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Terceiro Conexão Tech destacou as empresas que nadam na tecnologia

Em 2020, a tecnologia teve um papel central na vida dos brasileiros. Os recursos digitais foram fundamentais para conseguir trabalhar, estudar, comprar e se comunicar na pandemia causada pela Covid-19. Do lado das empresas, essa nova realidade acelerou o investimento e a aplicação da tecnologia para atender rapidamente às novas demandas do consumidor e, claro, se manter no mercado.

A terceira edição do Conexão Tech, evento digital da GS1 Brasil realizado no dia 10 de novembro, apresentou o tema “Empresas que nadam na Tecnologia”, promovendo um debate justamente sobre como a tecnologia tem se tornado cada vez mais estratégica em diferentes setores, possibilitando que as empresas tenham vantagens competitivas e melhorem a experiência dos consumidores.

Para este debate, a GS1 Brasil reuniu alguns convidados de peso: Cássio Pedrão, country manager da Toshiba; Daniel Knopfholz, CIO do Grupo Boticário; Thiago Yamabuchi, líder de Startup Ecosystem & Innovation Culture da Embraer; e Alexandre Rosat, diretor de tecnologia da informação do Grupo Conde. A jornalista Débora Freire, CEO da DFREIRE Comunicação e Negócios, conduziu o bate-papo com os painelistas e a interação com o público.

O evento teve o patrocínio da Toshiba e o apoio da Korde, Vércer e RP Info, além de contar com os parceiros da DFreire Comunicação e Negócios, Agência Beato e Totalinks.

Confira os principais insights sobre tecnologia apresentados durante o Conexão Tech.

Grupo Boticário: tecnologia apoia experiência do cliente

daniel knopfholz cio do grupo boticario

Daniel Knopfholz, CIO do Grupo Boticário

O Grupo Boticário começou a investir em tecnologia há algumas décadas, primeiramente no processo fabril, produtos e embalagens, e ao longo do tempo incorporou a inovação e o mindset digital de forma estratégica em seus negócios.

Apesar de já ter uma base tecnológica consolidada, a empresa encarou novos desafios para se adaptar ao cenário da Covid-19. Durante o Conexão Tech, Daniel Knopfholz, CIO do Grupo Boticário, contou que em 2020 a empresa passou por três mudanças importantes como consequência da pandemia:

  1. crescimento das vendas digitais em grande escala. O Grupo Boticário já vendia pelo e-commerce, WhatsApp e outros apps, mas isso aumentou consideravelmente nos últimos meses, o que acabou testando a infraestrutura de tecnologia e inovação da empresa;
  2. a multicanalidade foi colocada à prova. As pessoas compram online, mas querem trocar na loja ou experimentar algo rapidamente no ambiente físico, para não ficarem expostas por muito tempo, e depois receber em casa. Com 10 canais de venda disponíveis para os consumidores, a empresa viu essa “mistura de canais” também ganhar escala.
  3. adoção de experimentação de produtos online. As ferramentas que a companhia já tinha para essa finalidade foram aprimoradas, principalmente na categoria de maquiagem, uma vez que as pessoas evitam frequentar as lojas físicas.

Aliás, o desenvolvimento da tecnologia que possibilita a experimentação digital de maquiagem foi feita pelo Grupo Boticário em conjunto com um parceiro – um exemplo prático das iniciativas de inovação aberta (open innovation) conduzidas pelo seu laboratório de inovação, o BotiLabs. Nessa mesma linha de inovação aberta, no início deste mês de novembro, a empresa anunciou o lançamento do GB Ventures, programa de aceleração de startups.

Na contramão da teoria de que a tecnologia aprofunda o desemprego, desde 2019 a empresa contratou mais de 100 desenvolvedores, segundo Daniel. Além disso, o Grupo Boticário anunciou, também em novembro, o “Desenvolve”, programa de formação de desenvolvedores com foco em jovens de baixa renda. São 130 vagas disponíveis e a ideia é, posteriormente, contratar parte desses jovens participantes.

Tecnologia do futuro: Olhando para o futuro, o Grupo Boticário aposta em tecnologias que devem possibilitar a personalização. “Há três tipos de soluções que podem estar disponíveis nos próximos anos: tecnologia com inteligência capaz de se adaptar à pele de cada indivíduo; produtos que podem ser criados de forma específica para cada tipo de cabelo, pele e código genético da pessoa; e, ainda, a fabricação de produtos customizados na loja ou em casa”, afirmou Daniel.

