A fábrica de unicórnios voltou a acelerar.
O total já supera as 193 companhias que chegaram a esse patamar durante todo o ano de 2025.
É também a primeira vez desde 2022 que mais de 120 empresas se tornam unicórnios em um único semestre.
O recado do mercado é direto: a busca por crescimento voltou.
E a inteligência artificial está no centro dela.

A chinesa DeepSeek foi o unicórnio mais valioso a surgir no período, com avaliação de US$ 50 bilhões em sua primeira rodada externa de investimentos.
A exchange de criptomoedas OKX, sediada em Seicheles, aparece em seguida, avaliada em US$ 25 bilhões.
Mas a corrida não se resume a chatbots ou plataformas conhecidas pelo consumidor.
Investidores estão colocando recursos em toda a estrutura que permite à IA funcionar em escala: chips, capacidade computacional, robótica, energia, automação e softwares empresariais.
É a lógica da corrida do ouro. Há quem busque o ouro.
E há quem forneça as ferramentas, a energia e os caminhos para que a busca aconteça.
A Etched, por exemplo, desenvolve chips voltados à inteligência artificial e passou de uma avaliação de US$ 5 bilhões para US$ 10 bilhões em apenas seis meses.
Já a Valar Atomics, que trabalha com reatores nucleares para atender à crescente demanda energética da IA, triplicou sua avaliação em quatro meses e alcançou US$ 6 bilhões.
Os Estados Unidos reuniram 110 dos 195 novos unicórnios registrados no semestre, o equivalente a 56% do total.
A China ficou em segundo lugar, com 38 empresas, seguida pelo Reino Unido, com 13.
A concentração mostra que ecossistemas de inovação ainda dependem de uma combinação difícil de replicar: capital disponível, talentos técnicos, universidades, infraestrutura e empresas dispostas a testar novas tecnologias.
A Europa, porém, também começa a produzir nomes de grande alcance.
A sueca Lovable levantou US$ 400 milhões nesta semana e passou a ser avaliada em US$ 13,3 bilhões, tornando-se uma das startups mais valiosas do continente.
A empresa usa inteligência artificial para simplificar a criação de aplicações digitais. Em outras palavras: tenta reduzir a distância entre ter uma ideia e conseguir colocá-la de pé.

Dados atualizados até fev/2025. Fonte: Pequenas Empresas Grandes Negócios
O dado mais curioso está na velocidade.
Dezenove startups que se tornaram unicórnios no semestre receberam novas rodadas de investimento em menos de seis meses.
Muitas dobraram de valor no período.
Isso mostra que o mercado voltou a premiar empresas capazes de demonstrar tração rapidamente.
Não basta apresentar uma tecnologia promissora.
É preciso provar que ela resolve um problema, conquista clientes e pode crescer sem que a operação desmorone no caminho.
Ao mesmo tempo, valuations altos exigem atenção.
Ser avaliada em US$ 1 bilhão não significa, necessariamente, ter receita proporcional, lucro ou um modelo de negócio consolidado.
A avaliação é, em grande parte, uma aposta no futuro.
E apostas podem mudar de direção.
A onda dos unicórnios tende a chegar ao cotidiano das empresas por caminhos menos visíveis do que parecem.
Soluções de IA podem automatizar processos, antecipar demandas, melhorar previsões de estoque e apoiar decisões logísticas.
A robótica pode tornar operações mais precisas. Tecnologias de identificação e dados podem ampliar a visibilidade sobre produtos ao longo da cadeia.
Para quem está no varejo, na indústria, no campo ou na logística, a discussão não é apenas sobre qual será o próximo unicórnio.
É sobre quais tecnologias conseguirão, de fato, reduzir desperdícios, melhorar a produtividade e construir operações mais confiáveis.

Da esq. para a dir., Flavio Redi, CEO da Ecotrace, e João Carlos de Oliveira, presidente da GS1 Brasil. Crédito: Eliane Cunha
A valorização das startups mostra que inovação deixou de ser uma agenda paralela.
Ela está cada vez mais ligada à competitividade das cadeias produtivas.
É nesse cenário que a GS1 Ventures busca aproximar tecnologias emergentes de desafios concretos enfrentados por empresas.
A iniciativa tem como foco soluções que ampliem a rastreabilidade, a qualidade dos dados, a sustentabilidade e a integração entre diferentes elos da cadeia de suprimentos.
A Ecotrace, provedora de soluções de rastreabilidade, representa esse tipo de inovação aplicada.
A empresa apoia a organização de informações sobre produtos, processos e movimentações, contribuindo para que dados de origem e sustentabilidade possam ser acompanhados ao longo da cadeia.
No final das contas, a próxima grande empresa de tecnologia talvez não se destaque apenas pela promessa de crescer rápido.
Ela pode ganhar relevância por resolver um problema antigo: fazer com que produtos, processos e informações circulem com mais transparência e confiança.
Com informações da Crunchbase.
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