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O Boticário mostra benefícios da IA no setor de perfumaria

A inteligência artificial (IA), que já vem sendo utilizada para conseguir avanços em diversos setores do mercado, chegou à área de perfumaria. O Boticário criou o primeiro perfume do mundo com apoio da IA em um projeto desenvolvido em parceria com a IBM e a Symrise, uma das maiores produtoras globais de fragrâncias com sede na Alemanha e presente em vários países, como aqui no Brasil.

O match que levou inovação para este setor foi apresentado durante o Brasil em Código – Conferência Internacional da GS1 Brasil, realizado em junho de 2019 pela entidade.

Nesta iniciativa, O Boticário lançou dois perfumes – Egeo On You e Egeo On Me – com notas de frutas, flores, especiarias, madeiras e leite condensado. “Escolhemos justamente a marca Egeo, que é direcionada para um público jovem, que gosta de novidades e que não tem medo de errar”, disse pesquisadora da área de pesquisa e desenvolvimento da categoria de perfumes de O Boticário, Monique Cantu (foto) durante sua palestra no evento.

O sistema de IA, chamado Philyra, criou combinações a partir do cruzamento de dados de consumo, vendas, ingredientes e fórmulas. “Como a Symrise tem muito tempo no mercado, introduzimos na Philyra dois milhões de fórmulas para ela analisar e determinamos alguns critérios, por exemplo, se queríamos uma fragrância mais sensual ou opulenta. Dentro dessas milhões de possibilidades, o sistema selecionou as melhores fragrâncias”, contou o perfumista na Symrise, Isaac Sinclair.

Ao contrário do que se pode imaginar, o trabalho do perfumista, que é considerado uma arte, não ficou em segundo plano. “Assim como um músico, que ao ler a partitura já pode imaginar na cabeça como será a música, nós perfumistas também podemos fazer isso. Analisando os elementos e as fórmulas já podemos imaginar como será a fragrância. E a Philyra mostrou opções em três categorias. Na primeira categoria, as opções conservadoras, ou seja, menos criativas. Na segunda, o sistema foi um pouco mais longe, indicando fragrâncias que saem do comum, e, na terceira categoria, apontou as opções inovadoras”, explicou Sinclair.

A IA revelou algumas surpresas, como a escolha de elementos inusitados e que normalmente não são utilizados na criação de perfumes, como leite condensado e pepino. “Foi um match perfeito entre o mundo dos dados e arte”, disse Monique.

Tecnologia apoiando a criatividade

O uso da IA proporcionou vários benefícios, como menor tempo de desenvolvimento comparado ao método convencional.  “Em vez de começar a produzir uma fórmula do zero, a Philyra já trouxe dados para nós. Depois, avaliamos as fórmulas que tinham maior potencial. Para mim, a IA ajudou a ser mais criativo. Eu não teria colocado algumas essências nos perfumes de O Boticário, mas como o sistema já conhece milhões de fragrâncias, ele sabe quando é inovador ou não”, explicou Sinclair.

“Temos muito orgulho desse trabalho feito em parceria com IBM e Symrise. Mais do que o resultado de vendas, que é o foco do negócio, tivemos muita repercussão em mídia no Brasil e no mundo, gerando rentabilidade em imagem de inovação. A novidade foi divulgada em mais de 270 veículos de comunicação, como Forbes, Exame, entre outros”, afirmou Monique.

Os participantes do Brasil em Código tiveram a oportunidade de conhecer essa inovação e provar as fragrâncias no espaço do evento dedicado ao networking.

 

Foto: Jair Leite

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