Toshiba: tecnologia agrega inteligência ao varejo

A Toshiba é uma empresa global com várias divisões e que, no varejo, atua com foco em três pilares: equipamentos, software e serviços (do projeto à manutenção). Durante o Conexão Tech, o country manager da Toshiba, Cássio Pedrão, contou que várias soluções ganharam força no varejo na pandemia, a exemplo do autoatendimento (self checkout).

debora freire da dfreire e cassio pedrao da toshiba durante o conexão tech

Debora Freire, da DFreire Comunicação, e Cássio Pedrão, da Toshiba, no estúdio montado na GS1 Brasil para o Conexão Tech

“O autoatendimento não é uma tecnologia nova, mas o varejista tem um interesse maior agora”, afirmou. Segundo ele, um estudo feito em 2019 nos Estados Unidos indicava que 20% dos checkouts do varejo eram autoatendimento e 80% eram caixas normais. Até 2024, essa proporção se inverteria: 80% autoatendimento e 20% checkouts tradicionais. “Nesses meses pós pandemia, depois de julho, os dados mostram que o nível do autoatendimento aumentou muito. Tanto que a Toshiba aumentou suas vendas mundiais nessa área”, disse Cássio.

Segundo ele, com a pandemia, tanto o varejo quanto os consumidores (de diferentes perfis e não apenas os mais antenados em tecnologia) perceberam as vantagens do self checkout. “Estamos vendo uma mudança de comportamento do consumidor final e com isso leva os varejistas acabam mudando sua aplicação de tecnologia no Brasil e no mundo”, comentou.

Outro ponto que ganhou relevância é o uso de softwares de inteligência analítica que permitem ganhar eficiência. “A parte de inteligência analítica é importante para o varejista saber o que está acontecendo na loja, ou seja, usando uma série de ferramentas, inclusive Inteligência Artificial, é possível conhecer o perfil do consumidor, o consumo em cada período do ano e quanto uma promoção afeta cada cliente”, explicou Cássio. Essas informações são valiosas pois ajudam o varejista a fazer uma melhor alocação de produtos, espaços e promoções.

Outra solução que utiliza Inteligência Artificial e tecnologias disruptivas que a Toshiba está investindo ajuda na retaguarda da operação do varejo. “É uma solução associada à manutenção dos equipamentos – sejam da Toshiba ou não. O sistema vai aprendendo como funciona cada equipamento ao longo do ano, de acordo com a região do País. Essa tecnologia já está sendo ofertada no Brasil e ela traz disponibilidade, ou seja, o consumidor não percebe, mas ela faz com que a experiência de compra dele fique muito melhor”.

No longo prazo, a Toshiba investe na tecnologia de reconhecimento visual assistido por computador, que consiste em câmeras especiais e mantas capacitivas instaladas nas prateleiras das lojas. “Com isso, o cliente compra no ambiente físico, como se estivesse no virtual”, comenta Cassio. A câmera reconhece a pessoa e os produtos que ela pega; o pagamento é feito diretamente no cartão do consumidor previamente registrado. Assim, não é necessário passar pelo caixa – o consumidor simplesmente escolhe os produtos e sai do estabelecimento. Segundo o executivo, a Toshiba testa esta solução em vários locais no mundo e deve lançar daqui a um ano.

Respondendo a uma pergunta dos participantes sobre a adoção de biometria e realidade aumentada no varejo, Cassio comentou que é preciso sempre considerar o  perfil e o desejo do consumidor.

“A realidade aumentada promove um tipo de experiência que atrai, por exemplo, um determinado tipo de cliente para a loja. Antes de implementar, o varejo precisa identificar se isso vale a pena para a sua realidade. A biometria já evoluiu muito; hoje é possível fazer o pagamento simplesmente olhando para uma câmera, com reconhecimento facial, até mesmo usando máscara. Mas o que gosto de colocar para nossos clientes é: avalie sempre se o consumidor final quer isso”, ponderou.

Tecnologia do futuro: Fazendo uma reflexão sobre o futuro, na opinião do executivo da Toshiba, o que podemos esperar para os próximos anos é a possibilidade de as pessoas terem avatares. “Acredito que teremos isso na loja também, afinal as pessoas querem ter experiências diferentes”, pontuou.

Embraer: inovação no DNA

A Embraer é reconhecida como uma das empresas mais inovadoras do mundo. O mindset de inovação e tecnologia permeia os processos, a cultura e o dia a dia da companhia, se refletindo em inúmeras iniciativas e projetos.

thiago yamabuchi da embraer

Thiago Yamabuchi, da Embraer

Mas, assim como todo o mercado, a companhia enfrentou desafios com a pandemia. “Em 2020, mais do que nunca, vimos a necessidade de fazer coisas que realmente impactem a vida das pessoas de uma maneira muito efetiva. A gente se viu no meio de uma pandemia, de um cenário caótico, e precisou recorrer à tecnologia e a novas soluções para conseguir tocar os negócios”, comentou Thiago Yamabuchi, líder de Startup Ecosystem & Innovation Culture da Embraer.

