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12 principais erros da gestão financeira nas PMEs

A gestão financeira de todo negócio é sempre uma tarefa desafiadora. No caso das micro e pequenas empresas (MPEs) não é diferente.

Ponto de atenção de qualquer empreendimento, os números de um comércio, indústria ou prestador de serviço precisam levar em consideração o conjunto das ações e procedimentos administrativos associados ao planejamento, execução, análise e controle das atividades financeiras. Mas o que seria exatamente a gestão financeira e quais os principais erros cometidos pelas MPEs durante este processo?

Adalberto Escalona Garcia da ESPM Porto Alegre. Crédito: divulgação

Em entrevista ao Portal de Notícias da GS1 Brasil, o professor da ESPM Porto Alegre, doutor em administração de empresas, especialista em finanças empresariais, bacharel em ciências contábeis, Adalberto Escalona Garcia, diz que em termos amplos a gestão financeira preocupa-se em proporcionar às organizações a melhor e a mais eficiente captação e alocação de recursos.

“Isto exige do administrador financeiro a capacidade de entender não apenas a organização, mas também compreender a dinâmica do ambiente de negócios como um todo. Que volume de recursos vamos precisar? Para quando? Que retorno vamos obter? Quanto custará o recurso captado? A relação custo de captação e retorno do investimento é favorável? Que proporção de endividamento e de capitais próprios vamos utilizar? Como será a geração de caixa? Garantirá a liquidez do negócio? Estes são exemplos de questões que o responsável pela gestão financeira deverá responder”, exemplifica Adalberto.

Segundo o professor da ESPM Porto Alegre, foi-se o tempo em que a competição permitia equívocos em série e ainda assim as empresas tinham bom desempenho financeiro.“O atual ambiente de negócios nos impõe a operar na fronteira da produtividade. Isso implica em empregar os melhores processos, as melhores ferramentas, as melhores técnicas e contratar e manter pessoas capacitadas. Um negócio inovador e disruptivo poderá revelar-se um grande fracasso sem uma adequada captação, alocação e gerenciamento de recursos. Tais fatos reportam a importância da gestão financeira para as organizações”, reforça.

Kelly Carvalho, da Fecomércio. Crédito: divulgação

Segundo a Assessora Econômica da FecomercioSP, Kelly Carvalho, a gestão financeira é todo o processo de gerenciamento das finanças de uma empresa, que vai desde o planejamento até a análise de controle e gestão dos recursos. Por meio da gestão financeira é possível identificar se a operação está gerando lucro ou prejuízo e onde a empresa pode melhorar.

“Esse é um tópico muito importante para as empresas, pois permite ao empreendedor administrar os recursos da melhor forma possível, cortando despesas desnecessárias, melhorando a gestão dos estoques e tendo maior previsibilidade nas receitas e investimentos. Um plano de gestão financeira bem elaborado pode ajudar o empreendedor na tomada de decisões de forma mais assertiva, inclusive diante de mudanças de cenários na economia.”, exemplifica Kelly.

Má gestão financeira: 12 erros principais

Lucia Gomes do Sebrae-SP. Crédito: divulgação

Cometer erros na gestão financeira de um negócio é muito mais comum do que se imagina, principalmente entre as MPEs. Como na maioria das vezes é o empreendedor que está à frente das operações da empresa no dia a dia, a gestão financeira acaba ficando para um segundo momento, o que é um grande erro. 

Não controlar as operações de compra e venda realizadas pela empresa dificulta a elaboração de um planejamento, o conhecimento da movimentação do caixa e saber se a empresa está tendo lucro ou prejuízo.

A pedido do Portal de Notícias da GS1 Brasil, a consultora de Negócios do Sebrae-SP, listou os 12 principais erros cometidos pelas MPEs no processo de gestão financeira. Confira!

1 – Misturar despesas pessoais com as despesas do negócio;

2 – Não definir pró-labore compatível com a empresa;

3 – Priorizar apenas atividades operacionais da empresa e não dedicar tempo para a gestão financeira;

4 –  Não fazer fluxo de caixa diariamente;

5 – Tomar decisões sem avaliar os controles financeiros da empresa;

6 – Desorganização das informações financeiras;

7 – Comprar insumos e mercadorias sem estratégias;

8 –  Não ter controle de estoque;

9 – Não conhecer e acompanhar os custos da empresa;

10 – Má gestão ou ausência de capital de giro para manter o negócio;

11 – Definir o preço de venda de produtos e serviços considerando apenas a concorrência;

12 –  Buscar linhas de crédito sem planejamento financeiro.

Benefícios de uma boa gestão financeira

gestão financeiraObviamente ter boas práticas em um processo de gestão financeira é exatamente fazer o contrário dos principais erros cometidos.

