Escreva para pesquisar

Pesquisa: mulheres mais jovens abraçam o empreendedorismo

O caminho da igualdade de gênero ainda é bastante distante no universo profissional. Quando o assunto é o empreendedorismo feminino, o acúmulo de tarefas, os vieses inconscientes e a falta de acesso a capital são problemas que continuam impedindo muitas mulheres de se tornarem donas do seu próprio negócio.

No entanto, uma pesquisa feita em parceria pelo Movimento Aladas e o Sebrae São Paulo apontou que a sociedade vive um novo momento, no qual o futuro igualitário pode estar mais perto do que imaginamos. Segundo o levantamento, mulheres mais jovens estão partindo para o mundo do empreendedorismo e a necessidade abriu espaço para a busca do sonho na hora de ter sua própria empresa.

Para Daniela Graicar, fundadora do Aladas, diferentemente do perfil da empreendedora de 2019, que partia para esse caminho por conta da necessidade de trazer renda para casa, hoje as mulheres olham além. “Elas estão desenvolvendo novas habilidades, estudando e se dedicando ao seu negócio, como os homens já fazem há muito tempo. Empreender passa a ser uma escolha de muitas”, destacou.

Principais resultados do levantamento

De acordo com o levantamento, feito com mais de 1,1 mil mulheres e que tem como objetivo explorar o dia a dia e os desafios das mulheres ao empreenderem e gerirem seus negócios, neste ano 25% das mulheres que entraram no mundo do empreendedorismo se encaixam na faixa etária entre 18 e 30 anos. No início da pandemia, esse porcentual foi de 14% e no período pré-pandemia, de 6%. “Isso demonstra que as mulheres estão empreendendo mais jovens, se sentindo preparadas e seguras mais cedo e perdendo um pouco do medo de errar e correr riscos. Empreender não é fácil, mas pode ser uma saída para a autonomia e liberdade. Quando a gente tem acesso à informação, ganha coragem de avançar no empreendedorismo”, afirma Thais Piffer, Gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-SP.

Durante a pandemia, 33% dos novos negócios foram abertos por mulheres, contra 29% por homens, segundo a pesquisa. Apesar disso, houve uma redução de 51% no percentual de negócios liderados por mulheres no período entre março de 2020 a agosto deste ano.

Outro dado relevante é que 78% das mulheres entrevistadas abriram seus negócios com recursos próprios e apenas 6% contaram com a ajuda do banco. “As mulheres são as mais adimplentes e mesmo assim elas encontram dificuldade de conseguir financiamento bancário. Se conseguem, acabam aceitando juros mais elevados (segundo o BMI, 3,5% a mais) pela dificuldade de negociar a condição oferecida”, analisa a fundadora do Aladas.

Empreendedorismo: em busca do sonho

O perfil das mulheres empreendedoras está mudando. O empreendedorismo por necessidade está abrindo caminho pela busca de um sonho. De acordo com dados da pesquisa, 21% das entrevistadas quiseram realizar um sonho ao abrir sua empresa e 41% empreenderam para fazer o que gostam.

“Sonhar com o negócio próprio está se tornando cada vez mais a mola que move as mulheres em direção ao empreendedorismo, e não a necessidade. É a oportunidade hoje quem guia o desejo”, avalia Thais.

E o acesso à informação tem sido fundamental nesse processo, acredita a especialista. A pesquisa apontou que as mulheres dedicam mais tempo à capacitação em temas como gestão e empreendedorismo.

Desistir? Jamais!

Pouco mais da metade das mulheres empreendedoras afirmou que em algum momento pensou em desistir do negócio – cerca de 52%, o que significa um porcentual 13% acima do registrado pelos homens – 46%. Entre as justificativas para se manter firme na decisão de seguir empreendendo estão o sonho (43%), o que já construíram até ali (34%) e a necessidade financeira (31%).

“Cada vez menos as mulheres pensam em desistir. As mulheres se sentem cada vez mais preparadas em relação às habilidades emocionais, aspecto importante para o sucesso dos negócios”, enfatiza Daniela.

A pesquisa Aladas/Sebrae apontou que 53% das mulheres empreendedoras optaram por empresas voltadas ao varejo, enquanto que 40% preferiram o setor de serviços.

Números como esses trazem um novo horizonte para o empreendedorismo feminino, na visão da fundadora do Aladas. “Nós precisamos pensar nas próximas gerações. Não é fácil resolver o problema da falta de equidade, mas já estamos dando alguns passos importantes. As mulheres estão criando coragem para pivotar suas carreiras, aprendendo a dizer ‘não’ e a gerir seus negócios com segurança e leveza”, conclui Daniela Graicar.

O PDF da pesquisa completa pode ser acessado clicando AQUI.

Foto: iStock

Leia também

Intenção pelo empreendedorismo cresce entre os brasileiros

Tags