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Revolução no food system: desafios e oportunidades

O cenário global no setor de alimentos é crítico e passa por uma verdadeira revolução – desde o cultivo até o consumidor final. Nos próximos 30 anos, estima-se que a população mundial alcance quase 10 milhões de pessoas e, para atender a demanda por alimentação, é preciso aumentar a produção em mais de 70%. No entanto, a indústria não consegue atender a esse volume. Em paralelo, 30% da produção atual de alimentos é desperdiçada, um total de 40 mil toneladas por ano.

Idealizadora do Food Tech Movement, Ana Carolina Bajarunas, durante o Summit Alimentos. Foto: Eliane Cunha

Com base nesse cenário complexo, e até mesmo contraditório, que a idealizadora do Food Tech Movement, Ana Carolina Bajarunas, falou sobre o futuro do food system durante o Summit Alimentos 2019, evento realizado pela GS1 Brasil, em setembro.

Ela enumerou os diversos desafios para toda a cadeia de alimentos, mostrando que esse setor precisa de uma rápida transformação. “Numa ponta, há 672 milhões de pessoas sofrendo de doenças como obesidade, diabetes e pressão alta causadas por uma alimentação inadequada. Na outra, 821 milhões de pessoas ainda passam fome”, constatou. Somado a isso, o meio ambiente também sofre por causa de mudanças climáticas, escassez de terras e de água.

Novas necessidades 

As transformações não param por aí, pois o consumidor também está mudando seus conceitos sobre alimentação, demandando produtos mais saudáveis e produzidos de acordo com os conceitos da sustentabilidade, sem degradar o planeta, e por empresas que se engajem com movimentos de impacto social.

A população pede, ainda, por alimentos customizados. No Brasil, por exemplo, há 5 milhões de veganos e esse número vem aumentando exponencialmente. Crescem também as necessidades de novos nichos, como veganos que têm intolerância a algum tipo de ingrediente, por exemplo.

E os consumidores também estão dispostos a gastar mais por esses benefícios. Aliás, 88% já pagam a mais para ter um alimento saudável, o que significa produtos frescos, orgânicos e livres de pesticidas.

A conectividade é outro ponto importante nesse cenário. A geração Z, formada pelas pessoas nascidas a partir de 1995 e que cresceram em um mundo conectado, deve encabeçar a pirâmide de consumo nos próximos 10 anos. “Cerca de 50% das reservas de restaurantes têm sido feitas pelo celular. Nos Estados Unidos, 31% da população já compram seus alimentos online, comprovando que o consumidor quer resolver sua vida da forma mais fácil possível”, afirmou Ana Carolina, que também é fundadora e CEO da Builders.

Por fim, a transparência tem sido importante em 100% do processo de decisão dos consumidores. “Não tem mais como pensar em alimentos e bebidas sem pensar em rastreabilidade na cadeia”, disse.

Alimentação plant-based

As primeiras mudanças no food system já começam a ser vistas. “A área de ciência busca novos ingredientes, o agronegócio procura modernizar seus processos para ganhar mais produtividade, o varejo e indústria estão se reinventando, na tentativa de entender as novas necessidades do consumidor”, analisou.

Para alcançar todas essas mudanças, as empresas têm apostado na tecnologia para criar novos ingredientes, novas proteínas a base de plantas, cogumelos, castanhas, insetos e até energia solar.  A projeção global de investimento no mercado substituto de carne é de 5 bilhões de dólares.

Nos últimos seis meses, por exemplo, o mercado brasileiro teve seis lançamentos de proteínas a base de plantas, entre grandes frigoríficos e startups. Segundo Ana Carolina, a cannabis também surge como um ingrediente promissor, especialmente em bebidas.

Startups e indústrias trabalhando juntos

Há, ainda, novos modelos de negócios, considerando a fusão de empresas com startups, que propiciam que os lançamentos que antes levavam anos para serem concretizados, hoje sejam realizados em algumas semanas.

O Foodtech Movement Brasil elaborou um mapa das startups que atuam na área de alimentos (um total de 380 food techs) e identificou negócios capazes de atender as mais diversas novas demandas: desenvolvimento de softwares de gestão no varejo e marketplace, sistemas inteligentes de agricultura e para fazendas, delivery de alimentos, segurança alimentar.

Alavancas de crescimento para o futuro

Para Ana Carolina Bajarunas, há quatro desafios para a sustentação do setor de alimentos nos próximos anos:

1º. Qualidade

Além de bons produtos, os alimentos precisam ter sabor, boa aparência e textura.

2º. Resistência geracional

A geração X não mudará seus hábitos alimentares nos próximos 10 anos. Já a geração Y fará uma conversão de 10% de proteínas animais para proteínas a base de plantas. A geração Z será a grande convertida, chegando a até 20% de conversão no período.

3º. Preço acessível

A geração X tem um poder aquisitivo alto e quando a comunicação sobre esses produtos mais saudáveis é bem feita, esses consumidores podem ser os primeiros a aderir a este mercado. Além disso, a tendência é que os produtos saudáveis tenham preço cada vez mais acessível.

4º. Influenciadores

No Brasil, há uma porta-voz sobre o universo vegano que é a Alana Rox, mas é necessário mais espaços para discutir o setor e disseminar informações

Foto: iStock

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