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Home office: o formato de trabalho no novo normal

Diante da pandemia gerada pelo novo coronavírus, o trabalho à distância, o home office, tem sido a alternativa para muitas empresas não interromperem o ciclo de negócios.

O modelo tem dado tão certo para algumas companhias que elas decidiram ampliar o trabalho remoto para a maior parte ou totalidade dos colaboradores.

Segundo estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado no início de junho de 2020, esse modelo pode ser adotado em 22,7% das ocupações nacionais, alcançando mais de 20 milhões de pessoas.

Isso colocaria o Brasil na 45ª posição mundial e no 2º lugar no ranking de trabalho remoto na América Latina, perdendo apenas para o Chile.

Outro levantamento, realizado pela consultoria Cushman & Wakefield, e publicado na revista Exame, em maio, mostrou que 73,8% das empresas pretendem instituir o home office como prática definitiva no Brasil pós-pandemia.

A pesquisa indica que, antes do isolamento social, 42,6% das empresas nunca tinham adotado a prática e, em 23,8% das companhias, o home office não passava de uma possibilidade em análise.

Home office veio para ficar

Muitos profissionais já consideram que o home office será o futuro das empresas. De fato, o que se vê são experiências bastante positivas.

A presidente do banco BMG, Ana Karina Bortoni Dias, lembra que, antes da pandemia, existia, em todo o ambiente corporativo, uma certa restrição em falar sobre home office.

“Essas barreiras psicológicas foram quebradas da noite para o dia. O trabalho em casa funciona bem quando há boas estratégias para manter os colaboradores engajados”, explica a executiva, contando que o banco adotou o home office desde o início da pandemia.

Segundo ela, a percepção do BMG é de que a produtividade dos funcionários se manteve igual e, em alguns casos, até aumentou, durante o período de isolamento social.

Para Ana Karina, uma das explicações para o sucesso do modelo é que o banco se manteve muito próximo dos colaboradores.

“Fizemos uma comunicação transparente, nos comprometemos a não demitir ninguém por questões relacionadas à crise, e oferecemos todas as ferramentas para que o colaborador mantivesse a rotina de trabalho em casa”.

Logo quando o home office foi adotado, o banco liberou as cadeiras de trabalho para que os funcionários as levassem para casa, e substituiu o vale transporte por um valor mensal para auxílio com a conta de internet.

A instituição também passou a oferecer aulas de ginástica laboral, de forma gratuita, a fim de prevenir a má postura, esforço repetitivo e ainda contribuir com uma saúde corporal e mental melhor durante o trabalho.

Também foram pilares importantes nesse período os investimentos em tecnologia, especificamente em sistemas, acessos e equipamentos, e em gestão: os funcionários são convidados periodicamente a participarem do “Ao Vivo com a Liderança”, em que têm um canal aberto de conversa e feedback com a diretoria.

A experiência deu tão certo que, para 2021, o BMG planeja um esquema híbrido de serviço, que abrangerá tanto a presença física do funcionário, em dias variados da semana, no escritório quanto o trabalho em home office.

“Precisamos levar em conta as necessidades dos funcionários. Alguns preferem um, dois ou três dias de casa. Outros querem comparecer todos os dias”, pondera Ana Karina.

Gupy adota 100% de home office

Guilherme Dias, da Gupy – Foto: Divulgação

A Gupy, startup líder em recrutamento e seleção digital por meio de inteligência artificial, também adotou o trabalho à distância desde o início da pandemia, em março deste ano.

“Fomos uma das primeiras empresas a adotar o home office, estendendo o modelo para os nossos 150 funcionários”, relata o CMO e cofundador da companhia, Guilherme Dias, lembrando que, hoje, 100% dos funcionários da Gupy estão trabalhando no modelo home office.

Entretanto, o executivo relembra que, nas primeiras semanas, o processo foi “um pouco mais dolorido”, pois a equipe já mantinha fortes vínculos profissionais e pessoais fortes, com uma relação próxima e de amizade. Mas, aos poucos, a empresa encontrou caminhos para minimizar essas questões.

“Criamos happy hours virtuais, rodas de discussão durante e fora o horário de trabalho, atividades de descompreensão em equipe, como aulas de culinária, por exemplo. Hoje, vemos ‘Gupiers’ que não gostavam do trabalho em casa, já apaixonados pelo modelo”, comemora o executivo.

Ele contou à reportagem do Portal de Notícias GS1 Brasil que, no começo da pandemia, a Gupy precisou ajustar processos, reuniões e ferramentas. Os times de “Gente” e “Gestão”, bem como a liderança, conseguiram implementar as mudanças e, a partir daí, foi possível perceber uma melhoria na eficiência da organização como um todo.

“Todos os ‘Gupiers’ passaram a ganhar um auxílio de R$ 120,00 para investirem em internet de qualidade, além de um suporte único no valor de R$ 1.200,00 para mobiliarem melhor seus escritórios, visto que algumas pessoas precisavam de novas mesas ou cadeiras. Queremos garantir que todos tenham ótimas condições para fazerem do seu espaço profissional pessoal, um lugar prazeroso para trabalhar”, mostra Dias.

Para o processo de comunicação entre os times, foram utilizadas ferramentas digitais, como o Slack (plataforma de comunicação interna para empresas) e o Google Meet (para vídeo chamadas), por exemplo.

Além disso, foi muito importante rever as reuniões de toda a estrutura organizacional, de forma que todos os times passassem a realizar encontros virtuais rápidos no início de cada dia. A ideia era a de garantir a visibilidade de todas as atividades e facilitar a sinergia, principalmente nas primeiras semanas.

Nessa toada, o modelo deu tão certo que a companhia decidiu mantê-lo até dezembro de 2020.

“Conseguimos crescer nossas receitas em 25% no primeiro trimestre do ano e novamente no segundo trimestre, mostrando que nosso ritmo se manteve acelerado graças à performance e garra do nosso time”, pontua Dias.

Ainda assim, ele reforça que, na sua visão, o home office não substitui aquela energia e troca de conhecimento que o escritório corporativo proporciona.

“Mesmo que a gente tenha reuniões diárias e semanais, quando os ‘Gupiers’ estão juntos as ideias surgem mais facilmente. É muito bom estar em equipe. Porém, vimos, por outro lado, que as nossas equipes têm tido resultados animadores mesmo em casa, até os colaboradores que não gostavam deste tipo de trabalho estão apaixonados pelo home office”, salienta Dias, concluindo que, os aprendizados e quebras de paradigmas que a pandemia trouxe às organizações estão mostrando como é possível se reinventar.

Fotos: Getty Images

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