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Legado para o meio ambiente

Legado das Águas, GS1 Brasil, PariPassu, Zebra Technologies e 3M se unem para desenvolver projeto Código Verde para rastreabilidade de espécies da mata atlântica.

Legado das Águas, maior reserva privada da mata atlântica do país
Foto: Luciano Candisani

O Legado das Águas, maior reserva privada de mata atlântica do País, administrada pela Reservas Votorantim, empresa da Votorantim S.A dedicada a gerir seus ativos ambientais, possui 31 mil hectares de fauna e flora nativas e conservadas a menos de 200 km da capital paulista. Foi fundado em 2012 com a proposta de gerar negócios a longo prazo, conservando a fauna e mantendo a floresta em pé. Desenvolve várias frentes de trabalho, entre elas, o viveiro para a produção de mudas nativas destinadas ao paisagismo e ao reflorestamento de áreas degradadas. Assim, comercializa espécies nativas para prefeituras, órgãos públicos, paisagistas, floriculturas, produtores rurais e consumidores finais que se dirigem até a reserva.

No viveiro, uma área de 1,5 mil metros quadrados com capacidade para produzir 200 mil mudas por ano, de 80 espécies diferentes, foi realizado o projeto de automação do processo de rastreabilidade de ponta a ponta – da floresta até o público final. A ideia do projeto surgiu dentro do comitê de inovação do Grupo Votorantim a fim de melhorar a gestão do viveiro e levar informações para o público que compra as mudas – uma forma também de lembrar a necessidade de conservação da mata atlântica.

A partir daí, as equipes do Legado das Águas e da GS1 Brasil se aproximaram e começaram a discutir ideias, incluindo uma visita do comitê ao Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), na sede da GS1 Brasil. “O projeto começou com nossa sugestão para fazer a identificação das espécies da mata atlântica e, depois, evoluiu para a rastreabilidade”, conta o analista de sustentabilidade da GS1 Brasil, Herbert Kanashiro.

A reserva representa 1,5% da mata atlântica que restou do Estado de São Paulo, onde vivem várias espécies animais
Foto: Luciano Candisani

A iniciativa foi elaborada e colocada em prática em tempo recorde. Em menos de um ano, definiu-se tecnologia, protocolos, modelo de rastreamento, logística e método de comunicação. “Entendemos que este é um projeto inovador em termos globais, pois os padrões GS1 identificam, prioritariamente, itens comerciais. Nesse projeto, identificamos e rastreamos plantas nativas, algo inédito na GS1. Além disso, no aspecto ambiental, não temos conhecimento de iniciativas similares que tenham essa aplicabilidade e esse viés de inovação”, afirma Kanashiro. Segundo ele, o objetivo é demostrar para a sociedade que é possível contribuir para a conservação da natureza por meio da integração com a tecnologia.

“Em 2018, vamos operar o sistema de rastreabilidade e incentivar outras instituições a adotá-lo futuramente”, projeta o diretor da Reservas Votorantim, David Canassa, reforçando o potencial de escalabilidade desta iniciativa no mercado.

David Canassa, diretor da Reservas Votorantim
Foto: Divulgação

Automação

Segundo o líder de manejo e recursos naturais do Legado das Águas, Thiago Nicoliello, a rastreabilidade permite mapear a matriz, ou seja, a árvore que forneceu a semente para a produção da muda. O objetivo é identificar a origem e as características das árvores que geram as mudas cultivadas no viveiro para atender à legislação nacional e, principalmente, apoiar e aperfeiçoar a gestão e execução das atividades do viveiro. “Coletamos a semente, produzimos a muda e acompanhamos este processo até o momento de venda. Tudo isso, agora, de forma automatizada”, conta.

Antes da automação, a rastreabilidade era realizada de forma manual. “Preenchíamos uma planilha e depois lançávamos os dados no computador, o que demandava muito tempo. Agora, tudo é feito de forma automatizada, por meio das informações contidas nos códigos. Ficou muito mais fácil e rápido, além de evitar falha humana”, pontua Nicoliello.

No viveiro de mudas são produzidas 80 espécies nativas da mata atlântica
Foto: Kamilla Lopes

Para implementação da automação, foram adotados os padrões globais GS1 de identificação e serviços. A identifcação das espécies é feita com o GTIN (Número Global do Item Comercial) e a localização das matrizes com aplicação do GLN (Número Global de Localização).

Ambos os padrões são cadastrados no CNP (Cadastro Nacional de Produtos). A GS1 Brasil aplicou o Diagnóstico de Rastreabilidade no viveiro a fim de avaliar a utilização correta do uso dos padrões GS1. Para isso, foi aplicado o GTS (Padrão Global de Rastreabilidade), um conjunto de critérios que registram o passo a passo em cada etapa da cadeia, permitindo acompanhar a trajetória e a localização exata de um item a qualquer momento e lugar do mundo. Também foi aplicado o GTC (Programa Global de astreabilidade), um diagnóstico composto por um checklist que contém pontos de controle distribuídos em 12 seções.

Ao concluir esse checklist, é emitido um relatório no qual são apresentados as conformidades e não conformidades, além de sugestões de melhorias.

