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Experimentações virtuais para PMEs podem aumentar vendas

Como esperado, tecnologias que colocam as pessoas em rede ou trazem conveniência e agilidade nos serviços tiveram forte alta.

Segundo estudo da agência SA365, com a pesquisa da Global Marketing Trends Consumer Pulse, da Deloitte, as buscas por tecnologias acessíveis aumentaram 170% em 2020, como virtual try-on, em português, a chamada experimentação virtual, sendo destaque, inclusive entrando no radar das Micro e Pequenas Empresas (MPEs).

Mas qual o conceito de experimentação virtual e como ela ajuda a aumentar as vendas de produtos?  Além disso, como as MPEs podem implementar nos seus negócios, uma tecnologia que antes era realidade somente de grande empresas?

Thiago Muradas Bulhões da ESPM Porto Alegre. Crédito: divulgação

Em entrevista ao Portal de Notícias da GS1 Brasil, o professor da ESPM Porto Alegre e sócio da Napalm Studio produtora de Jogos e Animação, Thiago Muradas Bulhões, explica que o try-on, ou seja, experimentação virtual, são tecnologias que permitem que os consumidores possam experimentar de forma virtual os produtos.

“A experimentação virtual agora está bem amadurecida e abre novas possibilidades, pois utiliza a realidade aumentada com o uso, principalmente de smartphones para criar experiências virtuais que vão de maquiagem, roupas e até móveis”, explica.

Kelly Carvalho, da Fecomercio-SP. Crédito: divulgação

Para a assessora econômica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Kelly Carvalho, a tecnologia de experimentação virtual de produtos contribui para o aumento das taxas de conversão de vendas, além de reduzir custos de trocas e devoluções.

“A vantagem é que ela permite ao consumidor experimentar o produto de forma virtual como se estivesse na loja. A intenção dessa tecnologia é expandir a interação entre os usuários do aplicativo de determinada loja e os produtos que eles desejam”, completa.

Tecnologia foi impulsionada na pandemia

Com as medidas restritivas de circulação e de funcionamento das atividades, o try-on possibilita aos consumidores uma experiência de compra única.

Ela permite experimentar produtos antes de comprar no conforto de casa, sem correr o risco de se expor à Covid-19, só que de forma virtual, como se estivessem em uma loja física.

Isso reduz as dúvidas das compras online e aumenta a confiança no momento da compra.

“Por intermédio da câmera do celular, o consumidor consegue, de forma segura e funcional, experimentar roupas, calçados e tonalidades de maquiagens, assim como testar se determinado móvel fica adequado em um ambiente da casa. Com a digitalização dos negócios, empresas que implementaram essa tecnologia vêm conseguindo se destacar no mercado, fidelizando clientes”, exemplifica a consultora da FecomercioSP.

Segundo o professor da ESPM Porto Alegre, a pandemia acelerou todo o processo de digitalização de nossas vidas. Empresas, escolas e o varejo tiveram de se adaptar à nova realidade.

“A parte do varejo que já trabalhava com o e-commerce se beneficiou com o isolamento social, apresentando um crescimento acima de 70% no Brasil, em 2020”, reforça.

Mas, segundo o professor, outros fatores devem ser levados em conta, como um aumento e melhora significativa da logística do e-commerce nos últimos anos, assim como os constantes aperfeiçoamentos da tecnologia.

“Outro aspecto importante é que o mercado digital cresceu muito, o que aumentou a competitividade e exigiu das empresas diferenciais competitivos melhores. Nesse contexto, o try-on foi incorporado por diversas marcas como forma de melhorar a experiência de compra, dando mais segurança para o consumidor”, exemplifica.

Experimentações virtuais para PMEs é tendência

A pandemia mostrou também que a digitalização não é apenas interessante para as MPEs: deve ser uma parte essencial da estratégia de negócio.

Neste sentido, a expectativa é de que tenha uma demanda cada vez maior para a conectar o online com o offline.

Assim, uma compra poderá começar na loja física e terminar no e-commerce e vice-versa. Nesse mesmo sentido, a tecnologia poderá levar a experiência da loja para a casa do consumidor, sem a necessidade de se deslocar para a loja física.

“A experiência online é a principal mudança no mercado no momento pós-pandemia, já que os canais digitais ganharam espaço na vida das pessoas em isolamento, incluindo as faixas de renda mais baixas da população. Apesar de ser uma tecnologia que alavanca as vendas, proporcionando a melhor experiência de compra para o consumidor, a tecnologia try-on ainda é uma realidade vivenciada pelas grandes empresas, que já dispõem de plataformas próprias de comércio eletrônico e de infraestrutura tecnológica”, explica a consultora da FecomercioSP.

De acordo com a consultora, por outro lado, as MPEs podem se beneficiar dessa nova tecnologia pelas grandes redes.

“Com a pandemia, o consumidor mudou os hábitos de consumo e, com isso, prefere alternativas para receber o produto de forma mais rápida. Por outro lado, uma das alternativas tem sido a retirada de mercadorias em lojas conveniadas ou pontos de entrega. Ao fazer uma parceria com uma grande rede varejista para que o cliente retire o produto, os pequenos varejistas podem ser beneficiados com a circulação de pessoas comprando itens do seu estabelecimento”, ensina.

Para o professor da ESPM Porto Alegre, a experimentação virtual vai continuar aumentando, acompanhando a evolução tecnológica da grande indústria digital. A maior aposta neste sentido é o crescimento dos recursos de realidade aumentada, cada vez mais integrados nos celulares e aplicativos.