A melhor forma de se ter uma boa gestão financeira é planejando, pensando no futuro e se preparando para ele, inclusive considerando cenários de incertezas econômicas. Neste sentido, rever contas da empresa, reduzindo dívidas e custos. Outro ponto a ser considerado é manter um registro diário das movimentações financeiras do negócio, construindo uma reserva de emergência.

“Além disso, é importante que as finanças da empresa sejam separadas das do empreendedor. Isso permite um melhor controle e cada uma é responsável pelas receitas e despesas. Também é importante que o empreendedor tenha um pró-labore para evitar que todos os recursos que entrem na conta da empresa sejam considerados “salários” para os empreendedores”, explica o professora da ESPM.

Segundo ele, uma boa gestão do estoque é fundamental e, para isso, o estudo de mercado se torna fundamental bem como negociar com os fornecedores de forma a ter as melhores condições de pagamento. “Uma boa gestão de estoque permite a otimização do espaço físico do estoque, otimização dos custos, redução de desperdícios e prejuízos e organização de compras”, ressalta o professor.

Segundo a consultora do Sebrae-SP, os benefícios de se adotar uma gestão financeira eficiente são diversos, confira alguns exemplos:

1 – Saber exatamente quanto entra e sai de recursos financeiros da empresa;

2 – Projetar os meses subsequentes e promover ações com objetivo de não faltar recurso em caixa;

3 – Definir qual a necessidade de capital de giro para manter as atividades;

4 – Controlar e reduzir os estoques;

5 – Calcular corretamente o preço de venda de seus produtos e serviços para que cubram seus custos, gerem lucros e sejam competitivos;

6 –  Planejar o futuro e o crescimento da empresa;

7 – Tomar decisões mais assertivas, com base em dados e informações;

8 –  Reduz custos com uso mais eficiente do dinheiro;

9 –  Cortar e evitar desperdícios que não agregam valor aos clientes;

10 – Aumenta a produtividade da empresa.

Gestão Financeira: ações principais

finanças nas pmesOs especialistas entrevistados explicaram alguns do termos principais para uma boa gestão financeira. Confira!

Fluxo de caixa: é uma ferramenta de gestão financeira que projeta as movimentações de entrada e saída de recursos financeiros. Contribui para o planejamento e controle eficaz de uma empresa, devendo ser utilizada como instrumento para a tomada de decisões. É a base financeira de toda empresa, sem ele as decisões são tomadas por instinto, com base em palpites.

Giro de caixa: é importante que todo empreendedor conheça a eficiência da sua empresa, e o giro do caixa contribui para essa análise. Giro de caixa é um indicador financeiro que demonstra quantas vezes o capital entrou e saiu do caixa. Para controlar o giro de caixa, é fundamental a utilização do fluxo de caixa e do controle de estoque, pois precisamos conhecer o prazo médio de estocagem, o prazo médio para o recebimento das vendas e prazo médio para pagamento dos fornecedores. O objetivo é conhecer quanto tempo o dinheiro investido na compra do estoque retorna para caixa da empresa através das vendas realizadas.

Gestão de investimentos: para que as empresas aumentem seus lucros e perpetuem no mercado, investimentos precisarão ser feitos para potencializar o crescimento sustentável da empresa. Investimentos em recursos humanos, recursos tecnológicos, equipamentos, máquinas, entre outros. O planejamento estratégico empresarial é essencial e indispensável, pois através dele a empresa traçará suas estratégias e ações para alcançar seus objetivos. O investimento precisa estar alinhado ao planejamento estratégico da empresa e com os objetivos almejados.

Gestão de crises: os momentos de crise são excelentes oportunidades para as empresas se reinventarem e inovarem, e exige dos empreendedores um alto nível de controle sobre as suas finanças para que adote medidas para evitar prejuízos e garantir a sobrevivência do negócio no mercado. E planejamento é a palavra de ordem! Fazer gestão da crise é planejar as ações que serão implementadas na empresa com objetivo de minimizar prejuízos quando problemas inesperados acontecem. Se atentar às necessidades do mercado e agir com rapidez são algumas das ações que devem compor a gestão da crise.

Controle de estoque: é fundamental para as empresas, pois contribui para uma melhor gestão de compras e de vendas. É preciso conhecer quais os itens estão em estoque, quais as quantidades, qual o custo desses itens, a quanto tempo estão em estoque, se há prazo de validade, definir o estoque mínimo e máximo de cada um. Decisões estratégicas para a empresa devem ser tomadas avaliando o estoque, como ações de divulgação de produtos parados em estoque, negociações com fornecedores considerando prazo de reposição de produtos e até mesmo conhecer os produtos com maior e menor saída em vendas. A gestão do estoque pode ser feito através de controle em planilhas ou sistemas de gestão, mas com o objetivo de trazer informações e agilidade para o dia-a-dia do empreendedor.

Foto: iStock

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