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Negócios levantam voo com o uso de drones

Veículo aéreo não tripulado ou aeronave remotamente pilotada. Essa é a definição dos drones, aeronaves que não necessitam de pilotos embarcados e que são cada vez mais utilizados pelas empresas.

Com origem militar, inicialmente, esses equipamentos eram usados para operações de reconhecimento e ataque. “Seu tamanho pequeno e imagens de alta qualidade possibilitam reunir informações e identificar alvos, mantendo os danos civis o mais longe possível”, diz a analista do Gartner, Kay Sharpington.

Mas a força dos drones tem feito esses equipamentos ficaram na mira de muitas empresas, já que podem ser aplicados em diversos setores, conforme apurou a reportagem do Portal de Notícias GS1 Brasil .

As previsão para faturamento, em nível global, deve atingir US$ 32,83 bilhões em 2026, segundo a ResearchMarkets.com em estudo divulgado em dezembro de 2019.

No Brasil, segundo pesquisa da MundoGEO, promotora da feira DroneShow, o mercado movimentou R$ 500 milhões em 2019, envolvendo negócios como vendas dos equipamentos, sistemas embarcados e prestação de serviços.

“Mais de 30 mil pessoas já trabalham neste setor no Brasil. O crescimento anual do setor vem sendo de 30% ao ano”, destaca o CEO do MundoGEO – DroneSHOW, Emerson Granemann.

A especialista do Gartner afirma, inclusive, que o mercado brasileiro tem crescido mais do que a média global. “No Brasil, os embarques comerciais de drones registraram alta superior a 100% em 2019, em comparação com 72% no mundo”, destaca.

Aplicações atuais

Os drones são uma maneira muito mais rápida, fácil e segura de realizar inspeções visuais e adquirir imagens. Além de eficientes, eles reduzem os custos de alguns processos.

“O processo fica muito mais barato se a ideia é a captação de imagens, por exemplo. Se estamos falando de uma cultura agrícola, se as fotos não forem feitas por drones, as imagens panorâmicas precisariam ser feitas com um avião, o que é muito mais caro. E se fossem tirar as fotos manualmente, em solo, seriam necessárias cerca80 pessoas para compensar o que um drone faz”, exemplifica Eduardo Goerl, fundador e CEO da startup especializada em pulverização agrícola por meio de drones Arpac.

A executiva do Gartner, Kay Sharpington, aponta algumas aplicações atuais dos drones no País. Acompanhe.

Construção civil

O monitoramento da construção é um dos principais casos de uso de drones no Brasil. Os canteiros de obras são geralmente grandes e espalhados, e as empresas têm dificuldade de monitorar a área. Os drones oferecem, assim, a capacidade de pesquisar possíveis locais de construção, além de rastrear, medir e reportar o que está acontecendo no local durante os projetos.

Varejo

Os drones também podem ser usados ​​para gerenciamento de estoques, pois é muito mais fácil ver e mapear o tamanho de um estoque no ar. Consequentemente, pode-se reduzir o excesso de pedidos e garantir que os suprimentos estejam no lugar certo, na hora certa.

Agricultura

Com os drones no setor agrícola, os trabalhadores não precisam percorrer os campos para identificar áreas de doenças ou ervas daninhas, reduzindo o tempo gasto pelos funcionários no monitoramento e acelerando significativamente o processo. A saúde da colheita pode ser monitorada usando imagens de infravermelho e luz visível, em vez de os funcionários avaliarem e registrarem problemas manualmente. Além disso, os drones podem pulverizar pesticidas e fertilizantes em áreas específicas.

Pecuária

Os drones podem ser usados para rastrear animais. Alarmes podem ser acionados se os animais deixarem áreas geocercadas, o que significa que os funcionários não precisam gastar tempo fazendo verificações físicas e contagens em grandes áreas.

Tags de rastreamento ativos significam que a saúde dos animais pode ser observada remotamente e não no campo, com base em parâmetros como estro e temperatura. Dessa forma, doenças e condições ideais de acasalamento podem ser detectadas com mais precisão.

Projeções futuras

Vale lembrar que a legislação é rígida para colocar esses equipamentos em operação. Segundo Eduardo Goerl, da Arpac, as regras não podem ser vistas como barreira, mas, sim, segurança para todo o espaço aéreo.

“Para a operação dos drones, é preciso a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que controla o enlace dos dados. Dependendo do setor que se atua, ainda são necessárias autorizações especiais. Para pulverização de área agrícola, por exemplo, o Ministério da Agricultura precisa ser envolvido. Já para as imagens, o Ministério da Defesa”, enumera Eduardo.

À medida que os regulamentos e a legislação se desenvolvem e a capacidade técnica dos drones melhora (com mais autonomia e funções), eles serão usados ​​para transportar mercadorias no varejo.

drone usado para entrega de produto

“Atualmente, os varejistas enfrentam os custos com veículos, combustível e salários dos motoristas, o que significa que os drones têm o potencial de fornecer economias de custo significativas. As estimativas colocam o custo da entrega do drone em US$ 0,5 centavos por milha, em comparação com mais de US$ 1,50 para a entrega de caminhões”, compara Kay.

O CEO do MundoGEO considera que apesar dos entraves regulatórios, o uso de drones no transporte de medicamentos e alimentos em regiões remotas já é realizado em países africanos.

No Brasil, também já começam a ser realizados os primeiros testes. “O iFood deverá iniciar entregas regulares em Campinas nos próximos meses em operação aprovada pelos órgãos reguladores, e a responsável pela operação será a startup brasileira Speedbird Aero. Para tanto, é necessário certificar os drones e aprovar as rotas previamente”, exemplifica Emerson Granemann.

Nos próximos anos, com a tecnologia  de controle do espaço aéreo evoluindo estas operações tende a se massificar.

“Na medida que mais drones obtenham certificação junto a Anac estas barreiras vão caindo, os benefícios serão ampliados e os negócios vão crescer. Além disso, estes equipamentos vão fazer parte da cadeia logística e atuarão  juntos com outros modais como bikes e motos de forma complementar”, acredita o CEO do MundoGEO.

Desafios e mudança nas operações

Para que a evolução do mercado de drones aconteça da forma esperada, alguns desafios ainda precisam ser vencidos.

Muitos países exigem, por exemplo, que cada drone seja supervisionado por um piloto treinado, mesmo que ele seja capaz de voar autonomamente.

“Para operações menores, isso pode inviabilizar a execução de um programa de drones internamente, pois os custos de treinamento, certificação e salário podem superar os benefícios e limitar a adoção desta solução”, exemplifica Kay.

A implementação de programas de drones exige, assim, que as empresas passem por uma grande mudança na maneira como realizam as operações.

Além de necessitar de habilidades para operar drones, gerenciar os dados e interpretar os padrões, a equipe precisa se comunicar e agir com base nos resultados.

“As informações e o modo de trabalhar precisam ser integrados aos processos em toda a organização e nem todos os funcionários estarão confiantes em adotar a mudança”, prevê a especialista da Gartner.

O custo desses equipamentos também é um desafio. O valor depende do hardware usado, dos recursos adicionais, como câmeras HD e pacotes de sensores escolhidos.

“Em muitos casos, o sensor embarcado é mais caro que o drone, com os equipamento a laser, termais ou multispectrais”, afirma Eduardo Granemann, ponderando que embora ainda seja alto, os custos estão diminuindo ao longo do tempo, à medida que a tecnologia se torna mais popular.

Fotos: Getty Images

 

 

 

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