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Próximo cliente do e-commerce pode ser um agente de IA

e-commerceA inteligência artificial (IA) deve deixar de apenas ajudar o consumidor a escolher produtos no e-commerce e passar a fazer compras em nome dele. A avaliação é de Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo. Nesta terça (6), durante o Summit Pagamentos 2026, ele apresentou a estimativa da empresa de que até US$ 1 trilhão do comércio global poderá ser orquestrado por decisões de IA até 2030.

Na palestra, Alves defendeu que o pagamento caminha para se tornar uma infraestrutura invisível dentro da venda. “O famoso checkout que a gente conhece tem uma grande tendência a deixar de ser necessário da maneira como ele é”, afirmou.

Mudanças de ciclo no comportamento

Para o executivo, o comportamento do consumidor repete padrões. Foi assim com o e-commerce e está sendo assim com os pagamentos digitais, em ciclos que se sucedem nos últimos 20 a 25 anos. No caso da IA, o primeiro ciclo é o da conversa, facilitado por um hábito que o brasileiro já tem com o WhatsApp. Depois vêm a comparação de produtos, função que antes era dos buscadores, o agendamento de tarefas e, por fim, a autonomia.

Os números citados por ele indicam que essa transição já começou. Segundo Alves, 76% dos brasileiros usam IA para fazer consultas antes de comprar, e 60% das pessoas com até 34 anos já não usam cartão de crédito físico. Ele observou ainda que a bancarização hoje começa entre menores de idade, enquanto no Chile ainda há grande informalidade e muito dinheiro em espécie.

Perdas no pagamento

O ponto de atrito, segundo ele, está no fim da jornada. Depois de investir para atrair o cliente e conduzi-lo pela navegação, o lojista ainda perde vendas na hora de pagar. “Chega no ponto de compra, aperta o botão comprar e, pasmem, 18% ainda fica no meio do caminho”, disse.

Parte dessas perdas vem da falta de limite, parte de divergências de dados e parte de bloqueios por suspeita de fraude. Cada pagamento passa por pelo menos três empresas, o adquirente, a bandeira e o banco emissor, e cada uma aplica os próprios critérios antifraude. Para Alves, a saída passa pela cooperação entre os participantes do sistema na identificação de comportamentos maliciosos.

Pix como base

e-commerceNo Brasil, o Pix é peça central dessa evolução. Desde a estreia, em 2020, o meio de pagamento passou do QR Code fixo para o dinâmico e ganhou jornada sem redirecionamento, pagamento por aproximação, Pix Automático, modalidades programadas e parceladas e tokenização. Os limites se ampliam à medida que a segurança aumenta.

“Ele conseguiu criar, a partir de regulação compulsória, um padrão, conseguiu ser simples o suficiente para ter adoção e resolve um grande problema”, explicou Alves. Na avaliação dele, o “Pix faz parte da forma de pagamento da nossa cultura e bancarização”.

O executivo também tratou da devolução de valores. Segundo ele, há empresas que mantêm fundos de reserva para reembolsar consumidores que pagaram via Pix, e já existe uma forma de aplicar ao Pix um conceito semelhante ao chargeback do cartão. Como exemplo de baixa fricção, contou que, numa viagem à China, recebeu de volta a diferença de uma compra lendo o mesmo QR Code usado no pagamento, sem estorno nem comprovante.

Compras agênticas

No modelo descrito por Alves, o agente de IA recebe o consentimento do consumidor e usa um token, um código único e rastreável que identifica a pessoa e o meio de pagamento, seja cartão ou Pix. Com isso, conclui a compra dentro da própria conversa. A autorização fica registrada no chamado mandate ID, que garante a rastreabilidade da permissão.

Segundo ele, o modelo já começou a ser testado no Brasil, com iniciativas da Visa e Banco do Brasil e o lançamento de um agente próprio da Mastercard. “Hoje, a inteligência artificial assiste, ajuda, compara. Amanhã, ela executa a partir de uma decisão humana”, resumiu.

O passo seguinte, que a Cielo projeta para 2030, são as compras programadas: o consumidor define prazo, faixa de preço e tipo de produto, e o agente conclui a transação quando essas condições forem atendidas. Alves encerrou com uma provocação aos lojistas: “O seu próximo cliente pode não ser uma pessoa, pode ser um agente dela”.

Fonte: E-commerce Brasil

Papel dos padrões da GS1 Brasil na era do e-commerce com compras agênticas

À medida que as compras agênticas — realizadas com o apoio de agentes de inteligência artificial capazes de pesquisar, comparar produtos e, em determinados contextos, conduzir etapas da compra no e-commerce — ganham espaço, a qualidade e a padronização dos dados de produtos se tornam ainda mais importantes.

Nesse ambiente, os agentes precisam acessar informações confiáveis e estruturadas para identificar corretamente um item, comparar atributos, preços e condições e distinguir produtos semelhantes. Os padrões da GS1, incluindo identificadores como o GTIN, podem funcionar como uma referência comum para conectar essas informações entre fabricantes, varejistas, e-commerces, marketplaces e demais participantes da cadeia.

Para o comércio, essa padronização pode ser estratégica em um cenário no qual a decisão de compra passa a ser cada vez mais mediada por sistemas automatizados. Quanto mais consistentes forem os dados sobre produtos no e-commerce, maior tende a ser a capacidade dos agentes de interpretar as ofertas e apresentar opções relevantes ao consumidor, reduzindo ambiguidades e erros de identificação.

Assim, os padrões da GS1 podem contribuir para criar uma infraestrutura de dados mais confiável para a evolução das compras agênticas, aproximando produtos, empresas e consumidores em um ecossistema no qual máquinas também passam a participar ativamente da jornada de compra.

Foto: iStock

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