matheus Medeiros é necessário também  ue haja a interlocução, ou seja, que seja estimulado um amplo debate dentro da empresa.

Segundo ele, uma ferramenta interessante é o envolvimento e engajamento da gestão, considerando o roadmap de iniciativas que deveriam ser implementadas, com uma gerência destacada e acessível para discussões.

“Esta gerência deve ser responsável pelo cronograma de implementação das ações voltadas para o ESG.”

7 – ESG se trata também de cultura

sustentabilidade mãos segurando planeta terra

Os temas ambientais, sociais e de governança são transformações que devem ser estimuladas de dentro para fora da empresa.

Segundo Matheus Medeiros, antes de começar a divulgar que a empresa está engajada em causas ESG, é necessário que haja uma estruturação interna e preparação de seus colaboradores para que conheçam do tema.

“ESG se trata também de cultura, de observar desde as pequenas atitudes do dia a dia, que colaboram para uma atuação mais sustentável, até ser capaz de ter uma visão holística dos problemas atuais e formas de solucioná-los.”

Foto: iStock

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