Durante o Conexão Tech, o executivo contou sobre como funcionam algumas iniciativas da companhia quem envolvem inovação e tecnologia. Uma delas é um programa de empreendedorismo no qual qualquer funcionário da Embraer que tiver uma proposta de inovação, ganha 20% do seu tempo para desenvolver a solução. “Não precisa de permissão do chefe, já é uma diretriz corporativa, porque a gente acredita que isso traz um ganho muito grande. Em geral, leva cerca de 1 ano para esse tipo de projeto sair do papel até a concepção”.

Em outras iniciativas, o tempo entre criar a inovação e colocá-la em prática, varia de acordo com o ciclo de desenvolvimento do produto, processo ou serviço e também do grau de inovação envolvido. Mas, em todos os casos, a Embraer adota métricas para avaliar a inovação. “Aprendemos com a filosofia Lean que se não medirmos cada uma dessas etapas, não tem como saber se estamos melhorando”, disse Thiago.

Inovação aberta é outra vertente que a empresa trabalha desde a década de 1990, em parceria com universidades e outras instituições. Nos últimos anos, também trouxe as startups para perto. “A Embraer tem várias formas de trabalhar com startups: por meio da Embraex, que é o nosso braço de inovação disruptiva; temos dois fundos de investimento, um no Brasil e outro nos EUA; temos um plano de aceleração de startups e também um programa para democratizar o uso de startups dentro da companhia. Hoje é possível contratar uma startup em uma semana, um processo que antes levava cinco meses”, contou Thiago.

Tecnologia do futuro: O céu é o limite para as perspectivas de uso da tecnologia da Embraer, que possui um projeto de um grande veículo elétrico que decola e pousa de forma vertical para ser utilizado nas cidades. Apelidado de ‘carro voador’, o projeto foi feito em parceria com a Uber, e também envolve um ecossistema de empresas. “A Uber fez uma estimativa de que seria possível viajar de São Paulo a Campinas em 12 minutos, pagando o preço de um Uber Black. Seria uma nova revolução”, afirmou Thiago. Mas para que isso se torne realidade, é preciso ter internet super rápida, IoT e controle do tráfego aéreo urbano de forma automatizada – este último aspecto já vem sendo estudado pela Embraex. “Tudo isso é plausível e a gente espera que aconteça em 10 anos”, destacou.

Grupo Conde: tecnologia humaniza atendimento na farmácia

Para o Grupo Conde, rede com mais de 200 farmácias no Estado de São Paulo, o uso da tecnologia se consolidou neste ano de pandemia. A área de TI e inovação da empresa sempre estiveram atentas para melhorar a experiência do usuário, dando suporte para um atendimento rápido e de qualidade nas lojas físicas e em outros canais, segundo Alexandre Rosat, diretor de tecnologia da informação do Grupo Conde.

Em 2020, com a pandemia, um novo cenário se desenhou para o setor de saúde, que precisou atender à população com mais agilidade e confiança.

“O consumidor já comprava remédios online antes, mas com a pandemia e os app de delivery, o e-commerce se tornou uma realidade para a maioria dos players da área de farmácia. Hoje o consumidor está dentro da farmácia com o celular na mão pesquisando os preços no canal online e físico. Ou então ele compra online um comprimido para dor de cabeça e precisa que entregue rápido. A pandemia acelerou o canal digital e agregou outros serviços, como a telemedicina e a telefarmácia, que é a venda de um medicamento com o apoio do farmacêutico”, comentou Alexandre.

O Grupo Conde vem avançando em iniciativas suportadas pela tecnologia. Recentemente, criou um serviço chamado Condeclin, um espaço dentro de suas farmácias onde oferece atendimento farmacêutico. “Temos um aparelho, como um oxímetro, que mede 16 parâmetros vitais da pessoa. Automaticamente o software que desenvolvemos reconhece se há algum problema e, se for o caso, chamamos o médico especialista”, contou Alexandre. Segundo ele, esse software ajuda a fazer um atendimento mais humanizado aos clientes.

Tecnologia do futuro: A telemedicina e a biometria foram grandes conquistas recentes na área da saúde e ainda podem evoluir, segundo o executivo do Grupo Conde. “Na nossa área, o grande desafio futuro é fazer um atendimento humanizado. Como a gente vai tirar a palavra ‘tecnologia’ do mundo de exatas e levar para o mundo de humanas? Isso vem muito com a inovação”, refletiu.

Quer conferir mais detalhes sobre o tema? Assista ao debate do Conexão Tech – Empresas que nadam na tecnologia

Não perca a próxima edição do Conexão Tech, que será realizada no dia 24 de novembro com o tema “Líderes e empresas que inspiram”. Faça a sua inscrição pelo link: https://bit.ly/3pCpWD4

Foto de abertura: Getty Images

Fotos: Divulgação GS1

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