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Metaverso: como ele deve mudar o mundo dos negócios?

Um espaço virtual compartilhado e coletivo, criado pela convergência da realidade física e digital virtualmente aprimorada. É persistente, proporcionando experiências imersivas aprimoradas, bem como independente e acessível de qualquer tipo de dispositivo. Essa é a definição do Gartner para o Metaverso, tema que tem ganhado proporções cada vez maiores no mundo dos negócios.

Em entrevista ao Portal de Notícias da GS1 Brasil, o professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Miceli, explicou que o Metaverso foi criado pela primeira vez em 1992, num livro de ficção científica chamado Snow Crash (que também já foi publicado aqui no Brasil como Nevasca) e que tem autoria de Neal Stephenson.

“A obra traz um personagem que é um entregador de pizza que, na vida real, se transforma num hacker samurai”, conta Miceli. Na obra, as pessoas usam avatares digitais de si mesmas para explorar um universo online, como uma extensão do universo ‘verdadeiro’. “É isso que o Metaverso representa: uma extensão do nosso universo. Um ambiente digital, como uma implementação de uma cidade, onde através de alguns dispositivos eletrônicos você se conecta para viver uma outra vida”, diz.

E de lá para cá, o conceito tem crescido exponencialmente no mercado, especialmente depois que Mark Zuckerberg anunciou a mudança de nome do Facebook para Meta. De acordo com o Gartner, Inc., a previsão é de que, até 2026, 25% das pessoas passarão pelo menos uma hora por dia no Metaverso para trabalho, compras, educação, social e/ou entretenimento.

“Os fornecedores já estão criando maneiras para os usuários replicarem suas vidas em mundos digitais”, afirma o vice-presidente de pesquisa do Gartner, Marty Resnick. “Desde a participação em salas de aula virtuais até a compra de terrenos digitais ou a construção de casas virtuais, temos visto que as atividades estão sendo realizadas, atualmente, em ambientes separados. Eventualmente, no futuro, elas ocorrerão em um único ambiente, o Metaverso, com vários destinos em tecnologias e experiências.”

Apesar do Metaverso ainda soar um tanto quanto futurista, os especialistas afirmam que ele já é uma grande realidade, que deve se fortalecer em poucos anos. “Do ponto de vista de negócios, há muito o que evoluir, mas, sem dúvidas, em um ou dois anos teremos um movimento muito grande e uma realidade muito mais madura. Independentemente do que está acontecendo agora com a Meta (antigo Facebook), Microsoft e Nvidia estão envolvidas na construção dos seus próprios Metaversos, o que vai impactar o mercado”, pontua Miceli.

Metaverso no ambiente de negócios

Este novo conceito também afetará a forma como o trabalho é feito. Segundo previsão do Gartner, as organizações fornecerão melhor engajamento, colaboração e conexão com seus colaboradores por meio de escritórios virtuais em espaços de trabalho imersivos.

As empresas não precisarão criar sua própria infraestrutura para fazer isso porque o Metaverso fornecerá a estrutura. Além disso, os eventos virtuais que ganharam popularidade nos últimos 18 meses oferecerão oportunidades e workshops de networking mais colaborativos e imersivos.

“As empresas terão a capacidade de expandir e aprimorar seus modelos de negócios de maneiras sem precedentes, passando de um negócio digital para um negócio Metaverso”, projeta Resnick, avaliando que até 2026, 30% das organizações do mundo terão produtos e serviços prontos para esta realidade.

A adoção de tecnologias de Metaverso é incipiente e fragmentada, e o Gartner alerta as organizações sobre que essa aposta faça parte do planejamento estratégico da empresa.

“Ainda é cedo para saber quais investimentos serão viáveis no longo prazo, mas os gerentes de produto devem dedicar um tempo para aprender, explorar e se preparar para um Metaverso adequado para se posicionar de forma competitiva”, completa Resnick.

Tecnologias envolvidas

nft no metaverso

Como nenhum fornecedor será o proprietário do Metaverso, o Gartner espera que ele tenha uma economia virtual habilitada por moedas digitais e tokens não fungíveis (NFTs). Na prática, isso significa que o NFT  é um bem digital único e insubstituível.

Um exemplo se deu quando o cofundador do Twitter, Jack Dorsey, vendeu seu primeiro tweet como um “produto” exclusivo em todo o mundo e, portanto, um NFT, que foi pago com criptomoeda.

Além deste, Miceli cita outros exemplos. “Temos o blockchain, que vai armazenar as transações que estão sendo realizadas; temos as criptomoedas, que serão utilizadas nessas novas transações financeiras; os gadgets (óculos) que vão permitir as inserções das pessoas no metaverso; jogos (sistemas operacionais); e elementos digitais que implementam o Metaverso propriamente dito”, enumera o especialista, acrescentando que quando todas essas peças são somadas, é inevitável ter mais equipamentos conectados, trazendo à tona a importância do 5G, para ganho de mais velocidade e estabilidade.

Como ficam indústria e varejo nesta realidade?

Existem diversos caminhos pelos quais a indústria, varejo e consumidores podem passear pelo Metaverso. Acompanhe:

Indústria

Num primeiro momento, a indústria pode utilizar o Metaverso para a realização de treinamentos,  capacitação e suporte. “Posso ter um especialista em uma determinada máquina numa cidade distante que dá suporte para as pessoas que estão mexendo num mesmo equipamento ao redor do mundo, por exemplo”, mostra Miceli.

Outra possibilidade é o uso dos ‘digital twins’, peças digitais gêmeas das reais. “A indústria pode usar essa solução para teste, verificando, num ambiente digital, se ela funcionaria. Com esse processo, a empresa pode produzir os seus equipamentos em condições muito mais próximas do mundo real ou diminuir muito a incerteza no processo de construção, reduzindo os custos em inovação”, exemplifica.

No varejo

O metaverso deve mudar completamente o universo do consumo, com a mudança da experiência. “O consumidor poderá, por exemplo, conseguir visualizar como determinadas roupas vão ficar fisicamente”, diz o especialista da FGV, acrescentando, ainda, a possibilidade de consumo de elementos digitais (NFL).

Fotos: iStock

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