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O planeta terra pode ter que enfrentar, até 2025, um aumento de 50% na produção de plástico, de acordo um relatório produzido pela Fundação Heinrich Böll.

O estudo, batizado de Atlas do Plástico, leva em consideração o consumo de plástico em itens diversos, de embalagens e garrafas até as recém-popularizadas máscaras descartáveis.

Levando em consideração os atuais níveis de produção do material, um incremento desse tamanho é, sem dúvida, um grande desafio global.

Se nenhuma mudança acontecer na nossa relação com o material, mais de 104 milhões de toneladas de plástico irão poluir nossos ecossistemas até 2030, segundo aponta o estudo do World Wide Fund for Nature (WWF).

1,3% do lixo plástico é reciclado no País

O Brasil, segundo dados do Banco Mundial, é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.

Deste total, mais de 10,3 milhões de toneladas foram coletadas (91%), mas apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas, ou seja, reprocessadas na cadeia de produção como produto secundário.

Esse é um dos menores índices da pesquisa e bem abaixo da média global de reciclagem plástica, que é de 9%.

Das 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos produzidas por ano, 17% são de plástico.

Em 2020, segundo dados da Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública), o volume de plástico descartado no Brasil aumentou: foram 13,3 milhões de toneladas – 15% a mais que no ano anterior.

Plásticos de defensivos agrícolas

Quando se fala em embalagens plásticas de defensivos agrícolas o cenário há alguns anos era ainda mais desafiador.

Com a expansão da fronteira agrícola e a modernização do cultivo, cresceu também a utilização de insumos como defensivos agrícolas.

Sem a gestão dos resíduos daí resultantes, certamente haveria impacto ambiental.

Quando as embalagens são abandonadas no ambiente, ou descartadas inadequadamente, podem contaminar o solo, as águas superficiais e os lençóis freáticos.

Há ainda o problema da reutilização sem critério das embalagens, que coloca em risco a saúde de animais e das pessoas.

Essa era a realidade antes da sistematização do programa de logística reversa desses materiais.

Segundo uma pesquisa realizada pela Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), em 1999, 50% das embalagens vazias de defensivos agrícolas no Brasil naquela época eram doadas ou vendidas sem qualquer controle; 25% tinham como destino a queima a céu aberto; 10% ficavam armazenadas ao relento e 15% eram simplesmente abandonadas no campo.

Cenário mudou em 2002

Desde o início da operação, em 2002, o Sistema Campo Limpo alterou complementarmente este cenário e passou a assegurar a destinação ambientalmente correta das embalagens plásticas de defensivos agrícolas.

Neste Sistema, o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), uma organização sem fins lucrativos, atua como gestora, sendo responsável por garantir a eficiência dos processos, pesquisas, concretização e educação ambiental.

Leis federais

O Sistema Campo Limpo é regulamentado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) de nº 12.305/10 e na Lei federal nº 9.974/00, onde há a responsabilidade do descarte de embalagens de agrotóxicos de todos que fazem parte da cadeia de produção e utilização.

Números

Atualmente, no Sistema Campo Limpo, 94% das embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas, comercializadas no País, são encaminhadas para destino ambientalmente correto (reciclagem ou incineração).

A organização sem fins lucrativos também já destinou corretamente mais de 600 mil toneladas de embalagens, desde que começou a operar em 2002.

O Sistema abrange todos os 26 estados brasileiros e o distrito federal.

Fluxo do Sistema Campo Limpo

Em todo o trabalho, agricultores, indústria fabricante, canais de distribuição e poder público têm papéis e responsabilidades específicas e compartilhadas no fluxo de funcionamento do programa.

  1. A indústria fabrica e registra os defensivos agrícolas, que são comercializados por revendas ou cooperativas;
  2. Os agricultores devolvem as embalagens vazias ou sobras pós-consumo nas centrais e postos de recebimento ou nos eventos de recebimento itinerante;
  3. O inpEV, responsável pela logística reversa das embalagens, realiza a sua destinação ambientalmente correta por meio da parceria com empresas recicladoras e incineradoras.

Desafios do inpEV e GS1 Brasil

Embalagens de defensivos agrícolas estocadas na unidade recicladora do Sistema Campo Limpo, em Taubaté/SP. Crédito: acervo InpEV.

A ideia do projeto de automação do processo de rastreabilidade surgiu em outubro de 2019, durante conversas do InpEV e a GS1 Brasil, a fim de melhorar a gestão tecnológica do sistema por meio dos padrões GS1, inicialmente em 2 unidades de reciclagem da entidade e com o intuito posterior de escalar a solução para todo o Sistema Campo Limpo.

O objetivo firmado entre as organizações é aumentar a eficiência já comprovada do Sistema Campo Limpo e ampliar os resultados positivos para a sociedade, com a solução dos seguintes desafios:

  1. Definir a estrutura e as responsabilidades no processo de rastreabilidade, que é identificar a localização das embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas dentro fluxo do Sistema Campo Limpo nas centrais e postos de recebimento e recicladoras.
  2. Monitorar o sistema de rastreabilidade;
  3. Avaliar os potenciais de ganhos de produtividade;
  4. Aprimorar os processos de controle no inventário;
  5. Eliminar erros manuais.

Escopo e entregas

1.    Diagnóstico: o diagnóstico de rastreabilidade – GTC Global Traceability Conformance – Padrão Global de Rastreabilidade, foi aplicado na estação de recebimento da Central de Araraquara e na recicladora Campo Limpo, em Taubaté, ambas no Estado de São Paulo.

