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Retomada de vendas, tecnologia e ESG são prioridades para 2021

A pesquisa “Agenda 2021”, realizada pela Deloitte, revela que as empresas estão olhando de forma bastante racional para o futuro: 42% dos entrevistados entendem que a economia, mesmo que de forma mais lenta, voltará a crescer em 2021 e ficará igual ao nível pré-crise da Covid-19. Nesse mesmo ponto, 18% acreditam que será superior ao nível de antes da pandemia, enquanto 37% assinalaram que a economia deve ficar um pouco abaixo desse patamar. Para 3%, haverá queda em relação ao fechamento de 2020.

Além da retomada de vendas, a preocupação das empresas também deverá se voltar a praticar margens adequadas à sustentabilidade e à capacidade de geração de valor do negócio.

Aposta no digital

As vendas por canais digitais cresceram para mais de dois terços das empresas aptas a praticar o e-commerce (67% das 40% que já realizavam vendas online); 35% declararam que a crise foi o motivo do aumento e 26% aumentaram sem um fator decorrente diretamente da pandemia. Isso demonstra o caminho que a maioria das empresas já percorria em direção ao digital e o quanto a crise acelerou o uso desse tipo de canal.

Em 2021, a tendência é aumentar ou manter esse índice, especialmente em infraestrutura (cloud, equipamentos, rede e telecom e serviços de TI), para 95%; e em soluções (sistemas, ferramentas e softwares de gestão) e gestão de dados (big data, analytics, inteligência artificial), para 94%, em ambos os temas.

Em conjunto com essas iniciativas e já de olho na implementação da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), 56% das organizações aumentarão os investimentos em segurança digital em 2021; em 2020, 21% aumentaram em razão dos riscos gerados pelo aumento do tráfego digital durante a crise.

Novos produtos e parcerias

De acordo com a “Agenda 2021”, 82% das empresas devem lançar serviços ou produtos no próximo ano; 64% pretendem ampliar ou criar ações de Pesquisa & Desenvolvimento; e 50% devem ampliar ou criar parcerias com startups.

ESG ganha mais espaço

A governança ambiental, social e corporativa (ESG) ganhará um espaço maior em 2021. Haverá um avanço na adoção de práticas estruturadas e formalizadas, de acordo com os entrevistados. Seis em cada dez já possuem políticas de inclusão social, mas 54% não têm indicadores de gerenciamento de impacto social. Dessas, mais de um quarto pretende adotá-los em 2021. Atualmente, relatórios de sustentabilidade não são realizados por seis em cada dez e um quinto das organizações afirma que implementará no próximo ano.

Quadro de funcionários

A pesquisa destacou que o quadro de funcionários deverá aumentar em 44% para as organizações respondentes. Esse é um reflexo da curva de recuperação, o que indica que haverá uma recomposição de parte dos postos de trabalho perdidos no ápice da crise. Já 24% pretendem manter o quadro de funcionários sem substituições; 23% devem manter os colaboradores com algumas substituições por profissionais mais qualificados.

Investir e expandir

A “Agenda 2021” mostrou que modernizar e/ou substituir máquinas e equipamentos são fatores fundamentais para a produtividade da maioria das empresas pesquisadas, e a prática deve ser adotada por 62% delas. Entretanto, a geração de emprego e renda se dá principalmente por investimentos em expansão dos negócios.

A intenção por práticas de crescimento orgânico reflete a expectativa das empresas para o cenário econômico em 2021: a abertura e a ampliação dos pontos de venda devem ser adotadas por 39% das organizações pesquisadas, enquanto a ampliação dos parques produtivos deve ser conduzida por 26% das empresas.

Um número considerável de empresas continua a mostrar disposição para aproveitar a janela favorável, que permanece, a realizar IPOs: 29 demonstraram a intenção de fazê-lo em 2021. Emitir títulos de dívida é opção para 49 empresas participantes. Entre as organizações, 24% pretendem adquirir outra empresa em 2021; 18% devem fazer aquisições de produtos/marcas de outras companhias; 29% têm a intenção de participar de licitações ou privatizações, enquanto 10% esperam participar de concessões públicas.

Prioridade para os negócios em 2021

Diante do que foi vivenciado em 2020, as prioridades para os negócios se recuperarem no próximo ano será, para a maioria do empresariado, são:

  • a geração de empregos (81%);
  • a ampliação da oferta de crédito (69%);
  • o apoio às PMEs (68%);
  • o investimento em educação (83%);
  • a reforma tributária (98%).

Metodologia e amostra

A edição de 2021 da pesquisa “Agenda” contou com a participação de 663 empresas, cujas receitas líquidas totalizaram R$ 1,2 trilhão em 2020, o que equivale a 15% do PIB brasileiro. A distribuição geográfica da amostra dividiu-se da seguinte forma (considerando a sede das empresas): 58% em São Paulo, 17% nos demais Estados da Região Sudeste, 15% na Região Sul, 7% no Nordeste, 3% no Centro-Oeste e no Norte do País. Do total dos respondentes, 65% estão em cargos de liderança C-Level. Adicionalmente, 32% das empresas participantes são de prestação de serviços, 16% de bens de consumo, 15% de TI e Telecomunicações, 12% de Infraestrutura, 8% de Agro, Alimentos e Bebidas, 8% de serviços financeiros, 6% de comércio e 3% de veículos e autopeças.

Foto: Getty Images

 

 

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