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Quais as últimas tendências no setor de logística?

Com a pandemia, houve um aumento muito forte e imprevisto no consumo online.

Assim, toda a indústria logística precisou gerenciar um volume cada vez maior de entregas, com grande pressão por prazos menores com preços competitivos, forçando o setor para algumas transformações.

Victor Moreira, da Trackage. Foto: divulgação

“Com o aumento de consumidores online, mais pessoas passaram a esperar maior qualidade nas entregas e a comparar preços e prazos de diferentes sites. A necessidade de adaptação da logística é uma consequência disso”, analisou o CEO da Trackage, Victor Hugo Moreira, em entrevista ao Portal de Notícias da GS1 Brasil.

Segundo o executivo, entre as mudanças urgentes adotadas pela empresa estão revisão de processos internos e de custos e despesas; redistribuição de malhas de transporte; novos modelos de compra e entrega; e investimento em tecnologias para maior eficiência da operação.

A demanda pelo setor de logística é tamanha que as grandes lojas passaram a competir pelo serviço dos pequenos entregadores.

“Essa realidade aumenta a oportunidade de mercado, mas, no longo prazo, pode gerar dificuldades para as pequenas lojas com restrição de orçamento”, prevê Moreira.

Digitalização no setor

A logística tradicionalmente envolve muitos processos manuais, mas a digitalização teve um forte impulso em 2020. A Trackage, por exemplo, apostou na automação em diversas áreas:

  • Dados que antes eram coletados ou inspecionados manualmente passaram a ser capturados por sensores automáticos, aumentando a confiabilidade e segurança;
  • Fluxos que não eram bem mapeados (como movimento de pessoas em diferentes setores, ou condições de cargas em transporte) vêm, aos poucos, sendo monitorados por câmeras e outros dispositivos em tempo real, reduzindo atrasos e incidentes;
  • Setores muito movimentados – antes controlados por planilhas, decisões humanas e comunicação via rádio – passaram a ter sistemas inteligentes que regem automaticamente sua movimentação. Isso trouxe mais eficiência e agilidade na produção.

Principais reclamações

Bem no início da pandemia, um fato deixou claro que o e-commerce não estava preparado para a demanda que viria após março de 2020.

“O site Reclame Aqui reportou 192 mil queixas relacionadas a entregas de e-commerce, um crescimento de 61% na média mensal de reclamações. Os Procons também concentraram um grande número de reclamações por produtos danificados no transporte”, contabiliza o executivo da Trackage.

Mesmo assim, essa situação foi se estabilizando ao longo do ano e hoje se encontra um pouco melhor.

Para  a professora de administração da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) e mestre em logística, com especialização em Logística de Distribuição pela Cranfield University (UK), Sandra Façanha, a grande lição é desenvolver um setor específico para lidar de forma rápida com as reclamações.

“Em um cenário de concorrência brutal, nada irrita mais o consumidor do que ser ignorado pela empresa escolhida. Quando isso ocorre, há o risco de o cliente não retornar nunca mais”, adverte.

Tendências diante da pandemia

últimas tendências em logística

Sandra Façanha, da Fecap, e Victor Moreira, da Trackage, sinalizaram algumas mudanças no setor de logística que devem seguir pós-pandemia e outras que podem despontar no futuro. Acompanhe:

1. Automação

O setor decidiu que após duas décadas sem investir em tecnologia, será necessário atualizar a infraestrutura com inovações e realizar uma forte revisão de processos.

2. Valorização dos dados

A tendência é a nova onda de análise de dados feita por grandes lojas, tentando prever o que cada consumidor vai comprar e já levando esse produto para outro armazém mais próximo deste cliente.

Em outras palavras, enquanto consumidor está colocando produtos no carrinho virtual, pode ser disparada uma ação automática de transportar estes itens de um estado ao outro antes mesmo de fechar pedido.

O resultado é a entrega incrivelmente mais rápida, e um controle bem mais preciso da logística.

3. Baixo valor no frete

Sempre que possível, o setor precisa conciliar rapidez de entrega e preços baixos. Por outro lado, a questão da rapidez pode ser secundária se o frete for menor, ou gratuito, especialmente em tempos de alto nível de desemprego.

4. Logística compartilhada

Este modelo, consolidado via Rappi, Uber e outros aplicativos, e até mesmo veículos compartilhados, têm sido uma prática recorrente no setor.

E o  interessante da logística compartilhada é que ela sofre demanda das duas pontas – de consumidores que a contratam diretamente, e das empresas que dependem delas para escoar a produção em geografias restritas.

A maior vantagem é a rapidez na entrega combinada com custos razoáveis. Já o risco reside na qualificação de quem faz essas entregas. Em alguns casos, o produto pode chegar avariado ou não ser entregue no destino.

5. Diversidade de opções

A diversidade de opções de delivery no famoso “last mile” já é uma realidade não apenas por diferentes modais (desde carros de aplicativos, motos, bicicletas, patinetes, a pé etc.), mas também oferecendo a possibilidade de se pedir absolutamente.

Não por acaso,  hoje existe um amplo leque de opções muito mais ágil em termos de entrega.

Foto: iStock

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