Esta etapa, também conhecida por As-Is, foi primordial para o mapeamento de todos os processos envolvidos, desde o recebimento das embalagens vazias, passando pela reciclagem e produto acabado destinado a comercialização, no qual foram analisados 80 pontos de controle em cada unidade respectivamente

2.    Recomendações: baseado nas necessidades dos processos e no diagnóstico realizado, foi sugerido uma série de recomendações com objetivo de aplicação do uso dos padrões globais da GS1, para atender o propósito do projeto.

As recomendações foram consolidadas num relatório detalhado, conhecido também por To Be.

3. Mapa de soluções: foi elaborado um mapa de soluções, composto de hardware e software para automatização e integração entre sistemas e processos, em conformidade com os Padrões GS1.

4. Guia de implementação dos padrões da GS1: para auxiliar nas mudanças e interpretação dos sistemas de automação, foi customizado um material, que contém detalhes sobre as identificações a serem aplicadas em cada etapa do processo, bem como para as soluções de automação envolvidas.

5. Prova do conceito: um processo piloto completo foi realizado no primeiro trimestre deste ano.

Mesmo diante da pandemia, em menos de um ano definiu-se tecnologia, protocolos, modelo de rastreabilidade, logística e método de compartilhamento de informações.

Rollout: o próximo passo, após o término do piloto nas duas centrais de reciclagem do inPEV, será o rollout do projeto, previsto já para o segundo semestre de 2021

Virginia Villaescusa Vaamonde, da GS1 Brasil. Foto: divulgação

“Um dos temas estratégicos que atuamos na nossa vertical de sustentabilidade é a economia circular. A aplicação dos padrões globais GS1, da automação e de um processo eficiente de rastreabilidade, trazem ganhos extremamente relevantes para atender aos enormes desafios logísticos em toda a complexa cadeia de valor de qualquer iniciativa de economia circula”, destaca a CEO da GS1 Brasil, Virginia Villaescusa Vaamonde.

Segundo ela, este projeto com o inpEV é o um grande exemplo de inovação, no aspecto ambiental e em termos globais para a GS1.“Nele, identificamos e rastreamos, de forma automatizada, embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas.”

“Promover a economia circular e a logística reversa é um dever de todos nós, ou seja, organizações sem fins lucrativos, empresas, poder público e sociedade, engajados em proteger e melhorar a vida de todos”, finaliza a CEO da GS1 Brasil.

João Cesar M. Rando do InpEV. Crédito: acervo InpEV

“Com a expertise da GS1 em rastreabilidade e automação atingimos o estado da arte neste projeto, servindo como exemplo das melhores práticas de manejo e destino das embalagens de defensivos agrícolas, protegendo o meio ambiente e as pessoas, em linha com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS”, explica o diretor-presidente do inpEV, João Cesar M. Rando.

Para o executivo, além disso, há a pretenção que essa tecnologia possa ser replicada em outros segmentos do mercado, o que reforça o potencial de escalabilidade global desta iniciativa.”

Ganhos e benefícios

InpEV e GS1: inovação em economia circular. Sistema Campo Limpo tornou-se um case de sucesso global do agronegócio ao contar com o que há de mais moderno em rastreabilidade dos padrões GS1. Na foto, a unidade recicladora de Taubaté/SP. Crédito: acervo InpEV.

Processo escalável: com a implementação do padrão global de rastreabilidade da GS1, o Sistema Campo Limpo passará a ter todas as centrais de coleta e recicladoras no País padronizadas, com gerenciamento online que proporcionará excelência em todo o processo de inventário. Com a definição da estrutura e responsabilidade do processo, ganha-se agilidade e tempo, sendo perfeitamente escalável para novas centrais.

Automação: com a eficiência na automação de alta tecnologia no processo de coleta e reciclagem, o Sistema Campo Limpo passa a ter um processo monitorado, tornando-se um case de sucesso global do agronegócio ao contar com o que há de mais moderno em rastreabilidade dos padrões GS1.

Estratégia: com a tecnologia orientada a dados com 100% de confiabilidade, todas as informações são consolidadas em tempo real, agilizando a tomada rápida a tomada de decisões no Sistema Campo Limpo.

Pessoas e recursos: como a eliminação do processo manual e de trabalho operacional, sujeito a erros, os times do Sistema Campo Limpo agora passam a dedicar ainda mais tempo para atividades mais estratégicas do sistema.

Sustentabilidade: as melhores práticas no manejo e destino das embalagens de defensivos agrícolas protegem o meio ambiente e os trabalhadores das consequências do descarte. Além disso, aplicação correta do descarte atende a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Rastreabilidade no Sistema Campo Limpo: pioneirismo do projeto em aplicar os padrões GS1 promove a rastreabilidade de todas as embalagens na cadeia deste setor, o que vai aumentar a eficiência já comprovada do sistema e ampliar os resultados positivos para a sociedade.

Impacto na sociedade: além dos benefícios a quem manuseia as embalagens e a todo o setor do agronegócio, o projeto causa impacto em todos os setores ao promover economia circular. Este projeto também poderá se estender a qualquer outro setor da economia.

Clique aqui para assistir o vídeo institucional do inpEV para conhecer mais sobre o Sistema Campo Limpo.

Fotos: acervo inpEV e iStock

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