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A experiência da AGV na rastreabilidade de medicamentos

A implementação da rastreabilidade de medicamentos, determinada pela RDC 157/17 (atualizada pela RDC 319/19) que define os mecanismos para a implementação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) a serem implementados até 2022 pelas empresas, é discutida cada vez mais de forma abrangente.

As novas demandas exigem investimentos em automação e tecnologia por parte de toda a cadeia de saúde, incluindo os operadores logísticos.

A AGV Healthcare & Nutrition, por exemplo, está bem envolvida no assunto.

A companhia atua como operador logístico no modelo 3PL (Third Party Logistics Provider) – ou seja, faz transporte, armazenagem e distribuição sem envolver a compra de produtos – com foco em produtos para saúde e nutrição humana e animal.

Dos 65 clientes da AGV, 23 são laboratórios farmacêuticos da área de saúde humana – cada um com suas especificidades operacionais e tecnológicas.

AGV na Summit Saúde

Diretor de qualidade e gerenciamento técnico da AGV Healthcare & Nutrition, Kleber Fernandes, durante o Summit Saúde

Por isso, a empresa tem vários desafios para atender as novas demandas de rastreabilidade de medicamentos, como contou o diretor de qualidade e gerenciamento técnico da AGV Healthcare & Nutrition, Kleber Fernandes, durante palestra no Summit Saúde 2019, promovido pela GS1 Brasil em outubro, na sede da entidade, em São Paulo (SP) e que reuniu profissionais de todo o setor de saúde.

Uma delas é que a AGV recebe as mercadorias que a indústria comercializa para hospitais e varejo farmacêutico e, em muitos casos, precisa fracionar os produtos, fazer a agregação e a serialização nas embalagens.

A agregação e a serialização consistem na geração de números seriais únicos a serem impressos nas embalagens de cada medicamento, além da geração de etiquetas que facilitam a movimentação dos itens na cadeia de suprimentos.

“Um único cliente nosso do Rio de Janeiro, por exemplo, expede 1,5 milhão de unidades por dia. Precisamos trafegar os dados desses processos entre todos os envolvidos”, disse Fernandes.

Diversidade

Além do grande volume, a AGV trabalha com as mais diversas realidades tecnológicas. “Temos desde clientes que não colocam o código de barras na caixa e outros que querem inventário por drone. Trabalhamos com laboratórios farmacêuticos com uma realidade técnica bastante avançada e outros não, porém todos os produtos vão para o mesmo canal. Atuar com esses diferentes universos é bastante complexo”, refletiu Fernandes. 

Assim, a companhia tem a responsabilidade de consolidar dados e administrar as particularidades de cada indústria farmacêutica, considerando a legislação vigente, a capacidade de investimento e o custo logístico.

Outro desafio apontado pelo executivo é fazer com que a captura de dados converse com a interface das indústrias com o objetivo de sincronizar as informações de inventário, como devolução de produtos, recusa, avaria e extravio.

“O operador logístico, embora não seja citado na RDC N° 157, tem um trabalho enorme no contexto da rastreabilidade e que poderá ser resolvido com algo simples: padrão”, ressaltou Fernandes.

“A adoção de um padrão de captura e leitura vai facilitar para que todos os atores possam desenvolver a sua transmissão de dados. Por isso, precisamos cada vez mais compartilhar as informações e fomentar discussões técnicas e opiniões colegiadas sobre o tema da rastreabilidade de medicamentos”, afirmou.

De acordo com Fernandes, a AGV investiu em infraestrutura tecnológica nos últimos anos já se preparando para a rastreabilidade.

Atualmente, a empresa possui 1,2 colaboradores e administra R$ 2 bilhões em estoque dos clientes. A estrutura inclui 26 operações em 15 Estados do País e 3,6 mil cidades atendidas.

Aprendizado

Apesar dos desafios, a AGV já tem uma jornada na questão da rastreabilidade, colhendo aprendizados importantes.

Segundo Fernandes, a companhia trabalha em um projeto envolvendo a rastreabilidade de produtos de saúde, no qual há necessidade de saber exatamente qual item está indo para determinando hospital.

A empresa recebe os paletes, que são todos abertos, captura as informações que vem codificadas pela indústria para controle, quando o fabricante não tem a identificação/serialização nos itens a própria AGV se encarrega de fazê-la para facilitar os procedimentos dentro do hospital.

Já na área de saúde animal, que ainda precisa evoluir na questão da padronização, a companhia conduz um piloto com previsão de 180 mil unidades/mês de produtos veterinários, no qual faz a serialização das embalagens.

Neste caso, a rastreabilidade ajudará a evitar problemas de falsificação dos produtos.

Acompanhe, a seguir, neste vídeo, os melhores momentos do Summit Saúde.

Fotos: iStock/ DIVULGAÇÃO

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