Parceiros

Para entregar um projeto completo, a GS1 Brasil convidou as empresas PariPassu, Zebra Technologies e 3M, parceiras e associadas da entidade. “A entrega da solução completa em automação só foi possível devido ao engajamento e integração de todos, que se debruçaram para encontrar as melhores soluções desse projeto inédito e desafiador. Todos os parceiros participaram de forma voluntária e colaborativa, sem custos para a Reservas Votorantim, entendendo a sua importância para a viabilidade do projeto”, ressalta Kanashiro.

A PariPassu, empresa especializada no desenvolvimento de soluções para gestão agrícola, rastreabilidade, recall e gestão da qualidade aprimorou sua tecnologia para também rastrear as mudas da reserva. Para isso, utilizou o Sistema Rastreador, para a rastreabilidade das mudas e o aplicativo para smartphone CLICQ, para automação da inspeção e controle de qualidade.

Além disso, o resultado desta coleta de dados permite realizar a análise de dados no Panorama, solução para gestão de indicadores de desempenho, também desenvolvida pela PariPassu. Juntas, essas soluções possibilitam fazer o registro, em tempo real, de todas as na mata até a etapa final de venda.

“Participar deste projeto foi mais uma forma de aplicar o nosso propósito que é inspirar as pessoas e a sociedade para uma vida mais consciente e sustentável através da automação”, afirma a gestora de customer success da PariPassu, Innez Mota.

A 3M do Brasil forneceu as etiquetas BOPP com Liner Scotch 3850 e ribbons mistos 5550I e 5550E para identificar as matrizes, os locais do viveiro e as vendas. “Essas etiquetas e ribbons têm alta durabilidade, ótima resistência à abrasão e qualidade de impressão. Possuem excelente fixação nos mais diversos substratos, além de garantirem uma rápida leitura através dos scanners, agilizando todo o processo de manipulação das mudas”, explica o gerente nacional de vendas da 3M do Brasil, Milton Andrade.

De acordo com ele, a companhia possui diversos objetivos mundiais ligados à sustentabilidade. “Como nosso portfólio contempla soluções que atendem plenamente às necessidades do Legado das Águas, nos sentimos honrados pelo convite e decidimos participar deste importante projeto, que visa a conservação da mata atlântica, melhorando a qualidade de vida das pessoas e de toda a sociedade, nesta e em futuras gerações”, resume Andrade.

Já a Zebra colaborou com quatro coletores de dados e uma impressora. O sales enginner leader da Zebra, Paulo Takahashi, explica que a definição dos modelos levou em consideração a integração com as soluções dos demais parceiros e também as condições adversas que os equipamentos seriam submetidos.

“Os coletores TC55 são altamente resistentes e adequados para trabalhar tanto na mata quanto no viveiro, ambientes extremamente úmidos e expostos a condições climáticas adversas, vêm com GPS integrado, o que é essencial para a catalogação das matrizes, e também com a solução integrada de rastreabilidade da PariPassu, o que permite inserir as informações coletadas automaticamente no sistema. Já a impressora ZT410 é um modelo industrial de transferência térmica própria para trabalhar com as etiquetas e ribbons da 3M e também extremamente resistente às condições climáticas”, afirma Takahashi.

Segundo a gerente de marketing da Zebra, Shirley Klein, o projeto tem total aderência às crenças da companhia a respeito da sustentabilidade. “Investimos constantemente para reduzir os impactos ambientais que o ciclo de vida de cada um de nossos produtos pode acarretar. Ter a oportunidade de integrar esse projeto, uma iniciativa sem precedentes, além de colaborar para a conservação da biodiversidade, serve para ampliar ainda mais nossos investimentos neste segmento e, de bônus, ainda traz um sentimento de orgulho para toda a equipe”, conclui.

Benefícios

O Legado das Águas tornou-se um verdadeiro laboratório a céu aberto, onde cientistas e pesquisadores desenvolvem estudos sobre as mais diversas espécies animais e vegetais da mata atlântica. Dessa forma, aprendem tudo na prática. De acordo com Canassa, a rastreabilidade apoiará muito esses estudos, pois a empresa conseguirá identificar, por exemplo, quais são as matrizes com maior capacidade produtiva e mais resistentes a pragas, o que garantirá, no futuro, árvores de melhor qualidade.

Rastreabilidade com uso de códigos permite mapear a origem e as características das árvores

“O sistema de rastreabilidade contribuirá ainda mais para compor essa bibliografia sobre as espécies da mata atlântica, que ainda é escassa”, completa Nicoliello. Outra vantagem da rastreabilidade é dar a garantia de origem para empresas e consumidores finais que adquirirem as mudas. Com todas as informações das matrizes estruturadas e mais acessíveis por meio da automação, quem compra a muda consegue saber sua origem, suas características e o que ela  representa no contexto da mata atlântica.

A automação também facilita a gestão do viveiro, pois proporciona dados mais apurados e consistentes, além dos ganhos de performance e agilidade. Também permitirá mais eficiência para a venda das mudas ao varejo. As mudas já prontas para a comercialização agora são identificadas com uma etiqueta com o GTIN, padrão solicitado pelos varejistas aos seus fornecedores

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