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Retail labs: os laboratórios experimentais do varejo

Os retail labs, ou laboratórios do varejo, podem ser resumidos como espaços que buscam a inovação do setor por meio de experiências. Com eles, empreendedores da área têm a liberdade de experimentar (errando ou acertando) e de extrapolar, pensando ‘fora da caixa’.

Numa era na qual a inovação e a transformação – especialmente digital – são palavras de ordem para se manter no mercado, os retail labs se tornaram estratégicos para muitas empresas.

“Os retail labs são espaços onde as empresas testam novos conceitos de loja, novas experiências, formatos, tecnologias, sortimento e atendimento em um ambiente completamente monitorado, gerando aprendizados para toda a organização”, sintetiza o sócio-diretor da GS&Consult, Jean Paul Rebetez.

O conceito já existe há alguns anos e vem evoluído em termos de concepção e gestão. Os labs não só testam novas tecnologias e approaches, como também forçam a organização a repensar a gestão dos projetos, criando times multidisciplinares para testar ações de diversas áreas”, explica Rebetez.

A ideia dos retail labs é a de desenvolver um laboratório onde se faça uma pesquisa aplicada. “Eles estão muito atrelados à área de tecnologia e se dedicam a aplicá-las de forma experimental”, complementa o diretor vogal do Ibevar, Nuno Fouto.

Aliás, as tecnologias estão aplicadas de diversas formas, seja para trazer mais eficiência operacional ao negócio ou para agregar novas experiências ao consumidor.

Conceito ganha força global

Pelo mundo, algumas experiências nesse sentido chamam a atenção. Entre elas, a Amazon Go, loja criada em 2018, em Seattle (EUA), que nasceu sem a presença de atendentes nem a necessidade de passar as compras no caixa.

Simulando uma espécie de ‘supermercado do futuro’, por lá, basta retirar o produto da gôndola e ter o aplicativo da Amazon instalado num smartphone que o item escolhido cai na cesta de compras do cliente.

Na mesma toada, também surgiu, em 2019, o Intelligent Retail Lab (IRL) desenvolvido em Nova York pela rede norte-americana de supermercados Walmart.

O espaço, com 50 mil metros quadrados é munido de diversos tipos de tecnologia, como inteligência artificial e câmeras que acompanham toda a jornada do consumidor.

A ideia é criar experiências inovadoras aos clientes que, posteriormente, podem ser replicadas em outras lojas da rede.

Brasil também abriga labs de sucesso

retail labs na havaianas

Havaianas no Shopping Iguatemi Faria Lima representa um retail lab

No País, algumas grandes marcas também já estão trabalhando e aprendendo muito com os labs, entre elas, a Alpargatas.

Em dezembro de 2019, a loja da Havaianas no Shopping Iguatemi Faria Lima foi reinaugurada com um conceito inédito para a marca: o Shopper Mission Lab.

Primeira unidade no Brasil, a Havaianas Lab é uma loja super conectada, que tem como foco melhorar a experiência do usuário em todos os pontos de contato durante sua jornada de compra.

A ideia é que o estabelecimento seja uma espécie de laboratório para testar tecnologias e novidades.

A loja conta, assim, com telas interativas, provadores inteligentes, checkout móvel, lockers para retirada de compras online e vitrine infinita para compra de produtos disponíveis online.

A unidade também irá promover coleções e ocasiões de uso para o usuário por meio da exposição dos produtos em moodlists.

Para responder muito mais rápido às expectativas e necessidades dos seus usuários, essa loja faz parte de um projeto maior do grupo Alpargatas que abre quatro Shopper Mission Labs até o fim do ano em São Paulo, Rio de Janeiro e Londres, no ano que vem.

A companhia desenhou um novo modelo de lojas para as marcas Havaianas, Osklen e Mizuno para oferecer mais experiências e serviços inovadores.

Os novos pontos de vendas são superconectados com novas tecnologias e permitem que a empresa possa escalar inovações de forma acelerada e eficiente.

“No dia a dia alucinante do varejo, as experimentações, por vezes, são inviáveis. Nesse sentido, esses espaços surgem de forma independente, como se fosse um grupo de pesquisa segregado, criando um ambiente capaz de resolver as dores do setor, como roubos, rupturas ou identificar qual seria a melhor forma de comunicação com o cliente”, pontua Fouto.

Retail labs: como desenvolver?

De acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem do Portal de Notícias GS1 Brasil, esses laboratórios congregam equipes multidisciplinares e também contam com o cliente para testar, gerando aprendizado direto e em tempo real, inclusive antecipando necessidades.

Assim, o custo é alto porque, além de novas tecnologias a serem testadas, para terem bons resultados, os retail labs exigem profissionais diferenciados que, muitas vezes, não são da área do varejo.

“Geralmente estes times são formados por áreas como tecnologia, operações, marketing, recursos humanos, produto, entre outros”, enumera Rebetez, da GS&Consult.

Mas, uma vez aplicados, esses laboratórios possibilitam mais agilidade nas mudanças. “É possível entender melhor as oportunidades de mercado e o que pode ou não ser aplicado com sucesso. Tudo isso sem prejudicar o dia a dia do negócio que está em andamento”, justifica o executivo do Ibevar, sugerindo que, para tornar o orçamento mais acessível a empresas menores, o ideal é desenvolver parcerias com universidades.

Jean Paul Rebetez também reforça que estes espaços são muito válidos pois permitem aprendizado constante que, quando geram resultados, podem ser aplicados para toda a rede.

“Há, ainda, um ganho cultural, um mindset mais ágil para lidar com os projetos, estudando resultados e medindo-se tudo”, acrescenta.

Fotos: Getty Images/ DIVULGAÇÃO

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