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Neuromarketing deve ganhar mais relevância nas PMEs

90% de todo e qualquer tipo de informação que chega ao cérebro é processada de maneira inconsciente, segundo a Forebrain, primeira empresa brasileira a desenvolver pesquisas sobre o envolvimento da neurociência nas atividades de consumo.

Por isso, as ferramentas e as técnicas de venda mudaram e as MPEs precisam se atualizar, caso queira estar à frente da sua concorrência.

Uma destas ferramentas importantes é o neuromarketing, que é uma junção de duas palavras: neurologia e marketing.

O objetivo é compreender qual a influência neurológica que determinadas ações de marketing têm no comportamento do consumidor.

Mas qual é a definição de  neuromarketing? Além disso, quais os benefícios que ela traz para as MPEs e como os empreendedores podem aplicá-la já de olho no crescimento do neuromarketing no pós pandemia?

Billy Nascimento da ESPM. Crédito: divulgação

Em entrevista ao Portal de Notícias da GS1 Brasil, o professor de neurociência da ESPM e CEO da Forebrain, Billy Nascimento, explica que neuromarketing pode ser definido como qualquer marketing ou pesquisa de mercado que utiliza os métodos e técnicas da neurociência, psicologia social ou economia comportamental, ou é informado pelos resultados e insights oriundos dessas áreas.

“Como as outras pesquisas, o neuromarketing busca ajudar uma empresa a direcionar melhor os investimentos estratégicos de Marketing, Publicidade, Branding, Shopper e Desenvolvimento de Produto, visando um maior retorno desses investimentos. A grande e mais importante diferença entre as pesquisas tradicionais e o Neuromarketing está em como se obtém as respostas, sempre utilizando metodologias capazes de acessar os processos implícitos e respostas fisiológicas que estão fora do controle consciente do consumidor”, explica.

Benefícios do Neuromarketing

As MPEs lidam com o mesmo cenário das grandes empresas.

Entretanto, devido ao menor faturamento precisam priorizar investimentos e torná-los cada vez mais assertivos.

Nesse contexto, o neuromarketing atua com muita objetividade e é uma ferramenta eficiente em basear todas as estratégias Customer Centric.

Dessa maneira, além de ser capaz de observar a resposta emocional dos consumidores de forma mais direta e objetiva, também é capaz de fugir de questões como o viés social ou a dificuldade do próprio relato.

“É no inconsciente do consumidor que mora a grande chave de sucesso das marcas. Pensando principalmente em PMEs, ainda é um instrumento muito pouco utilizado. Além de trazer destaque competitivo, migra as empresas do achismo para a ciência comprovada”, explica o professor da ESPM.

Neuromarketing foi impulsionado na pandemia

A pandemia trouxe muitas consequências para o comportamento dos consumidores e, claro, para as empresas também.

“Vimos uma necessidade de adaptação contínua para adaptar seus modelos de negócios para navegar em condições em constante mudança. O neuromarketing é não só uma tendência, como um instrumento necessário para entender a realidade do consumidor diante de constantes transformações e encontrar uma direção assertiva em meio a tantas incertezas. Para que isso ocorra agora, é preciso colocar as pessoas no centro da estratégia”, disse Billy.

Segundo o professor da ESPM, diante de um mercado onde mais da metade dos produtos lançados são descontinuados, devido à baixa demanda dos consumidores, é imprescindível que as empresas ofereçam produtos que de fatos os consumidores desejam e nesse contexto.

“O neuromarketing consegue atuar como uma ponte que conecta os valores que as marcas querem oferecer e os desejos que os consumidores contemporâneos aspiram. Se existir um desequilíbrio entre esses valores, os produtos fracassam. As ferramentas do neuromarketing são capazes de atuar não só no processo de desenvolvimento de produtos, mas também em toda a comunicação, posicionamento e destaques competitivos. É uma jornada completa de ponta a ponta”, ressalta.

Caso de sucesso


Um dos casos de sucesso de uma MPE, segundo o professor, é a do segmento de produtos lácteos.

Esta empresa vinha enfrentando grande concorrência de mercado e tinha o desafio de identificar se os valores do produto estavam sendo percebidos pelos consumidores e quais territórios a marca poderia ocupar.

“Após a realização de um estudo que avaliou e comparou as associações implícitas e explícitas ativadas pela embalagem do cliente e de outras duas concorrentes, utilizando duas metodologias: TIP (Teste Implícito de Priming) e TER (Teste de Escolha Rápida), foi possível  identificar com os resultados que os consumidores não associam implicitamente o produto do cliente com diversos conceitos apoiados pela marca. Além disso, tinham pouco vínculo emocional com os atributos desejados. Dessa forma, foi possível direcionar a empresa sobre a importância de construir uma comunicação capaz de criar memórias emocionais e associativas da marca com os valores e propósitos defendidos por ela”, detalhou Billy.

3 dicas para implementar o neuromarkeing na sua empresa

Confira os 3 passos fundamentais listados pelo professor da ESPM e CEO da Forebrain, Billy Nascimento.

1 – Tenha uma estratégia

Quando se fala em MPEs, o investimento em neuromarketing precisa ser priorizado em uma questão mais estratégica para que se torne mais assertivo.

2 – Defina o seu propósito antes de começar

Antes de partir para a neuro de fato, é preciso ter clareza do que é mais relevante para o seu negócio e de qual é a entrega de valor para o seu consumidor.

3 – Inicie com o que é mais relevante

A sugestão é começar diretamente em estratégias de branding ou com produtos que são carros-chefes da companhia.
Foto: iStock

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