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Segurança do paciente foi destaque no Summit Saúde 2019

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que um em cada 10 produtos médicos que circulam em países de baixa e média renda sejam de baixa qualidade ou falsificado, representando um grande risco à saúde e desperdício de recursos em toda a cadeia de healthcare.

Por isso, a rastreabilidade e o controle de medicamentos e produtos para saúde ganham cada vez mais importância em todo o mundo para garantir a segurança do paciente. Engajada nessa discussão, a GS1 Brasil realizou o Summit Saúde 2019, no dia 17 de outubro, na sede da entidade, em São Paulo (SP).

O encontro reuniu profissionais de indústrias farmacêuticas, hospitais, atacadistas, distribuidores, provedores de logística, fornecedores de soluções, órgãos reguladores e startups para refletirem sobre o tema e compartilhar experiências.

Para ser efetivo, o processo de rastreabilidade requer o uso de padrões e a colaboração entre toda a cadeia. Nesse sentido, a head de desenvolvimento setorial da GS1 Brasil, Ana Paula Maniero, deu as boas-vindas aos participantes do evento, destacando a importância do GS1 DataMatrix, padrão usado para identificação e rastreabilidade no setor da saúde mundialmente.

Novas soluções

O evento começou no Centro de Inovação de Tecnologia (CIT), da GS1 Brasil, onde os participantes conheceram o Espaço Saúde, que conta com três estações: farmácia hospitalar, leito hospitalar e farmácia varejo. Neste ambiente, são simulados o uso de diferentes tecnologias e padrões GS1.

A Zebra Technologies, patrocinadora do evento, aproveitou a ocasião para apresentar suas novas soluções para a área da saúde, como coletores de dados e leitores de código de barras de alta performance.

Em seguida, no auditório, especialistas se revezaram nas palestras, apresentando pontos de vista complementares sobre rastreabilidade e segurança do paciente. O encontro teve, ainda, um painel no qual a plateia pode fazer perguntas aos palestrantes e momentos para networking.

Palestras do Summit Saúde 2019

A seguir, confira os principais insights dos palestrantes do evento.

Vanderley Ferreira, gerente geral da Zebra Technologies

Explorando o tema “Transformação Digital – Segurança e Melhor Experiência do Paciente”, o executivo apresentou dados de uma pesquisa realizada pela empresa em 2018, mostrando alguns gaps na área da saúde que colocam a vida de muitos pacientes em risco. Ferreira mencionou, por exemplo, que equívocos na identificação de pacientes levam a potenciais 13% de erros em cirurgias e 67% de transfusões de sangue.

Paulo Nico, consultor de investimentos da Eretz.bio

A Eretz.bio é a incubadora de startups do Hospital Albert Einstein que tem o objetivo de fomentar o ecossistema de empreendedores que acreditam na inovação para transformar a saúde. A incubadora oferece para as startups selecionadas, que passam por rigorosa avaliação técnica, espaço de coworking, laboratório de pesquisa e de inovação. Nico convidou três startups – Hoobox, Neoprospecta e SaveLivez – que participam com sucesso deste modelo para contar sobre os trabalhos desenvolvidos.

Paulo Pinheiro, CEO da Hoobox

A Hoobox desenvolve tecnologia de reconhecimento facial para detectar comportamentos humanos. Pinheiro contou que, em 2019, a empresa lançou durante a CES – maior feira global de tecnologia –, uma cadeira de rodas controlada por expressões faciais. Há outras soluções em andamento na startup, que já tem equipes nos Estados e na China, capazes de detectar a queda de pacientes em hospitais e riscos de úlceras de pressão em pacientes acamados.

Luiz Felipe Valter de Oliveira, CEO da Neoprospecta

A Neoprospecta tem foco no desenvolvimento e comercialização de análises microbiológicas, baseadas em sequenciamentos de DNA de nova geração e análises biocomputacionais, por exemplo. Neste trabalho, são capazes de estudar as causas de infecções hospitalares, problema responsável por cerca de 70 a 100 mil mortes por ano, trazendo impactos sociais e custos para a saúde, segundo Oliveira.