“Podemos perceber os gigantes da tecnologia investindo pesadamente em soluções inteligência artificial e realidade aumentada, como o Facebook “Spark AR Studio”, Apple “Arkit” e Google “AR Core”. Acredito que a fusão entre o real e o virtual está apenas começando e, em um futuro próximo, todos estaremos tão acostumados com estas interações, que será difícil imaginar a vida sem eles, mais ou menos como ocorreu com o GPS que, pouco a pouco, foi evoluindo e ficando cada vez mais acessível até se tornar completamente essencial”, projeta.

Experimentação virtual ajuda a aumentar as vendas

Silmara Regina de Souza, do Sebrae-SP. Crédito: divulgação

Um dos grandes benefícios está em levar uma experiência de contato com o produto para quem está longe, criando a possibilidade de uma experimentação mais imersiva, algo que o cliente não poderia ter até então.

“Isso ajuda no engajamento do cliente pela marca, produto ou serviço, facilitando o processo de escolha desse cliente. Para as empresas, outra vantagem é um custo menor em termos de alcance de mais clientes. Com a experimentação virtual, a empresa pode alcançar pessoas que ela não alcançaria apenas como um ponto de venda físico ou com apenas imagens/vídeos dos produtos”, explica a consultora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), Silmara Regina de Souza.

Segundo a consultora da FecomercioSP, Kelly Carvalho, a tecnologia de realidade virtual permite melhorar a experiência do usuário e alavancar vendas, principalmente no e-commerce. Além disso, permite aproximar o consumidor do produto de uma forma nunca antes imaginada.

“A maior interferência é no tempo e na segurança que o consumidor toma a decisão de compra. Quando um consumidor quer comprar determinado produto no e-commerce, por exemplo, ele consegue ver o item exatamente como é, no tamanho certo e nas cores corretas, aplicados, por exemplo, de forma holográfica. Apenas com essa experiência, o consumidor já consegue ter mais informações sobre o produto que pretende comprar do que ir até uma loja”, explica.

Além disso, a tecnologia pode ser utilizada para aproximar a experiência da compra online com a da loja física. Isso pode ser feito com roupas, calçados, óculos, móveis, maquiagens, entre outros.

“Não é somente na taxa de conversão que a realidade virtual pode agir, pode também engajar o público e fortalecer o nome da marca. O filtro das redes sociais é um dos exemplos mais simples, já que quanto mais as pessoas utilizam, mais o nome é divulgado”, diz a consultora da FecomercioSP.

Segurança do consumidor é fator decisivo para venda

Dados pessoaisSegundo o professor da ESPM Porto Alegre, o aumento nas vendas é esperado pela maior segurança que o consumidor tem antes de fechar o negócio.

Quanto maior for o sentimento de confiança em relação a marca e ao produto, maior a possibilidade de compra do produto.

“Esse processo de experimentação virtual em breve vai se tornar extremamente popular em diversos segmentos e tão fácil de usar quanto um filtro de Snapchat, Instagram ou Zoom. As redes sociais servem também como uma espécie de escola tecnológica, preparando a sociedade para novas tecnologias e interações. Os filtros de realidade aumentada das redes sociais já estão desempenhando esse papel. Depois incorporar essas funcionalidades ao e-commerce, vai ser muito mais fácil”, prevê.

Casos de sucesso: faça seu teste experimentação virtual

IKEA: empresa sueca de móveis doméstico é referência em experimentação virtual de móveis

A pedido do Portal de notícias da GS1 Brasil, o professor da ESPM Porto Alegre, enumerou sete casos de sucesso nacionais e internacionais.

Acesse e faça você mesmo a experimentação virtual. Basta clicar nos títulos abaixo para ser direcionado  para a página:

1 – Os testes de simuladores de Pintura virtual da Suvinil oferecem opções completas para quem que decidir a sua pintura.

2 – Já para quem gosta de jogar futebol, na ícone Sports é possível montar a própria camiseta profissional de futebol e customiza a peça.

3 – Na parte mais alta da experiência temos o exemplo da “Beetools”, escola de Inglês brasileira que utiliza a realidade virtual para criar experiências imersivas de conversação em inglês para seus alunos.

4 – Outro exemplo já na área da saúde foi a campanha do Hermes Pardini, a “VR Vacina”, criada pela agência Ogilvy Brasil, utilizando a realidade virtual para transformar a experiência da vacinação em algo lúdico para as crianças.

5 – Considerando também o mercado internacional existem, exemplos clássicos como o catálogo virtual da loja de móveis IKEA , que permite experimentar os móveis em realidade aumentada em sua própria casa. Imperdível!

6 – Veja também a experiência totalmente imersiva dos novos simuladores de tênis da Wanna.

7 – Gosta de maquiagem? Faça a experimentação da  Perfect  e se surpreenda com os recursos de realidade aumentada!

3 dicas para implementar a experimentação virtual na sua empresa

Confira os 3 passos fundamentais listados pelo professor de tecnologia da ESPM Porto Alegre,Thiago Muradas Bulhões!

1. Faça análise da aplicabilidade para seu público

Antes de investir na novidade, o empreendedor precisa avaliar se a tecnologia voltada para a realidade virtual faz sentido, que atenda ao seu público.

2. Busque empresas especializadas

Depois, é preciso que o empreendedor busque empresas especializadas no mercado para fazer a integração a sua plataforma de comércio eletrônico.

Neste momento, é importante que o empreendedor faça uma pesquisa no mercado sobre preços e funcionalidades oferecidas.

3. Atenção ao conteúdo

O primeiro ponto a ser considerado diz respeito à criação de conteúdos personalizados para os ambientes de realidade virtual e que sejam de fácil uso pelo  consumidor.

Foto: iStock e divulgação

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