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Pandemia muda hábitos de consumidores de marcas de luxo

Em tempos de pandemia, o luxo virou consumo não essencial e as grifes tiveram de reinventar a forma de se comunicar. Um estudo com consumidores do mercado de luxo no Brasil feita pela Hibou, empresa de pesquisa e monitoramento de mercado e consumo, mostra a mudança de hábito desse público.

Para 72% a grande preocupação na pandemia foi a saúde da família, portanto alimentação, saúde mental e outras atividades precisaram ser repensadas. O lar ganhou novo significado: a sala de estar e cozinha tomaram novas proporções, onde a família -mesmo sem se desconectar do celular – está mais próxima e interativa.

O estudo mostra que 53% passaram a se preocupar com o próprio bem-estar, ampliando o olhar para o eu e ressignificando relações com pessoas e marcas. A roupa de ficar em casa não é a velha e surrada, ela precisa ser confortável, mas pode ser dentro dos padrões que estão habituados.

Segundo a pesquisa:

  • 46% do público consumidor de luxo não teve redução financeira neste período de pandemia;
  • 56% definiram claramente o impacto negativo que a falta de contato pessoal e físico fez na sua rotina;
  • 49% não se identificam com os serviços e negócios do seu bairro;
  • 20% nem sequer tentaram uma nova relação de consumo.

Compras mais seguras

De acordo com a pesquisa, 64% já tinham o hábito de comprar online e 58% gostam de ir ao shopping de sua preferência para comprar suas marcas favoritas. O consumo no bairro já não fazia parte dessa rotina e ficou de fora no desenho pós confinamento.

Assim, 27% querem manter o hábito antigo de compras nas lojas físicas, mas para isso precisam sentir que estão seguros. Sair menos para locais públicos será uma premissa nos próximos meses, mas se deslocar para ambientes controlados como casa de amigas ou ambientes de rua que possuam um fluxo menor de pessoas tende a ser a escolha inicial. Inclusive, 71% das pessoas que programavam uma comemoração “externa” no segundo semestre já consideram realizá-la para um grupo um pouco menor dentro da sua casa.

O grande legado da quarentena é a distinção entre o que é essencial e o que é prescindível. Para 91% dos entrevistados, ser transparente com os procedimentos de higiene dos espaços – principalmente nos shoppings, peças e cuidado com equipe – farão marcas permanecerem na lista de favoritas ou não.

A responsabilidade social será um fator de desempate entre as marcas preferidas: 74% querem algo das marcas que ama além do “nome”, e 64% pretendem optar, dentre as suas favoritas, aquelas que colaboraram ou colaboram gerando empregos e ajudando pessoas em grupo de risco.

“O luxo se baseia em qualidade e estilo e por isso vai continuar existindo, mas as marcas agora precisam se engajar com mais proximidade e trazer consigo mais responsabilidade social e ambiental, fatores que os consumidores estão mais de olho”, avalia coordenadora da pesquisa, Ligia Mello.

Metodologia da pesquisa

Neste estudo, após cruzamento de algumas pesquisas proprietárias e análises personalizadas dentro do target de alto padrão, a Hibou levantou um conteúdo baseado na opinião dos entrevistados e na visão de mercado com foco nos negócios e no retorno a uma rotina diferente daquela a que estavam acostumados. A pesquisa foi realizada com mais de 500 consumidores brasileiros de classe social A, sendo 78% mulheres e 22% homens, heavy buyers de roupas e acessórios de alto padrão, em maio de 2020, em formato de questionário digital.

Foto: Getty Images

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