Rafael Oki, fundador e CEO da SaveLivez

A startup tem o propósito de ajudar a salvar vidas com a aplicação de data science, ajudando bancos de sangue e hospitais a diminuírem a falta de sangue e a economizarem por meio de decisões com base em dados. Segundo Oki, 25% das pessoas, um dia, precisarão de transfusão de sangue, necessidade que só aumenta no Brasil diante do envelhecimento da população. Entretanto, a demanda por tipos de sangue é aleatória, bem como a oferta. O papel da SaveLivez, então, é usar a tecnologia para fazer previsões confiáveis de demandas e captação.

Marcelo Sá, executivo de industry engagement da GS1 Brasil

A rastreabilidade de medicamentos não é uma preocupação apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Nesse cenário, o executivo da entidade mostrou vários exemplos do trabalho da GS1 em diferentes países, estimulando o uso de padrões globais em toda a cadeia de abastecimento. Já há iniciativas para o desenvolvimento de padrões para a área de clinical trials, para medicamentos que estão sendo testados e de bula eletrônica com leitura via GS1 DataMatrix, por exemplo.

Geraldine Lissalde Bonnet, diretora de políticas públicas da GS1 Global

Por meio de um vídeo apresentado durante o Summit Saúde, Geraldine reforçou que a necessidade de aprender e discutir sobre segurança dos pacientes e eficiência de toda a cadeira. Também ratificou o empenho da entidade em âmbito global com a rastreabilidade de medicamentos, destacando o trabalho desenvolvido no Brasil, que apoia projetos importantes na área de healthcare.

Cristiano Gregis, especialista em regulação e vigilância sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Gregis mostrou a importância do trabalho da Anvisa e todos os avanços da rastreabilidade de medicamentos desde 2009, que têm impedido a falsificação e a entrada irregular desses produtos no Brasil. Um dos grandes avanços foi a Lei 13.410, que instituiu o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM), com o objetivo de acompanhar os medicamentos em toda a cadeia produtiva, desde a fabricação até o consumo pela população. Até abril de 2022, todas as empresas precisam atender à norma da Anvisa que prevê a rastreabilidade dos medicamentos, utilizando o código GS1 DataMatrix nas embalagens secundárias.

Fabiana Capilla, consultora de projetos, e José Neto, coordenador de automação e instrumentação da Boehringer Ingelheim

À frente do projeto de rastreabilidade de medicamentos da Boehringer Ingelheim, os executivos contaram como a empresa vem se preparando desde 2012 para implementar a serialização e atender à legislação. Eles compartilharam os aprendizados de todo este processo, que requer investimentos em tecnologia, equipe multidisciplinar e treinamento.

 Kleber Fernandes, diretor de qualidade e gerenciamento técnico da AGV Healthcare & Nutrition

Como operador logístico com foco em produtos para saúde e nutrição humana e animal, a AGV enfrenta vários desafios para atender as novas demandas de rastreabilidade de medicamentos. Uma delas é a necessidade de fracionar os produtos que recebe das indústrias farmacêuticas e que precisam de serialização para serem enviados aos hospitais e farmácias, uma operação bastante complexa. Fernandes compartilhou esses desafios e aprendizados da companhia.

Aline Dourado, farmacêutica do Hospital Sírio-Libanês

O Hospital Sírio Libanês, um dos mais conceituados do País, vem aprimorando os procedimentos para rastreabilidade de medicamentos, desde o momento em que recebe dos fornecedores até a dispensação, sempre com foco na segurança do paciente. Aline mostrou algumas iniciativas nesse sentido, como a adoção do GS1 DataMatrix, o que vem substituindo processos manuais de etiquetagem e gerando ganhos de tempo e qualidade. Hoje, 7% dos SKUs são rastreados a partir do GS1 DataMatrix, o que representa 66.490 unidades de medicamentos.

O Summit Saúde 2019 contou com o apoio das empresas: Bertucci Smart Uniforms, Magic Code, Itaueira, NürnbergMesse Brasil e Vegetais Saudáveis.

Foto: Divulgação

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