Como manter as margens no azul no varejo quando os custos sobem e o consumo desacelera?
No varejo, a resposta pode estar na inteligência artificial.
Estudo da Bain & Company mostra que empresas que já adotaram a tecnologia registram ganhos de produtividade de até 20%, com impacto direto na redução de custos e no aumento da receita.
Para que os ganhos da inteligência artificial se tornem reais, o varejo precisa ir além da adoção de ferramentas digitais.
É necessário rever a forma como as equipes trabalham, eliminar gargalos estruturais e modernizar processos ainda baseados em modelos tradicionais de operação e gestão de dados.
“Muitas lideranças ainda hesitam em agir com força sobre os custos, mas a economia gerada por novas tecnologias é cada vez mais concreta”, avalia Lucas Brossi, sócio e líder de inteligência artificial da Bain na América do Sul. “Os avanços digitais estão permitindo ampliar a produtividade de forma inédita.”
A IA generativa já começa a automatizar tarefas antes restritas a pessoas, como a elaboração de contratos, a tradução de materiais e a personalização de treinamentos corporativos.
E a próxima fronteira está nos chamados agentes de IA, sistemas inteligentes capazes de executar tarefas complexas, com múltiplas etapas e tomada de decisão autônoma, ampliando significativamente o potencial de automação nas operações.
Para Brossi, as possibilidades de otimização da tecnologia são expressivas.
“Menos óbvia, mas igualmente importante, é a redução de demandas ao RH e aos times de atendimento ao cliente. Ferramentas de IA também podem reduzir a necessidade de acionar equipes de manutenção, já que os próprios funcionários conseguem resolver mais problemas sozinhos.
O potencial de benefícios como esses em projetos leva a estimativas de ganhos de eficiência de até 20% em algumas varejistas”, comenta o sócio.
A IA generativa também está revolucionando o marketing, com tempos reduzidos para avaliar propostas de fornecedores e preparar e-mails com feedback personalizados.
Considerando os ganhos possíveis com a otimização de campanhas, ferramentas de IA podem melhorar em 1 a 2 pontos percentuais a margem operacional relacionada ao custo de mercadorias vendidas (COGS) e às despesas da área de compras e merchandising, pois permitem que compradores e gestores mantenham o foco em fornecedores estratégicos, enquanto a tecnologia dá suporte a negociações com os demais.
A boa notícia para o varejo é que não é preciso investir uma fortuna para acessar os benefícios das novas tecnologias.
Os custos para aplicação da IA têm caído sistematicamente e a maioria das iniciativas gera retorno sobre o investimento em menos de um ano. Além disso, é importante destacar que as economias viabilizadas pela IA generativa se somam às que já eram possíveis com tecnologias anteriores, como automação robótica de processos, machine learning e IA tradicional.
Para aproveitar melhor as oportunidades geradas pela tecnologia, é fundamental corrigir processos e evitar a fragmentação e a baixa qualidade de dados.
Por isso, os programas mais bem-sucedidos para reestruturação de custos e processos na era da IA generativa contam com cinco princípios: planejamento ousado; adoção do processo zero-based design; uso inteligente de dados; colaboração entre áreas; e gestão de mudança mais assertiva.
O varejo sempre teve um foco operacional forte e um bom histórico de ganhos de produtividade em comparação com outros segmentos.
Agora, o setor tem a chance de aproveitar novas tecnologias e refinar sua abordagem de gestão de custos.
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